Xa Angô
= Raio, fogo, alma = Senhor, dirigente
= Senhor do Raio, Senhor das Almas ou Senhor Dirigente das Almas
São Jerônimo – Xângo Agodô = Rei daCachoeira, Senhor da Justiça, Rei das Pedreiras, dos Raios e Trovões edas Forças da Natureza.
São Pedro – Xângo Agajô = Protetor das Almas que entram no céu.
São João Batista – Xangô Kaô = Protetordos que sofrem injustiças, Senhor Chefe das Falanges do Oriente.(Ori=Cabeça) Rei da Cachoeira, Senhor da Justiça, Rei das Pedreiras,dos Raios e Trovões e das Forças da Natureza.
Talvez estejamos diante do Orixá maiscultuado e respeitado no Brasil. Isso porque
foi ele o primeiro DeusIorubano, por assim dizer, que pisou em terras brasileiras.
Xangô é um Orixá bastante popular no Brasil e às vezesconfundido como um Orixá com especial ascendência sobre os demais, emtermos hierárquicos.
Essa confusão acontece por dois motivos:
- em primeiro lugar, Xangô é miticamente um rei, alguém que cuida daadministração, do poder e, principalmente, da justiça – representa aautoridade constituída no panteão africano.
- Ao mesmo tempo, há no norte do Brasil diversos cultos que atendem pelo nome de Xangô.
No Nordeste, mais especificamente em Pernambuco e Alagoas, aprática do candomblé recebeu o nome genérico de Xangô, talvez porque naquelas regiões existissem muitos filhos de Xangô entre os negros quevieram trazidos de África.
Na mesma linha de uso impróprio, pode-se encontrar a expressão Xangô de Caboclo, que se refere obviamente ao que chamamos de Candomblé de Caboclo.
Xangô é pesado, íntegro, indivisível,irremovível; com tudo isso, é evidente que um certo autoritarismo faça parte da sua figura e das lendas sobre suas determinações e desígnios, coisa que não é questionada pela maior parte de seus filhos, quando inquiridos.
Suas decisões são sempre consideradas sábias, ponderadas, hábeis e corretas.
Ele é o Orixá que decide sobre o bem e o mal. Ele é o Orixá do raio e do trovão.
Na África, se uma casa é atingida por umraio, o seu proprietário paga altas multas aos sacerdotes de Xangô,pois se considera que ele incorreu na cólera do Deus. Logo depois ossacerdotes vão revirar os escombros e cavar o solo em busca das pedras-de-raio formadas pelo relâmpago. Pois seu axé está concentrado genericamente nas pedras, mas, principalmente naquelas resultantes dadestruição provocada pelos raios, sendo o Meteorito é seu axé máximo.
Xangô tem a fama de agir sempre com neutralidade (a não ser em contendas pessoais suas, presentes naslendas referentes a seus envolvimentos amorosos e congêneres).
Seu raio e eventual castigo são o resultado de um quase processo judicial, onde todos os prós e os contras foram pensados e pesados exaustivamente. Seu Axé, portanto está concentrado nas formações de rochas cristalinas, nos terrenos rochosos à flor da terra, nas pedreiras, nos maciços. Suas pedras são inteiras,duras de se quebrar, fixas e inabaláveis, como o próprio Orixá.
Xangô não contesta o status de Oxalá de patriarca da Umbanda, mas existe algo de comum entre ele e Zeus, o deus principal da rica mitologia grega. O símbolo do Axé de Xangô é umaespécie de machado estilizado com duas lâminas, o Oxé, que indica opoder de Xangô, corta em duas direções opostas. O administrador da justiça nunca poderia olhar apenas para um lado, defender os interessesde um mesmo ponto de vista sempre. Numa disputa, seu poder pode voltar-se contra qualquer um dos contendores, sendo essa a marca deindependência e de totalidade de abrangência da justiça por eleaplicada.
Segundo Pierre Verger, esse símbolo se aproxima demais do símbolo de Zeus encontrado em Creta.
Assim como Zeus, é uma divindade ligada à força e à justiça, detendo poderes sobre os raios e trovões,demonstrando nas lendas a seu respeito, uma intensa atividade amorosa.
Outra informação de Pierre Verger especifica que esse Oxé parece ser a estilização de um personagem carregando o fogo sobre a cabeça; este fogo é, ao mesmo tempo, o duplomachado, e lembra, de certa forma a cerimônia chamada ajerê, na qual osiniciados de Xangô devem carregar na cabeça uma jarra cheia de furos, dentro da qual queima um fogo vivo, demonstrando através dessa prova,que o transe não é simulado.
Xangô portanto, já é adulto o suficiente para não se empolgar pelas paixões e pelos destemperos, mas vital e capaz o suficiente para não servir apenas como consultor.
Outro dado saliente sobre a figura dosenhor da justiça é seu mau relacionamento com a morte. Se Nanã é comoOrixá a figura que melhor se entende e predomina sobre os espíritos deseres humanos mortos, Eguns, Xangô é que mais os detesta ou os teme. Háquem diga que, quando a morte se aproxima de um filho de Xangô, o Orixáo abandona, retirando-se de sua cabeça e de sua essência, entregando acabeça de seus filhos a Obaluaiê e Omulu sete meses antes da mortedestes, tal o grau de aversão que tem por doenças e coisas mortas.
Deste tipo de afirmação discordam diversosbabalorixás ligados ao seu culto, mas praticamente todos aceitam comopreceito que um filho que seja um iniciado com o Orixá na cabeça, nãodeve entrar em cemitérios nem acompanhar a enterros.
Tudo que se refere a estudos, as demandas judiciais, ao direito, contratos, documentos trancados, pertencem a Xangô.
Xangô teria como seu ponto fraco, asensualidade devastadora e o prazer, sendo
apontado como uma figuravaidosa e de intensa atividade sexual em muitas lendas e cantigas,tendo três esposas:
- Obá, a mais velha e menos amada;
- Oxum, que era casada com Oxossi e por quem Xangô se apaixona e faz com que ela abandone Oxossi;
- Iansã, que vivia com Ogum e que Xangô raptou.
No aspecto histórico Xangô teria sido o terceiro Aláàfin Oyó, filho de Oranian e Torosi, e teria reinado sobrea cidade de Oyó (Nigéria), posto que conseguiu após destronar o própriomeio-irmão Dada-Ajaká com um golpe militar. Por isso, sempre existe uma aura de seriedade e de autoridade quando alguém se refere a Xangô.
Conta a lenda que ao ser vencido por seus inimigos, refugiou-se na floresta, sempre acompanhado da fiel Iansã,enforcou-se e ela também. Seu corpo desapareceu debaixo da terra num profundo buraco, do qual saiu uma corrente de ferro – a cadeia dasgerações humanas. E ele se transformou num Orixá. No seu aspecto divino, é filho de Oxalá, tendo Iemanjá como mãe.
Xangô também gera o poder da política. É monarca por natureza e chamado pelo termo obá, que significa Rei. No dia-a-dia encontramos Xangô nos fóruns, delegacias, ministérios políticos, lideranças sindicais, associações, movimentos políticos, nas campanhas e partidos políticos, enfim, em tudo que gera habilidade no trato das relações humanas ou nos governos, de um modo geral.
Xangô é a ideologia, a decisão, à vontade,a iniciativa. É a rigidez, organização, o trabalho, a discussão pelamelhora, o progresso social e cultural, a voz do povo, o levante, à vontade de vencer. Também o sentido de realeza, a atitude imperial,monárquica. É o espírito nobre das pessoas, o chamado ’sangue azul’, o poder de liderança. Para Xangô, a justiça está acima de tudo e, semela, nenhuma conquista vale a pena; o respeito pelo Rei é maisimportante que o medo.
Xangô é um Orixá de fogo, filho de Oxalácom Iemanjá. Diz a lenda que ele foi rei de Oyó. Rei poderoso eorgulhoso e teve que enfrentar rivalidades e até brigar com seus irmãospara manter-se no poder.
A finalidade principal desta linha é fazer caridade, implantando a justiça e os sentimentos que lhe são entregues.Sua essência é ígnea, manifesta-se nas montanhas rochosas, pedreiras e energiza a estabilidade constante vibrando na musculatura e na razão.
É cultuado nas montanhas e pedreiras e aceita como oferenda cerveja preta, vinho branco doce, melão, abacaxi, rabada de boi e é firmado comvelas brancas e marrons. Simbolizado pela cor marrom e figurativamente pelo desenho de um machado com dois cortes. Irradia justiça eracionalidade, flui resignação, obediência e submissão e seu oposto éIansã.
Xangô exerce uma influêcia muito forte em seu filho. Todos os Orixás, evidentemente, são justos e transmitemeste sentimento aos seus filhos.
Entretanto, em Xangô, a Justiça deixa de ser uma virtude, para passar uma obsessão, o que faz de seu filho umsofredor, principalmente porque o parâmetro da Justiça é o seu julgamento e não o da Justiça Divina, quase sempre diferente do nosso,muito terra. Esta análise é muito importante.
O filho de Xangô apresenta um tipo firme, enérgico, seguro e absolutamente austero. Sua fisionomia, mesmo a jovem, apresenta umavelhice precoce, sem lhe tirar, em absoluto, a beleza ou a alegria.
Tem comportamento medido. É incapaz de dar um passo maior que aperna e todas as suas atitudes e resoluções baseiam-se na segurança echão firme que gosta de pisar.
É tímido no contato mas assume facilmente o poder do mando. É eterno conselheiro e não gosta de ser contrariado, podendo facilmente sair da serenidade para a violência, mas tudo medido, calculado e esquematizado. Acalma-se com a mesma facilidade quando sua opinião é aceita. Não guarda rancor. A discrição faz de seus vestuários um modelo tradicional.
Quando o filho de Xangô consegue equilibrar o seu senso de Justiça, transferindo o seu próprio julgamento para o Julgamento Divino, cuja sentença não nos é permitido conhecer, torna-se uma pessoa admirável.
O medo de cometer injustiças muitas vezes retarda suas decisões, o que, ao contrário de lhe prejudicar, só lhe traz benefícios. O grande defeito dele é julgar os outros. Se aprender a dominar esta característica, torna-se um legítimo representante do Homem Velho, Senhor da Justiça, Rei da Pedreira. Por falar em pedreira, adora colecionar pedras.
Xangô era filho de Oranian, valoroso guerreiro, cujo corpo era branco à esquerda e preto à direita.
Xangô tinha um oxé – machado de duas lâminas; tinha também um saco de couro, pendurado no seu ombro esquerdo. Nele estavam os elementos do seu axé: aquilo que ele engoliapara cuspir fogo e amedrontar seus adversários, e as pedras de raio comas quais ele destruia as casas de seus inimigos.
Assim que ficou adulto, Xangô partiu em busca de aventuras gloriosas. O primeiro lugar que Xangô visitou chamava-se Kossô. Ali chegando, todos de Kossô vieram lhe pedir clemência, gritando: ‘Kabiyesi Xangô, Kawo Kabiyesi Xangô Obá Kossô!’(vamos todos ver e saudar Xangô, o Rei de Kossô!).
Assim ele pôs-se à obra; realizavatrabalhos úteis à comunidade e fazia as coisas com alma e dignidade.Mas esta vida calma não convinha à Xangô. Ele adorava as viagens e as aventuras. Assim, partiu novamente e chegou à cidade de Irê, onde morava Ogum.
Ogum o terrível guerreiro; Ogum o poderoso ferreiro. Ogum estava casado com Iansã, senhora dos ventos e tempestades. Ela ajudava Ogum na forja, carregando suas ferramentas eatiçando o fogo com os sopradores.
Xangô gostava de ver Ogum trabalhar;vez por outra, ele olhava para Iansã. Iansã também olhava para Xangô.
Xangô era vaidoso e cuidava muito de sua aparência, a ponto de trançar seus cabelos e furar suas orelhas, onde pendurava grandes argolas de ouro. Usava braceletes e colares de contas vermelhas e brancas.
Muito impressionada pela distinção e pelo brilho de Xangô, Iansã foi-se embora com ele tornando-se sua primeira mulher.
São Jerônimo, sincretizado com Xangô no Brasil, nasceu de uma família abastada,
provavelmente no ano 331, nacidade de Stridova, entre a Croácia e a Hungria.
Estudou em Roma, especializando-se na arte da oratória.
Como sua juventude fora dedicada à vida mundana, Jerônimo tardou seu batizado e, em carta ao papa, elevislumbrou para si um batismo de fogo no qual suas máculas seriamqueimadas.
Após ter copiado dois livros de Santo Hilário, ele decidiu estudar teologia. Mas sua leitura favorita continuava a ser a literatura dos grandes legisladores e oradores, como Cícero.
Aos 43 anos, ele esteve muito doente epermaneceu muito tempo acamado, durante a Quaresma, jejuou e tevevisões, vendo-se diante do trono do Senhor.
Resolve dedicar-se a uma vida monástica,isolando-se no deserto de Marônia, na Síria. Livros, penas e nanquim são seus companheiros.
Para combater a pensamentos impuros,pegava uma pedra e batia em seu peito, punindo-se, logo após voltava a escrever em hebraico, onde se tornou mestre nessa língua.
O sincretismo entre Xangô e São Jerônimo está no temperamento forte, crítico e na medida que ambos são conhecedores de leis e mandamentos. Xangô tem como lugar as pedreiras.
Sua imagem é representada por um ancião sentado sobre as pedras, segurando a tábua dos 10 Mandamentos e com um leão ao lado.
Xangô tem sua falange também, o mais conhecido é Xangô Kaô.
O GRANDE AMOROSO
Xangô é um deus cotidiano e, portanto, itifálico. De início, vêmo-lo como divindade hermafrodita. Muitas efígies suas na África – imagens de madeira, tendo no alto da cabeça, destacado, o machado bifronte – mostram, também em destaque, os seios volumosos. E mesmo no Brasil, no sincretismo católico, Xangô é às vezes identificado com Santa Bárbara.
Aos poucos,porém, ele vai se afirmando em sua orgulhosa virilidade. Altivo e dominador, elegante e cheio de sedução, usa cabelos encaracolados,brincos de argolas metálicas, colares e pulseiras.
Numa lenda contada por João do Rio, andava Xangô pelas aldeias, de tribo em tribo, apoderando-se das mulheres alheias. Encontrando a velha Olobá, Xangõ agarrou-a à força e depoisfoi com ela viver, numa cama feita de olentes folhas de manjericão. Atéque, cansado da velha, Xangô fugiu. Mas Olobá pertencia à família dos orixás, era avó de Oxun. Por isso Xangô teve de enfrentar perigos incontáveis – um inimigo em cada canto, uma guerra em cada tribo, uma serpente em cada moita. Refugiou-se, por fim, no palácio da rainha Oxum, comparedes de cristal líquido e colossais repuxos de cores estranhas. Após inúmeras peripécias, Xangô consegue livrar-se dos seus inimigos e da velha Olobá.
Triunfalmente, ele se atira nos braços da rainha. ‘Uma nuvem gigantesca encheu os céus, as árvores partiram-se e,ao clangor dos trovões, toda a terra se embebeu sequiosa no temporal’.Do enlace de Xangô e Oxum nasce a chuva benfazeja.
HETEROMORFIA E SINCRETISMO
Xangô é identificado com São Jerônimo, o erudito doutor da Igreja latina e, excepcionalmente, com Santa Bárbara.
No cancomblé, usa saiote e calça, coroa de cobre, metal precioso em Iorubá, braceletes e colares de cauris ou búzios.
Xangô-Airá, velho e alquebrado, veste-se de branco com barras vermelhas. Não come aceite, pois tem pacto comOxalá. Identificado com SãoPedro. Forma cada vez mais rara noscandomblés.
Xangô de Ouro, um adolescente vestido decores variadas, é São João Menino. Não ‘desce’ mais, porque deixaram deser encontradas as ervas necessárias, nos ritos de iniciação, para a’entrada na cabeça’ desse orixá. Um Xangô banido pela destruiçãoecológica.
Xangô Ogodô dança com um ochê em cada mão e o próprio nome é referência ao machado duplo, pois ogodô significa’que corta dos dois lados’.
Em Recife cultuam dois Xangôs principais: Xangô-Velho, identificado com São Jerônimo, cuja festa é a 30 desetembro, e Xangô-Moço (Ani-Xangô), sincretizado com Saõ João e celebrado a 24 de junho.
Dos seus símbolos e insígnias, o machado duploou ‘muleta’ e o pilão são conservados no peji, de onde podem sair emdeterminados rituais. Jamais é retirado, no entanto, o’corisco’ ou itáou otá (pedra-do-raio), que permanece guardado num alguidar (oberá).Xangô é tão popular em Pernambuco, que o nome passou a designar terreiros e, ainda mais extensamente, todas as seitas afro-brasileiras.
Entre as várias formas de Xangô citam Xangô Dadá, em Porto Alegre identificado com São João Batista e que noseu dia, 24 de junho, não ‘baixa’ porque, com a queima de fogos que ofestejam, ele iria incendiar o mundo.
Na realidade, Dadá é o irmão mais velho deXangô, que abdicou em seu favor, quando de Oyá. Dadá dança coroado como adé-de-banhami ou corão de Dadá, um capacete vermelho, todo ornamentado de cauris e de cujas bordas pendem fios também cobertos debúzios.
Quando Dadá se manifesta num candomblé, logo baixo um Xangô,que tira o adé-de-banhami e coloca na própria cabeça. Após dançar algumtempo com essa coroa de Dadá, Xangô acaba por devolvê-la, num símbolo da restituição, após sete anos, do reino de Oyó, que estava em poder deXangô.
Xangô o Zeus iorubano é conhecido também(dependendo da nação) como : Xangô (nagôs), Sobô, Sogbo (jejes), Badé,Quevioçô (fanti-ashanti), Conucon (tapa), Abaçucá (agrôno), Zaze,Cambãranguange ou Kubuco (bantos). Ele foi marido de três iyabás queforam rios africanos: Oiá (Niger), Oxun e Obá. (segundo Pierre FatumbiVerger) – no livro Orixás.
Sua saudação – Kaô kabiecí! – significa ‘Venham ver o Rei!’
Xangô dança brandindo seu machado duplo e,quando o ritmo se acelera, faz o gesto de atirar pedras-do-raio imaginárias, tiradas do labá, uma bolsa decorada que ele leva atiracolo.
Numa festa de Xangô, por vezes, os que estão possuídos pelo Orixá ingerem pedaços de algodão embebidos emazeite-de-dendê, que se incendeia, proeza que presenciamos algumas vezes no terreiro do pai-de-santo Júlio Estaves, em Olinda,RJ (ContaPierre Verger, no livro citado). Esse algodão incandescente – o acará –serve para provar que o Orixá está presente e, portanto, não hásimulação.
XANGÔ RECONDUZ OXALUFÃ AO REINO DE OXAGUIÃ
Mito famoso é aquele em que Oxalufã(Oxalufã, é o Oxalá velho) vai ao reino de Oyó, em visita a Xangô.Confundido com um ladrão pelos súditos do rei, Oxalá velho tem aspernas e os braços quebrados, permanecendo sete anos na prisão.Sobrevêm por isso várias desgraças, que levam Xangô a descobrir a causae reparar a injustiça cometida. Xangô carrega Oxalufã até o seu reinode Infá, de onde partira sete anos atrás.
Esse mito etiológico explica a origem doodô e o porquê das duas cores de Xangô: além do vermelho, como senhordo fogo, recebeu também o branco, como recompensa por haver carregadoOxalufã, o Oxalá velho, orixá da alvura e da pureza.
O OBÔ – milho brancocozido, sem sal, a que algumas tribos africanas juntam limo-da-costa(ouri) – o Obô foi o prato de sustentação no banquete de Oxaguiã,festejando o regresso do seu velho pai, Oxaguiã. E é no pilão de Xangô(odô) que é triturado esse milho ritual, na cerimônia das águas deOxalá.
EDUN ARÁ, A PEDRA-DO-RAIO
As pedras-do-raio – edun ará dos iorubanos – são fetiches de Xangô, imantados com a força da divindade.
Acredita-se que essa pedra-do-raio, tambémchamada pedra-de-santa-bárbara, cai do céu durante as tempestades,conduzida pelas faíscas elétricas, penetrando no chão a umaprofundidade de sete braças e só subindo à superfície após sete anos.
Quem consegue encontrar uma dessas pedras terá em mãos talismã dos mais valiosos, que proporciona todas as venturas.
As pedras-do-raio são, na realidade,achados arquológicos da era neolítica – machados, martelos e fragmentosde artefatos de pedra polida, aos quais se atribuía uma origem meteorológica.
Divindade dos meteoritos, na litolatria deXangô, observou Nina Rodrigues, ’se confendem os casos de adoração dospenhacos e grandes pedras dos campos e estradas’.
XANGÔ, O ZEUS YORUBANO
(Nota: Série de Palestras feitas pela Astróloga Maria Luiza Andrade)
XANGÔ é o senhor da justiça e lançador de raios e meteoritos, tal como ZEUS ou JÚPITER.
O símbolo a ele associado é o de dois martelos (os juizes na sociedade ocidental, também usam o martelo nassuas decisões, no tribunal), que mostram seu poder de determinar o queé certo e o que é errado e sua disposição inabalavelmente imparcial,visando, acima de tudo, a verdade.
É uma figura sólida, tanto por essepapel como pelo elemento que a ele é associado: a pedra. Também a ele pertencem os raios, que, segundo as lendas, só atingem os que foremconsiderados por Xangô.
Esta é a imagem a ele associada, onde sedestacam também certa vaidade e elegância e uma grande consciência desi próprio. Seus filhos possuem a força magnética dos que sentem quetêm poder sobre os outros – e geralmente alcançam o que querem.
Suas cores, no candomblé são o vermelho eo branco e seu dia a quarta-feira.
O Xangô umbandista tem suas cores nomarrom e amarelo-ouro, bebe cerveja preta e tem sua morada e o seu altar na rocha, de preferência onde haja também uma cachoeira.
Na astrologia, Xangô tem relação com oelemento FOGO ou com planetas e Casas desse elemento – Marte e Júpitere o Sol e Casas I (Marte/Áries), Casa V (Sol-Leão) e Casa IX(Júpiter-Sagitário).
XANGÔ é autoritário, o dono da última palavra (como são os jupiterianos, em geral), capaz de dar socos namesa para dramatizar sua expressão e exibir força física e arrogância.É sensual, majestoso, sólido, líder, difícil de ser derrubado. Seu ponto fraco é o coração, o que nos levaria a relacioná-lo a JUPITER e SAGITÁRIO.
Os filhos de XANGÔ são pessoas totalmente voltadas para a sexualidade e o egocentrismo. A parte negativa está nacrueldade, injustiça, alienação, violência e orgulho desmedido, além daambição cega.
Assim como Zeus no Olimpo, o elemento de XANGÔ são as pedras, os raios;é o Senhor da Força e da Justiça. Por ser a força, XANGÔ é considerado dentro do OBÁ como rei XANGÔ rege, portanto, os signos de LEÃO e SAGITÁRIO.
Autoritário, dominador,é um líder nato, um guerreiro difícil de ser derrotado, característicasdos nativos de Leão. Simboliza ainda a lei e a justiça, atributos de Júpiter. É sociável e aproveita o melhor da vida, o que o associa ao signo de Sagitário. Corresponde a Júpiter.
Os dias do ano em que é festejado:
- 25 de janeiro (Dia de São Paulo Apóstolo);
- 29 de junho (Badé)=Dia de SãoPedro);
- 19 de março (Alafin=Dia de São José);
- 24 de junho(Afonjá= São João);
- 30 de setembro(Agodô=São Jerônimo).
São-lhe sacrificados: carneiro, galo, cágado (ajapá). Sua comida é umcaruru especial (amalá).
Atributos de Xangô: o machado duplo(oxê)e a pedra-do-raio (edun ará).
De acordo com a nação, Xangô recebe osseguintes nomes: Xangô(nagôs), Sobô, sogbo (jejes), Badé, Quevioçô(fanti-ashanti), Vonucon (tapa), Abaçucá (agrôno), Zaze, Cambãranguangeou Kibuco (bantos).
XANGÔ é associado ao deus grego ZEUS ou JÚPITER que, segundo dizem os poetas, é o pai dos deuses e dos homens,reinando no Olimpo, e com um movimento de sua cabeça, agitava oUniverso.
Após uma batalha para destronar seu pai, eauxiliado por seu irmão NETUNO e PLUTÃO, JÚPITER recebeu dos Ciclopes(Titãs encarcerados no Tártaro, por ordem de seu pai Saturno) o trovão,o relâmpago e o raio; um capacete foi dado a Plutão e a Netuno umtridente. Com essas armas, os três irmãos venceram Saturno,expulsaram-no do trono e da sociedade dos deuses.
Depois do destronamento de Saturno,JÚPITER e seus irmãos repartiram os domínios daquele. A Júpiter coube aparte dos céus; a Netuno, o Oceano e a Plutão, os reinos da morte. ATerra e o Olimpo eram propriedades comum – Júpiter era o rei dos deusese dos homens. O raio era sua arma e carregava um escudo chamado égide,feito para ele por Vulcano. A águia era sua ave favorita. Juno (Hera)foi sua esposa e era a rainha dos deuses. Íris, a deusa do arco-íris,era sua donzela e mensageira. O pavão real era seu pássaro favorito.
Na astronomia, assim como vemos no estudodo Orixá XANGÔ, e no deus Zeus, Júpiter é o maior planeta, capaz até deprojetar sombra na Terra.
Segundo o mito, Júpiter é o pai Abraão, Brahma, Jeovah. O Sol é o poder espiritual e Júpiter é o pode temporal.
Para os egípcios, era AMON, deus de Tebas, no Alto Egito.
O deus invisível que animava todas as coisas e acompanhava as guerra imperiais; o intrépido e insensato, mas o corajoso.
Os nomes Abraão e Brahma derivam do sânscrito e significam: luz.
Na Índia era também Vishnu, o preservador.Para os gregos era ZEUS, o grande deus que reinava no Olimpo, amontanha sagrada. Carregava um raio em sua mão e era o Todo-Poderoso, oonipotente. Mas um deus acessível, com defeitos humanos como a luxuria,e o furor. Teve vários amores e filhos. Seus atributos também eram achuva, as nuvens, os raios e os trovões. Presidia toda a família divina.
SAGITÁRIO, signo regido pelo planeta Júpiter, mostra características deseus filhos, tão semelhantes as dos filhos de Xangô, com umtemperamento ativo, expansivo e egocêntrico, são pessoas desprendidas,generosas, enérgicas e combativas; possuem um temperamento impulsivo,ambicionam posição e poder, além de serem caridosos com os infelizes eoprimidos.
Quem tem a proteção de Xangô sabe: não há nada nem ninguém que destrua um filho
desse orixá. Podem até conseguir levá-lo ao fundo do abismo, mas depois de algum
tempo ele renasce com mais vigor e volta a enfrentar o mundo de peito aberto.
Sem medo.
Essa é uma característica herdada do pai, Xangô, entidade mais forte do Candomblé brasileiro. São dele a força, o poder e a capacidade de fazer e desfazer todas as coisas. Mas ele não age sem uma boa razão: Xangô tem um senso de justiça muito acentuado.
Exige exclusividade, mas nunca consegue resistir a uma aventurazinha. Segue os passos do pai, marido de muitas esposas, das quais as prediletas são a dengosa Oxum e a guerreira Iansã – esta, a parceira ideal, pois o acompanha a todas as frentes de batalha, luta sempre ao seu lado, ajudando-o a derrotar os inimigos.
São essas as características que os filhos de Xangô exigem dos parceiros.
Ousados e cheios de iniciativa, quando seapaixonam, fazem o impossível para conquistar o ser amado. São diretos,sem rodeios, vão logo ao que interessa.
Atrevidísssimos, não descansam enquanto não conseguem o que querem. E adoram variar as relações amorosas.
Xangô é o próprio Fogo, energia inesgotável, devastadora. Ninguém fica imune ou indiferente à suapassagem. Não há como ignorar a pompa e a altivez desse integrante
da alta aristocracia africana que um dia, encurralado pelas lutas em torno do poder,
acabou se suicidando em plena selva. Preferiu a morte a perder adignidade. Além disso, Xangô nunca suportou disputas pelo poder.
Tem consciência de que só ele possui as qualidades necessárias para exercê-lo com
vigor e justiça. Porque não conhece o significado das palavras obediência, submissão
e medo.
Valente e protetor, ele foi rei de Oió, e fundou uma dinastia de heróis lutadores.
Orixá da Justiça e do Fogo, Xangô é o quarto Alafin de Oió, e viveu em 1450 A.C.,
destacando-se pela sua valentia e liderança. Foi marido de Oxum, Obá e Oiá (Iansã).
Ele é filho de Oranyian, e tem Yamassecomo sua mãe. Castiga mentirosos, infratores e ladrões. Por isso amorte pelo raio é considerada infamante, assim como uma casa atingidapor uma descarga elétrica é tida como marcada pela ira de Xangô.
O xeré é um chocalho feito de cabaça alongada, que quando agitado lembra o barulho da chuva. Ele é um dos símbolos de Xangô.
Garboso, Xangô é conhecido também como o ‘dono das mulheres’, mas mesmo assim
frequentemente seus filhos do sexo masculino terminam a vida solitários. Um dos mais
popularesOrixás do Novo Mundo (não somente no Brasil, mas também nas Antilhas),seu arquétipo pode ser resumido assim: pessoa voluntariosa, altiva, masque não tolera ser contrariada. Geralmente, imbuída de um profundosentido de justiça e sinceridade, sendo bem consciente de sua própriadignidade e valor.
CARACTERÍSTICAS
CorMarrom (branco e vermelho)
Fio de ContasMarrom leitosa
ErvasErvade São João, Erva de Santa Maria, Beti Cheiroso, Nega Mina, Elevante,Cordão de Frade, Jarrinha, Erva de Bicho, Erva Tostão, Caruru, Pararaio, Umbaúba. (Em algumas casas: Xequelê)
SímboloMachado
Pontos da NaturezaPedreira
FloresCravos Vermelhos e brancos
EssênciasCravo (flor)
PedrasMeteorito, pirita, jaspe.
MetalEstanho
Saúdefígado e vesícula
PlanetaJúpiter
Dia da SemanaQuarta-Feira
ElementoFogo
ChacraCardíaco
SaudaçãoKaô Cabecile (Opanixé ô Kaô)
BebidaCerveja Preta
AnimaisTartaruga, Carneiro
ComidasAgebô, Amalá
Numero12
Data Comemorativa30 de Setembro
Sincretismo:São José, Santo Antônio, São Pedro, Moisés, São João Batista, São Gerônimo.
Incompatibilidades:Caranguejo, Doenças
Qualidades:Dadá, Afonjá, Lubé, Agodô, Koso, Jakuta, Aganju, Baru, Oloroke, Airá Intile, Airá Igbonam, Airá Mofe, Afonjá, Agogo, Alafim
ATRIBUIÇÕES
Xangô é o Orixá da Justiça e seu campopreferencial de atuação é a razão, despertando nos seres o senso deequilíbrio e eqüidade, já que só conscientizando e despertando para osreais valores da vida a evolução se processa num fluir contínuo
AS CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE XANGÔ
Para a descrição dos arquétipospsicológico e físico das pessoas que correspondem a Xangô, deve-se terem mente uma palavra básica: Pedra. É da rocha que eles mais seaproximam no mundo natural e todas as suas características sãobalizadas pela habilidade em verem os dois lados de uma questão, comisenção e firmeza granítica que apresentam em todos os sentidos.
Atribui-se ao tipo Xangô um físico forte,mas com certa quantidade de gordura e uma discreta tendência para aobesidade, que se ode manifestar menos ou mais claramente de acordo comos Ajuntós (segundo e terceiro Orixá de uma pessoa). Por outro lado,essa tendência é acompanhada quase que certamente por uma estruturaóssea bem-desenvolvida e firme como uma rocha.
Tenderá a ser um tipo atarracado, com tronco forte e largo, ombros emdesenvolvidos e claramente marcados em oposição à pequena estatura;
A mulher que é filha de Xangô, pode terforte tendência à falta de elegância. Não que não saiba reconhecerroupas bonitas – tem, graças à vaidade intrínseca do tipo, especial fascínio por indumentárias requintadas e caras, sabendo muito bem distinguir o que é melhor em cada caso.
Mas sua melhor qualidadeconsiste em saber escolher as roupas numa vitrina e não em usá-las. Nãose deve estranhar seu jeito meio masculino de andar e de se portar etal fato não deve nunca ser entendido como indicador de preferênciassexuais, mas, numa filha de Xangô é um processo de comportamento a sercuidadosamente estabelecido, já que seu corpo pode aproximar-se maisdos arquétipos culturais masculinos do que femininos; ombros largos,ossatura desenvolvida, porte decidido e passos pesados, sempre lembrando sua consistência de pedra.
Em termos sexuais, Xangô é um tipo completamente mulherengo. Seus filhos, portanto, costumam trazer essamarca, sejam homens, sejam mulheres (que estão entre as mais ardentesdo mundo). Os filhos de Xangô são tidos como grandes conquistadores,são fortemente atraídos pelo sexo oposto e a conquista sexual assumepapel importante em sua vida.
São honestos e sinceros em seusrelacionamentos mais duradouros, porque para eles sexo é algo vital,insubstituível, mas o objeto sexual em si não é merecedor de tantaatenção depois de satisfeito desejo.
Psicologicamente, os filhos de Xangô apresentam uma alta dose de energia e uma enorme auto-estima, uma claraconsciência de que são importantes, dignos de respeito e atenção,principalmente, que sua opinião será decisiva sobre quase todos ostópicos – consciência essa um pouco egocêntrica e nada relacionada comseu real papel social. Os filhos de Xangô são sempre ouvidos; em certasocasiões por gente mais importante que eles e até mesmo quando não sãoconsiderados especialistas num assunto ou de fato capacitados paraemitir opinião.
Porém, o senhor de engenho que habitadentro deles faz com que não aceitem o questionamento de suas atitudespelos outros, especialmente se já tiverem considerado o assunto emdiscussão encerrado por uma determinação sua. Gostam portanto, de dar aúltima palavra em tudo, se bem que saibam ouvir. Quando contrariadosporém, se tornam rapidamente violentos e incontroláveis. Nesse momento,resolvem tudo de maneira demolidora e rápida mas, feita a lei, retornama seu comportamento mais usual.
Em síntese, o arquétipo associado a Xangôestá próximo do déspota esclarecido, aquele que tem o poder, exerce-oinflexivelmente, não admite dúvidas em relação a seu direito dedetê-lo, mas julga a todos segundo um conceito estrito e sólido devalores claros e pouco discutíveis. É variável no humor, mas incapaz deconscientemente cometer uma injustiça, fazer escolha movido porpaixões, interesses ou amizades.
Os filhos de Xangô são extremamenteenérgicos, autoritários, gostam de exercer influência nas pessoas edominar a todos, são líderes por natureza, justos honestos eequilibrados, porém quando contrariados, ficam possuídos de iraviolenta e incontrolável.
TENDÊNCIA PROFISSIONAL
Advogados, religiosos, mecânicos, dentistas, cabeleireiros, médicos, enfermeiros
SÃO AS SEGUINTES AS FALANGES DE XANGÔ:
1. Falange de Iansã – chefiada por Santa Bárbara
2. Falange do Caboclo do Sol e da Lua – chefiada pela mesma entidade
3. Falange do Caboclo dos Ventos – chefiada pela mesma entidade
4. Falange do Caboclo das Cachoeiras – chefiada pela mesma entidade
5. Falange do Caboclo Treme-Terra – chefiada pela mesma entidade
6. Falange do Caboclo da Pedra Branca – chefiada pela mesma entidade
7. Falange dos Pretos Velhos – chefiada por Quenguelê.
SÃO AS SEGUINTES AS LEGIÕES DE XANGÔ:
1. Legião do Caboclo Ventania
2. Legião do Caboclo das Cachoeiras
3. Legião do Caboclo 7 Montanhas
4. Legião do Caboclo Pedra Branca
5. Legião do Caboclo Cobra Coral
6. Povo de Quenguelê
COZINHA RITUALÍSTICA
Caruru
Afervente o camarão seco, descasque-o epasse na máquina de moer. Descasque o amendoim torrado, o alho e acebola e passe também na máquina de moer. Misture todos essesingredientes moídos e refogue-os no dendê, até que comecem a dourar.Junte os quiabos lavados, secos e cortados em rodelinhas bem finas.Misture com uma colher de pau e junte um pouco de água e de dendê emquantidade bastante para cozinhar o quiabo. Se precisar, ponha maiságua e dendê enquanto cozinha. Prove e tempere com sal a gosto. Mexa ocaruru com colher de pau durante todo o tempo que cozinha. Quando oquiabo estiver cozido, junte os camarões frescos cozidos e o peixefrito (este em lascas grandes), dê mais uma fervura e sirva, bem quente.
Ajebô
Corte os quiabos em rodelas bem fininhasem uma Gamela, e vá batendo eles como se estivesse ajuntando eles comas mãos, até que crie uma liga bem Homogênea.
Rabada
Cozinhe a rabada com cebola e dendê. Emuma panela separada faça um refogado de cebola dendê, separe 12 quiabose corte o restante em rodelas bem tirinhas,
junte a rabada cozida.Com o fubá, faça uma polenta e com ela forre uma gamela, coloque orefogado e enfeite com os 12 quiabos enfiando-os no amalá de cabeçapara baixo.
LENDAS DE XANGÔ
A Justiça de Xangô
Certa vez, viu-se Xangô acompanhado deseus exércitos frente a frente com um inimigo que tinha ordens de seussuperiores de não fazer prisioneiros, as ordens era aniquilar oexército de Xangô, e assim foi feito, aqueles que caiam prisioneiroseram barbaramente aniquilados, destroçados, mutilados e seus pedaçosjogados ao pé da montanha onde Xangô estava. Isso provocou a ira deXangô que num movimento rápido, bate com o seu machado na pedraprovocando faíscas que mais pareciam raios. E quanto mais batia mais osraios ganhavam forças e mais inimigos com eles abatia. Tantos foram osraios que todos os inimigos foram vencidos. Pela força do seu machado,mais uma vez Xangô saíra vencedor. Aos prisioneiros, os ministros deXangô pediam os mesmo tratamento dado aos seus guerreiros, mutilação,atrocidades, destruição total. Com isso não concordou com Xangô.
- Não! O meu ódio não pode ultrapassar os limites da justiça, eram guerreiros cumprindo ordens, seus líderes é quem devem pagar!
E levantando novamente seu machado emdireção ao céu, gerou uma série de raios, dirigindo-os todos, contra oslíderes, destruindo-os completamente e em seguida libertou a todos osprisioneiros que fascinados pela maneira de agir de Xangô, passaram asegui-lo e fazer parte de seus exércitos.
A Lenda da Riqueza de Obará
Eram dezesseis irmãos, Okaram, Megioko,Etaogunda, Yorossum, Oxé, Odí, Edjioenile, Ossá, Ofum, Owarin,Edjilaxebora, Ogilaban, Iká, Obetagunda, Alafia e Obará. Entre todosObará era o mais pobre, vivendo em uma casinha de palha no meio dafloresta, com sua vida humilde e simples.
Um dia os irmãos foram fazer a visitaanual ao babalaô para fazer suas consultas, e prontamente o babalaôperguntou: Onde está o irmão mais pobre? Os outros irmão disseram-lheque avia se adoentado e não poderia comparecer, mas na verdade elestinham vergonha do irmão pobre. Como era de costume o babalaôpresenteou a cada irmão com uma lembrança, simples, mas de coração eapós a consulta foram todos a caminho de casa. Enquanto caminhavam,maldiziam o presente dado pelo babalaô, Morangas? Isso é presente quese dê? Abóboras? .
A noite se aproximava e a casa de Obaráestava perto, resolveram então passar a noite lá. Chegando a casa doirmão, todos entraram e foram muito bem recebidos, Obará pediu a esposaque preparasse comida e bebida a todos, e acabaram com tudo o que haviapara comer na casa. O dia raiando os irmãos foram embora sem agradecer,mas antes lhe deixaram as abóboras como presente, pois se negavam acome-las.
Na hora do almoço, a esposa de Obará lhedisse que não havia mais nada o que comer, apenas as abóboras que nãoestavam boas, mas Obará pediu-lhe que as fizesse assim mesmo. Quandoabriram as abóboras, dentro delas haviam várias riquezas em ouro epedras preciosas e Obará prosperou.
Tempos depois, os irmãos de Obará passavampor tempos de miséria, e foram ao Babalaô para tentar resolver asituação, ao chegar lá escutaram a multidão saldando um príncipe em seucavalo branco e muitos servos em sua comitiva entrando na cidade,quando olharam para o príncipe perceberam que era seu irmão Obará eperguntaram ao Babalaô como poderia ser possível e ele respondeu:Lembram-se das abóboras que vos dei, dentro haviam riquezas em pedras eouro mas a vaidade e orgulho não vos deixaram ver e hoje quem era omais pobre tornou-se o mais rico.
Foram então os irmãos ao palácio de Obará para tentar recuperar as abóboras e lá chegando, disseram a Obará que lhes devolvessem as Abóboras e Obará assim o fez, mas antes esvazioutodas e disse: Eis aqui meus irmãos, as abóboras que me deram paracomer, agora são vocês que as comerão. E quando o babalaô em visita aopalácio de Obará lhe disse: Enquanto não revelares o que tens, tusempre terás. E foi assim que se explica o motivo que quem carrega este Odú não pode revelar o que tem pois corre o risco de perder tudo, comoos irmãos de Obará.
ORAÇÕES E PRECES
PRECE PARA XANGÔ
Oh! Senhor dos Trovões. Pai da Justiça eda retidão. Orixá que abençoa os injustiçados e castiga os mentirosos ecaluniadores. Defenda, meu Senhor, minha casa, minha família dosinimigos ocultos, dos ladrões e dos mentirosos.
Oh! Xangô rogo-te as vibrações de amor e misericórdia, Pai da dinastia humana, livra-me de todo escândalo.
KAÔ CABECILE!
ORAÇÃO PARA XANGÔ
Poderoso Orixá de Umbanda,
Pai, companheiro e guia.
Senhor do equilíbrio e da justiça.
Auxiliar da Lei do Carma,
Só tu, tens o direito de acompanhar pela eternidade,
Todas as causas, todas as defesas, acusações e eleições,
Promanadas das ações desordenadas, ou dos atos impuros e benfazejos que praticamos.
Senhor de todos os maciços e cordilheiras,
Símbolo e sede da tua atuação planetária no físico e astral.
Soberano Senhor do Equilíbrio, da equidade,
Velai pela inteireza do nosso caráter.
Ajude-nos com sua prudência.
Defenda-nos das nossas perversões,
Ingratidões, antipatias, falsidades,
Incontenção da palavra e julgamento indevido dos atos
Dos nossos irmãos em humanidade.
Só Tu és o grande Julgador.
Kaô Cabecilê Xangô.
ORAÇÃO A XANGÔ
Bondoso São Jerônimo, o vosso nome Xangô,nos terreiros de Umbanda, desperta as mais puras vibrações.Protegei-nos, Xangô, contra os fluidos grosseiros dos espíritosmalfazejos,
amparai-nos nos momentos de aflição, afastai de nossa pessoa todos os males que forem
provocados pelos trabalhos de magia negra.
Rogamo-vos,também, São Jerônimo, usar de nossa influência caridosa junto às mentesdaqueles que por ambição, ignorância ou maldade, praticam o mal contraos seus irmãos empregando as forças elementais e astrais inferiores.Iluminai a mente desses irmãos, Afastando-os do erro e conduzindo-os àprática do bem.
Assim Seja!
Kaô Cabecilê
PRECE A XANGÔ
Senhor de Oyó. Pai justiceiro e dosincautos. Protetor da fé e da harmonia. Kaô Cabecile do Trovão. KaôCabecile da Justiça. Kaô Cabecile, meu Pai Xangô. Morador no alto dapedreira. Dono de nossos destinos. Livrai-nos de todos os males. Detodos os inimigos visíveis e invisíveis. Hoje e sempre, Kaô meu Pai.
PONTOS CANTADOS PARA OUVIR:
http://umbandacantada.blogspot.com/2007/11/pontos-de-xang.html
LETRAS DE PONTOS CANTADOS:
É Xangô o rei de lá da pedreira
É Oxum, rainha da cachoeira >
Xangô é rei, Xangô é rei Orixá
Escreve lei pros filhos de Oxalá
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Ele vem de Aruanda
Ele vem trabalhar
Ele vence demanda
Ele é seu Pangará
Kaô, kaô, kaô, kaô
A justiça chegou, Xangô
Ele vem de Aruanda
Ele vem trabalhar
Ele vence demanda
Ele é seu Airá
Kaô, kaô, kaô, kaô
A justiça chegou, Xangô
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Escureceu, a noite chegou >
Firma ponto na pedreira, saravá Xangô >
Saravá Xangô, saravá Xangô
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Lá em cima daquela pedreira
Tem um livro que é de Xangô >
Kaô, kaô
Kaô é kabecile é de Xangô >
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Machadinha de cabo de ouro
De ouro, de ouro
Machadinha de cabo de ouro
É machadinha de Xangô
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Meu pai Xangô
Deixa essa pedreira aí >
A Umbanda está lhe chamando
Deixa essa pedreira aí >
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Na beira do Cariri
Eu vi Xangô sentado
Yemanjá e Oxum
E Santa Bárbara de lado
Na beira do Cariri
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Pedra rolou, Pai Xangô, lá na pedreira
Segura o ponto, meu Pai, na cachoeira
Tenho o meu corpo fechado
Xangô é meu protetor
Firma esse ponto, meu filho
Pai de cabeça chegou
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Quem rola pedra na pedreira é Xangô >
Vivô a coroa de Zambi 2>
Vivô a coroa de Zambi é maio
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Subi na pedreira, subi
Uma pedra rolou no corisco de Xangô
Dizem que Xangô mora na pedreira
Mas não é lá sua morada verdadeira >
Xangô mora na cidade de Luz
Aonde está Maria e o Menino Jesus
Dizem que Xangô mora na pedreira
Mas não é lá sua morada verdadeira >
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Xangô chegou na terra
Xangô girou na Umbanda
Com seu grito de guerra
Xangô venceu demanda
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Xangô é corisco
Nasceu na trovoada >
Trabalha na pedreira
Acorda na madrugada >
Longe, tão longe
Aonde o sol raiou >
Saravá Umbanda
Oi, saravá Xangô >
============================================
Xangô mostrai a força que vós tendes >
Xangô é o rei da justiça
E não engana ninguém
Xangô Kaô, Xangô Agodô 3>
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Xangô, Xangô, meu pai Xangô
Xangô mora na pedreira
Quem mandou relampejar
Kaô kabecile obá, Xangô
Saravá Xangô 3>
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Deixei meu filho em cima da pedreira
E de repente ele escorregou
Me ajoelhei e olhei pra baixo
Estava nos braços de meu pai Xangô
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Xangô, meu pai, atende essa romaria >
Dos filhos que vem de longe
E não podem vir outro dia >
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Estava olhando a pedreira uma pedra rolou >
Com a licença de Zambi vou saravá meu Pai Xangô >
Quem foi que disse que eu não sou filho de Xangô >
Se me atiram uma pedra ele faz dessa pedra uma flor >
São tantas flores de justiça e proteção >
Sou filho de Pai Xangô ninguém me joga no chão >
Oh! Quantas flores já plantei no meu jardim >
Cada pedra atirada era mais uma flor para mim >
Pontos de Subida
Xangô já vai
Já vai pra Aruanda >
A bênção meu pai
Proteção pra nossa banda >
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Já volteei lá na pedreira
E Xangô disse que sim
Quem tem Santo de Caboclo
Tá na hora de subir
Fonte: http://blog.povodearuanda.com.br
Texto montado por Alex de Oxossi
Imagens retiradas da internet:
artefolk.files.wordpress.com/2008/03/xango.jpg
http://www.wsgrimas.com/Xango%20e%20esposas.jpg
falangeirosdaaruanda.blogspot.com