Kardec e o Preto Velho

É incomum vermos em sessões Kardecistas, a presença de espíritos como Caboclo, Preto velho e outros. Inclusive quando da primeira incorporação do Médium Zélio Fernandino de Moraes, em 15 de Novembro de 1908, seu guia protetor o Caboclo das Sete encruzilhadas, foi contestado em sua totalidade.

Porém o que poucas pessoas sabem, é que o Decodificador dessa doutrina, o Médium Allan Kardec, teve sim um contato com espírito de um preto velho conforme notícia veiculada no Jornal SEI Serviço Espírita de Informações.

Segundo o referido jornal, Allan Kardec teria solicitado a presença de um espírito que se anunciava com o nome de Pai César, e que teria falecido no ano de 1859, mais precisamente em 08 de Fevereiro com 138 anos de idade. Essa reunião aconteceu em 25 de Março do mesmo ano, pouco mais de um mês, portanto do desencarne do espírito.

Consta ainda na noticia que Allan Kardec teria indagado ao espírito que coordenava a reunião, espírito de São Luís, sobre a possibilidade de algum impedimento daquele irmão se comunicar dado ao seu recém retorno ao plano espiritual, o que São Luís, haveria dito que não, inclusive se colocando a prestar auxílio no intercâmbio e assim o teria feito.

Relata ainda o Jornal, que, a comunicação teria sido mal iniciada o que chamou os participantes a várias reflexões. O espírito de Pai César revelou muitas feridas que trazia em seu coração, dado aos sofrimentos que passara em sua existência terrena, devido ao preconceito que naqueles dias, graçava muito mais do que nos dias atuais. Ele ainda relatou ao Codificador que não gostaria jamais de voltar ao planeta como negro, pois em seu entendimento estaria assim fugindo da maldade q impera nos seres humanos.

Se tinha mesmo vivido 138 anos, ele não soube informar, o que segundo Kardec, seria compreensível, uma vez que os negros não possuíam certidão de nascimento, assim sendo, somente poderiam ter uma noção aproximada de seu tempo de vida no plano carnal.

Com certeza essa incorporação ajudou e muito a Kardec, a reforçar as suas teses contra o preconceito que o levou há fazer dois anos mais tarde, em sua “Revista Espírita” “Revuc Spirite”, uma declaração na qual deixou certo de que o Espiritismo teria um papel de suma importância no processo árduo de evolução da humanidade, contribuindo de forma significativa para retirar o véu da escuridão que mantém subjugados os corações e mentes humanas.
 Referência: Matéria publicada no Jornal Espírita de Informações, no dia 19/04/2008.

Médiuns Irresponsáveis

Autor: Manoel Philomeno de Miranda (espírito) / psicografia de Divaldo Franco

Associou-se indevidamente à pessoa portadora de mediunidade ostensiva a qualidade de Espírito elevado.O desconhecimento do Espiritismo ou a informação superficial sobre a sua estrutura deu lugar a pessoas insensatas considerarem que, o fato de alguém ser possuidor de amplas faculdades medianímicas, caracteriza-se como um ser privilegiado, digno de encômios e projeção, ao mesmo tempo possuidor de um caráter diamantino, merecendo relevante consideração e destaque social.Enganam-se aqueles que assim procedem, e agem perigosamente, porquanto, a mediunidade é faculdade orgânica, de que quase todos os indivíduos são portadores, variando de intensidade e de recursos que facultem o intercâmbio com os Espíritos, encarnados ou não.

Neutra, do ponto de vista moral, em si mesma, a mediunidade apresenta-se como oportunidade de serviço edificante, que enseja ao seu portador os meios de auto-iluminar-se, de crescer moral e intelectualmente, de ampliar os dons espirituais, sobretudo, preparando-se para enfrentar a consciência após a desencarnação.Às vezes, Espíritos broncos e rudes apresentam admiráveis possibilidades mediúnicas, que não sabem ou não querem aproveitar devidamente, enquanto outros que se dedicam ao Bem, que estudam as técnicas da educação das faculdades psíquicas, não conseguem mais do que simples manifestações, fragmentárias, irregulares, quase decepcionantes.

Não se devem entristecer aqueles que gostariam de cooperar com a mediunidade ostensiva, porquanto a seara do amor possui campo livre para todos os tipos de serviço que se possa imaginar.

Ser médium da vida, ajudando, no lar e fora dele, exercitando as virtudes conhecidas, constitui forma elevada de contribuir para o progresso e desenvolvimento da Humanidade.Através da palavra, oral e escrita, quantos socorros podem ser dispensados, educando-se as criaturas, orientando-as, levando-as à edificação pessoal, na condição de médium do esclarecimento?!Contribuindo, nas atividades espirituais da Casa Espírita, pela oração e concentração durante as reuniões especializadas de doutrinação, qualquer um se torna médium de apoio.Da mesma forma, através da aplicação dos passes, da fluidificação da água, brindando a bioenérgia, logra-se a posição de médium da saúde.Na visita aos enfermos, mantendo diálogos confortadores, ouvindo-os com paciência e interesse, amplia-se o campo da mediunidade de esperança.Mediante o dialogo com os aturdidos e perversos, de um ou do outro plano da vida, exerce-se a mediunidade fraternal da iluminação de consciência.

Neste mister, aguça-se a percepção espiritual e desenvolvem-se os pródromos das faculdades adormecidas, que se irão tornando mais lúcidas, a fim de serem usadas dignamente em futuros cometimentos das próximas reencarnações.Ser médium é tornar-se instrumento; e, de alguma forma, como todos nos encontramos entre dois pontos distantes, eis-nos incursos na posição de intermediários.

Ter facilidade, porém, para sentir os Espíritos é compromisso que vai além da simples aptidão de contatá-los.Desse modo, à semelhança da inteligência que se pode apresentar em indivíduos de péssimo caráter, que a usam egoística, perversamente, ou como a memória, que brota em criaturas desprovidas de lucidez intelectual, e perde-se, pela falta de uso, também a mediunidade não é sintoma de evolução espiritual.

Allan Kardec, que veio em nobre missão, Espírito evoluído que é, viveu sem apresentar qualquer faculdade mediúnica ostensiva, enquanto outros indivíduos do seu tempo, que exerceram a faculdade medianímica, por inferioridade moral, venderam os seus serviços, enxovalharam-na, criaram graves empecilhos à divulgação da Doutrina Espírita que, indevidamente, foi confundida com os maus exemplos desses médiuns inescrupulosos e irresponsáveis.

Certamente, o médium ostensivo, aquele que facilmente se comunica com os Espíritos, quando é dotado de sentimentos nobres e possui elevação, torna-se missionário do Bem nas tarefas a que vai convocado, ampliando os horizontes do pensamento para a imortalidade, para a vitória do ser libertado de todas as paixões primitivas.

Normalmente, e as exceções são subentendidas, os portadores de mediunidade ostensivas, porque se encontram em provações reparadoras, falham no desiderato, após o deslumbramento que provocam e a auto-fascinação a que se entregam por invigilância e presunção.

Toda e qualquer expressão de mediunidade exige disciplina, educação, correspondente conduta moral e social do seu portador, a fim de facultar-lhe a sintonia com Espíritos Superiores, embora o convívio com os infelizes, que lhe cumpre socorrer.

O médium irresponsável, porém, não é apenas aquele que, ignorando os recursos de que se encontra investido, gera embaraços e perturbações, tombando nas malhas da própria pusilanimidade, mas também, aqueloutros que, esclarecidos da gravidade do compromisso, se permitem deslizes morais, veleidades típicas do caráter doentio, terminando vitimados pelas obsessões cruéis.

Todo aquele, portanto, que deseje entregar-se ao Bem, na seara dos médiuns, conscientize-se da responsabilidade que lhe diz respeito, e, educando a faculdade, torne-se apto para o ministério, servindo sempre e crescendo intimamente com os olhos postos no próprio e no futuro feliz da sociedade.