Curimba

Curimba é o nome que damos para o grupo responsável pelos toques e cantos sagrados dentro de um terreiro de curimbaUmbanda.

São eles que percutem os atabaques (instrumentos sagrados de percussão), assim como conhecem cantos para as muitas “partes” de todo o ritual umbandista.

Esses pontos cantados, junto dos toques de atabaque, são de suma importância no decorrer da gira e por isso devem ser bem fundamentados, esclarecidos e entendidos por todos nós.

Muitas são as funções que os pontos cantados têm.

Primeiramente uma função ritualística, onde os pontos “marcam” todas as partes do ritual da casa.

Assim temos pontos para a defumação, abertura das giras, bater cabeça, etc.

Temos também a função de ajudar na concentração dos médiuns. Os toques assim como os cantos envolvem a mente do médium, não a deixando desviar – se do propósito do trabalho espiritual.

Esse processo também é muito utilizado nas culturas xamânicas do mundo afora.

Entrando na parte espiritual, os cantos, quando vibrados de coração, atuam diretamente nos chacras superiores, notavelmente o cardíaco, laríngeo e frontal, ativando-os naturalmente e melhorando a sintonia com a espiritualidade superior.
 
As ondas energéticas – sonoras emitidas pela curimba, vão tomando todo o centro de Umbanda e vão dissolvendo formas – pensamento negativas, energias pesadas agregadas nas auras das pessoas, diluindo miasmas, larvas astrais, limpando e criando toda uma atmosfera psíquica com condições ideais para a realização das práticas espirituais.

A curimba transforma-se em um verdadeiro “pólo” irradiador de energia dentro do terreiro, potencializando ainda mais as vibrações dos Orixás.

Os pontos transformam- se em “orações cantadas”, ou melhor, verdadeiras determinações de magia, com um altíssimo poder de realização, pois é um fundamento sagrado e divino.

Poderíamos chamar tudo isso de “magia do som” dentro da Umbanda.

A Curimba também é de suma importância para a manutenção da ordem nos trabalhos espirituais, com os seus pontos de “chamada” das linhas, “subida”, “firmeza”, “saudação”, etc.

Entendam bem, os guias não são chamados pelos atabaques como muitos dizem. Todos já encontram-se no espaço físico – espiritual do terreiro antes mesmo do começo dos trabalhos.

Portanto a curimba não funciona como um “telefone”, mas sim como uma sustentadora da manifestação dos guias.

O que realmente invoca os guias e os Orixás são os nossos pensamentos e sentimentos positivos vibrados em vossas direções.

Muitas vezes ao cantar expressamos esses sentimentos, mas é o amor aos Orixás a verdadeira invocação de Umbanda.
 
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DIVULGAÇÃO -  C O N V I T E:
 
- ANIVERSÁRIO DE QUATRO ANOS DE FUNDAÇÃO DA CHOUPANA DO CABOCLO PERY
- SESSÃO ESPECIAL FESTIVA
(SÁBADO, DIA 02/05/2009)
 
Programação:
 
- 15h e 30min
Prece de abertura
 
- 15h e 45min
A magia do som e os fundamentos dos pontos cantados /
 Os motivos da distribuição de patuás no aniversário do terreiro
Palestra com Norberto Peixoto
 
- 16h e 15min
Perguntas e respostas
 
- 16h e 30min
Intervalo
 
- 17h e 00min
60 minutos de Cantigas de Umbanda
 Sarau musical com Valter d’Xapanã
 
- 18h e 10min
Ritual do fogo com irradiação para os lares
 
- 18h e 30min
SESSÃO ESPECIAL FESTIVA ALUSIVA AOS 4 ANOS DE FUNDAÇÃO DA CHOUPANA DO CABOCLO PERY
(somente passes)
Todos que comparecerem neste dia, após o passe, receberão um patuá de proteção consagrado em nosso congá e escutarão pela primeira vez o som de nossa curimba..
 
- 20h e 30min
Encerramento
 
Obs: o portão de entrada abrirá às 14h e 30min e fechará às 17h e 00min com o início do Sarau Musical, só reabrindo após os início dos passes.
 
 
LOCAL:
Choupana do Caboclo Pery
Rua Barão de Tramandaí, 23.
Porto Alegre – RS
http://www.caboclopery.com.br/choupana_do_caboclo_pery.htm

À procura da batida da umbanda, Viradouro põe atabaque na bateria

Foram selecionados 20 ogãs em terreiros de Niterói e São Gonçalo.
Mestre Ciça diz que para inovação dar certo, todos terão de usar microfone.

Alba Valéria Mendonça Do G1, no Rio

Divulgação / Viradouro

Viradouro terá 20 ogãs desfilando no final da bateria (Foto: Divulgação / Muitamídia)

Mais do que entrar na avenida com o pé direito, a Unidos do Viradouro quer desfilar abençoada pelos orixás. Para isso, o diretor de bateria Mestre Ciça não economizou em energia: resolveu incorporar 20 ogãs – responsáveis pelos toques rituais na umbanda e no candomblé – ao grupo de ritmistas. Eles vão tocar atabaque, o instrumento sagrado dos terreiros, que pela primeira vez vai mostrar sua força numa escola de samba.
Segundo a tradição espírita, os ogãs são os escolhidos pelos orixás para a comunicação com as divindades através do canto e da percussão. E é com a energia que emana das mãos desses 20 homens que Mestre Ciça quer conquistar a nota máxima para a bateria. 

“Num enredo que fala sobre a Bahia, os ogãs na bateria caem como uma luva. Vamos ver que bicho que vai dar, né? A idéia da escola era convidar integrantes de algum grupo afro baiano. Mas nem foi preciso. O toque que eu quero está aqui, nos terreiros de macumba”, comentou o diretor de bateria, frisando que os novos integrantes da bateria não são ritmistas, mas ogãs de centro espíritas de Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana.

Paradinha especial

De início, Ciça não tinha intenção de apresentar qualquer novidade na bateria da Viradouro. Mas, segundo ele, a pressão foi grande e ele acabou sucumbindo. Decidiu incorporar ao som do surdo, da caixa e do repique, a magia do atabaque e acabou criando uma paradinha especial só para eles. O difícil vai ser executar.
“Para dar certo, teremos de colocar microfones nos 20 atabaques para que eles sejam ouvidos na avenida.

O atabaque é um instrumento para ambientes fechados. Ou então, teremos de chamar mais 20 ogãs, porque num determinado momento do samba toda a bateria pára e até os instrumentos de apoio, como o cavaquinho, silenciam. A gente só ouve o canto e os atabaques”, revelou o mestre. “Se não for assim, vamos desistir da idéia”.

Divulgação / Viradouro

Mestre Ciça diz que dedicação dos ogãs contagia toda a bateria (Foto: Divulgação / Muitamídia)

 

Ensaiando há quatro meses, Ciça conta que a escola já preparou uma espécie de tripé para que os novos ritmistas possam desfilar sem comprometer a harmonia da escola.

Afinal, os atabaques são instrumentos compridos, difícil de transportar.

Segundo o mestre de bateria, nos ensaios na quadra o resultado da inovação foi aprovado por todos. Dois ogãs inclusive participaram da gravação do CD das escolas de samba. Ciça diz que o entrosamento deles com os ritmistas e os integrantes da escola é total.
“Eles trouxeram para a escola uma outra vivência, uma experiência que não é de samba. Eles nunca desfilaram, mas já fazem parte da Viradouro. É muito bacana e satisfatório trabalhar com eles. Nos ensaios dá para ver a satisfação, o prazer, a alegria e a seriedade com que eles tocam. O que para nós é trabalho, para eles é uma religião. Eles se dedicam para valer”, comenta entusiasmado Mestre Ciça. 

Três figurinos

Outra inovação que a bateria da Viradouro vai apresentar diz respeito à fantasia. Serão três: as mulheres que tocam chocalho estarão vestidas de Ossanha – divindade que tem o poder de revitalizar o axé (força sagrada) – enquanto os demais ritmistas estarão representando os Filhos de Ghandi (afoxé baiano). Já os ogãs, que desfilarão no final da bateria, estarão vestidos de ogãs.

“A bateria da Viradouro já jogou bola na avenida e subiu em carro alegórico. Agora, vai mandar um axé para o público”, disse Ciça, que acredita que tudo isso leve a escola ao título do carnaval 2009.

 

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL916906-5606,00-A+PROCURA+DA+BATIDA+DA+UMBANDA+VIRADOURO+POE+ATABAQUE+NA+BATERIA.html

Os Mantras

Mantra
Recitação e mantras originaram-se no hinduísmo e são técnicas fundamentais praticadgayatrias até os dias de hoje. Muito do chamado Mantra Yoga, é realizado através de “Japa” (recitação de fórmulas, usando-se ou não o ‘rosário hindu’ = ‘japa mala’). Diz-se que os mantras, através de seus significados, sons e harmonia melódica, auxíliam o sadhaka (o praticante) na obtenção de concentração durante a meditação. Eles também são utilizados como uma expressão de amor à deidade, uma outra faceta do Bhakti Yoga, necessária para a compreensão de Murti.

Frequentemente, também, os mantras são utilizados para se obter coragem em momentos dificeis e auxílio, ou para ‘invocar’ a força espiritual interior. Segundo a tradição, as ultimas palavras de Mahatma Gandhi enquanto morria foram um mantra ao Senhor Rama: “Hey Ram!” – uma invocação a Deus, e acredita-se que assim ele pôde transpor com tranquilidade e definitivamente os “véus de Maya” (mundo físico ilusório) para encontrar seu “Bem Amado Cósmico”; Deus.

Provavelmente o mais representativo de todos os mantras hindus é o famoso “Gayatri Mantra”:

“Aum! bhurbhuvasvah yam bhargo devasya dhimahi dhiyo yo naha pracodayat”
que significa, literalmente:

“Om! Terra, Universo, Galáxias (invocação aos três mundos). “
Que nós alcancemos a excelente glória de Savitr (Deus).
Que ele estimule os nossos pensamentos/meditações.

O mantra Gayatri é considerado o mais universal de todos os mantras hindus, e invoca o universal Brahman como um princípio de conhecimento e iluminação do Sol primordial, mas somente em seu aspecto feminino. Muitos hindus, até os dias de hoje, seguindo uma tradição que permanece viva por pelo menos 5.000 anos, o recitam enquanto realizam abluções matinais às margens de um rio sagrado (especialmente o Ganges). Conhecido como um mantra sagrado, é reverenciado como a forma mais condensada do Conhecimento Divino (Veda). É governado pelo principio, Ma (Mãe) Gayatri, também conhecido como Veda Mata (ou ‘Mãe dos Vedas’) e está intimamente associado à deusa do aprendizado e da iluminação, Saraswati.
O maior objetivo da religião Védica é alcançar “Moksha”, a Liberação, através da constante dedicação a “Satya” (‘Verdade’) e uma eventual realização de “Atman” (‘Alma Universal’). Não importa se atingido através de meditação ou puro Amor, este objetivo universal seria alcançado por todos. Deve ser observado que o hinduísmo é uma fé prática, que deve ser incorporada em cada aspecto da vida. Acredita igualmente no temporal e no infinito, e somente encoraja perspectivas destes principios. Os grandes “rishis” (homens santos) são também denominados como “samsaric” (aquele que vive no Samsara, o plano temporal ou terrestre). Os que conquistam um honesto e amável meio de “vidadharmic” é um “jivanmukta” (‘alma vivente liberta’).

As verdades fundamentais do Hinduísmo são melhores compreendidas nos “Upanishadic Dictum”, “Tat Twam Asi” (‘Thou Art That’), na última aspiração; como segue:

“Aum Asato ma sad gamaya, tamaso ma jyotir gamaya, mrityor ma aamritaam gamaya” = “Om, conduza-me da ignorância para a verdade, das trevas para a luz, da morte para a imortalidade.”

Escrituras Sagradas do Hinduísmo
Muito da morfologia e filosofia lingüística inerente ao aprendizado do sânscrito está associada ao estudo dos Vedas e outros relevantes textos hindus, que apresentam diversos níveis de leitura: físico, material, sutil e supranatural. Engloba também vários níveis de interpretação e compreensão. As escrituras hindus são divididas em duas categorias:

1 – “Shruti” – aquela que se escuta – oral – “Revelação”.
2 – “Smriti” – aquela que se recorda – escrita – “Tradição” ou “Não Revelação”.

Vedas
Constituem os textos mais antigos do hinduísmo e também influenciaram o budismo, o jainismo e o sikhismo. Os Vedas contêm hinos, encantamentos e rituais da Índia antiga. Mesmo tendo origem mais recente (o mais antigo, o Rig Veda, data de 1.300 – 1.000 aC), eles figuram, juntamente com o Livro dos Mortos (já abordado aqui), o Enuma Elish (idem), o I Ching e o Avesta, entre os mais antigos textos religiosos existentes. Além de seu valor espiritual, oferecem uma visão única da vida cotidiana na Índia antiga. Apesar de a maioria dos hindus provavelmente nunca ter lido os Vedas, a reverência por essa noção abstrata de conhecimento (Veda significa conhecimento) está profundamente impregnada no coração daqueles que seguem Veda Dharma.

Existem quatro Vedas:

Rig Veda (‘Sabedoria dos Versos’),

Sama Veda (‘Sabedoria dos Cânticos’),

Yajur Veda(‘Sabedoria dos Sacrifícios’) e

Atharva Veda (‘Sabedoria dos Sacerdotes Atharvan’).

Palavras de Hridayananda Dasa Goswami “Acharyadeva”, líder da “Sociedade Internacional para Consciência de Krishna” (ISKCON):

Os eruditos mundanos nunca conseguiram achar um começo, ou princípio, para os Vedas. Porque o conhecimento védico existe sempre, inclusive em outros planetas. Não é algo que pertença a uma seita, algum país, alguma região ou a algum estágio histórico. Nos mesmos Vedas está dito que o Senhor Supremo os produziu de Sua própria Respiração. Os Vedas são então Conhecimento eterno e perfeito. (…) Os Vedas existem por milhões de anos e foram divididos porque as pessoas, agora, são de menor inteligência. Por isso, é necessário explicar tudo com mais detalhes. No Veda original havia instruções como ‘faça sacrifício para Deus, medite em Deus, conheça a Verdade Absoluta’, mas hoje em dia, essa instrução é insuficiente. Por isso o Veda foi dividido, junto com outras literaturas complementares, quando foram adicionados também muitos detalhes e explicações.”

Talvez um dia este espaço volte ao assunto Vedas. Renderia sem dúvida uma série de postagens bem interessantes.

Upanishads
Os Upanishads são denominados Vedanta porque eles contêm uma exposição da essência espiritual dos Vedas. A palavra “Vedanta” significa “Fim dos Vedas”. Entretanto, é importante observar que Upanishads são textos e Vedanta é filosofia. A palavra Upanishads significa “sentar próximo ou perto” pois as explicações eram passadas aos estudantes enquanto estes assentavam-se próximos aos mestres ou gurus.

Os Upanishads, mais precisamente, organizaram a doutrina védica de auto-realização, Yoga e meditação, karma e reencarnação – assuntos que não eram abordados diretamente no simbolismo da antiga religião de Mistérios. Os mais antigos Upanishads são geralmente associados a um Veda em particular, através da exposição de um “Brahmana” (mestre) ou “Aranyaka” (‘filósofos da floresta’), enquanto os mais recentes não. Formando o coração do Vedanta, eles contêm a excessiva aerodinâmica de adoração aos deuses védicos e capturam a essência do “Rig Vedic Dictum” (‘A Verdade é Uma’). Eles colocam a filosofia hindu como separada mas acolhendo uma única e transcendente Força, imanente e inata na alma de cada ser humano, identificando o micro e macrocosmo como Um. Podemos dizer que enquanto o hinduísmo primitivo é fundamentado nos quatro Vedas, o Hinduísmo Clássico, Yoga, Vedanta, Tantra e correntes do Bhakti foram modelados com base nos Upanishads.

Puranas – Smriti
Os Puranas são considerados “Smriti” – “ensinamentos não escritos”, passados oralmente de uma geração a outra. Eles são distintos dos Srutis ou ensinamentos escritos tradicionais. Existem um total de 18 maiores Puranas, todos escritos em forma de versos. É dito que estes textos foram escritos antes do Ramayana e do Mahabharata.

Acredita-se que o mais antigo Purana provém de 300 aC e os mais recentes de 1.300 – 1.400 dC. Apesar de terem sido compostos em diferente períodos, todos os Puranas parecem ter sido revisados. Isso pode ser notado no fato de que todos eles comentam que o número de Puranas e 18. Os Puranas variam muito: o Skanda Purana é o mais longo com 81.000 versos(!), enquanto o Brahma Purana e o Vamana Purana são os mais curtos com 10.000 versos cada. O número total de versos em todos os 18 Puranas é 400.000! Saiba um pouco mais clicando aqui.

As Leis de Manu
Manu é o legendário primeiro homem, o Adão dos hindus, uma espécie de semideus. As leis de Manu são uma coleção de textos atribuídos a ele. Manu se encarrega de nos trazer as Leis que são instruções de como um ser-humano deve agir (hu + manu = aquele que segue as Leis). Ele é considerado o pai da humanidade. A humanidade anterior degenerou-se, então Brahma ordenou que fossem aniquilados todos os que estavam sobre o mundo, porque somente se interessavam pelas coisas mundanas, como intoxicação, sexo ilicito, e toda maldade. Quando Manu foi banhar-se no rio, ele recebeu as instruções de um peixe, que nada mais era do que o Senhor Supremo disfarçado (‘Matsya-avatara’), dizendo para que Manu construísse um imenso barco e levasse para dentro dele um casal de cada animal, os sete sábios, e que tomasse conta dos Vedas, uma vez que iria fazer cair um dilúvio por sobre todos, e sobrariam apenas Manu e aqueles que ficassem na arca. Choveu durante 40 dias e 40 noites, e o mundo foi inteiramente coberto pelas águas da devastação.

Conhece a história de algum lugar? Os historiadores também! Aí está um fato realmente intrigante, a história bíblica do Dilúvio presente em outras mitologias antigas – também os escritos babilônicos aludem a esse acontecimento, e isso leva uma parte considerável dos especialistas a crer que realmente tenha havido um dilúvio na antiguidade.

Por fim, Manu soltou a todos os animais numa região chamada Tharim, que fica no norte da Índia, numa imensa área montanhosa, e ali restabeleceu a humanidade, através de uma série oblações, conhecidas como Ararati. A região ficou conhecida como “Região das Oferendas e Oblações” (‘Ararati’). E foi das oblações de manteiga a leite surgiu a primeira mulher, que deu a luz aos filhos que constituíram a atual humanidade.

As chamadas “leis de Manu”, são códigos de conduta conhecidos como “Manava-Dharma-Sastra”, “Escritos Sobre a Justiça para a Humanidade”. São versos escritos em sânscrito, na métrica antiga, contendo um compêndio das leis e costumes que eram seguidos e orientados pelo rei e pelos Brahmanas, os sacerdotes. Este código foi escrito tendo em vista dar uma orientação para que a humanidade não se perdesse novamente. O pedido para construir as leis partiu dos “Sete Sábios” e três importantes discípulos – uma vez que as leis haviam se perdido e somente Manu poderia trazê-las de volta. Manu aprendeu as leis da conduta diretamente do Senhor Brahmaa, então se encarregou de ensinar os sábios como Bhrigu, que pessoalmente aprendeu a métrica e do conteúdo das leis de Manu.

As leis de Manu consistem em 2.684 versos, dispostos em 12 capítulos. No primeiro capítulo é relatado a criação do mundo; do segundo ao sexto capítulos destina-se a correta maneira de agir das três castas superiores, bem como se dá o processo de iniciação na religião brahmínica, contendo os principais “Samskaras”, ou “Cerimônias da Fé”. “Varna” (‘castas’), e “Ashrama” (‘posição espiritual’), são descritos e comentados de modo a esclarecer a sua importância para que não haja degeneração social nem espiritual do homem. Ali está definida também a vida de estudante (‘brahmacharya’), o tempo de vida que uma pessoa leva como asceta celibatário sob a orientação do guru ou mestre espiritual e estudando os Vedas e as escrituras sob a orientação de um brahmana. Fala-se ainda das obrigação de um chefe de família (‘grihasta’) – no qual ingressa depois de cerca de 12 anos de estudo. Nessa fase aprende como escolher uma esposa, como deve ser a vida de casado, como deve ser a manutenção da família, a correta distribuição da riqueza, bem como a responsabilidade de manter o fogo-sagrado, realizar os sacrifícios aos semideuses e antepassados, realizar os jejuns, e comemorar as festas santas, exercício da hospitalidade, etc. Também estão incluídas as restrições e regulações que dizem respeito aos alimentos, vestimentas, relações conjugais, cerimônias de limpeza. Depois, há a fase de afastamento da vida familiar, cerca de 24 anos de casado, onde o casal se retira da vida familiar, até que adote a ordem de Sannyasi, ou de sacerdote renunciado e itinerante.

O sétimo capitulo diz respeito a responsabilidade e as obrigações do rei, e da sua condição divina, onde o rei deverá saber distribuir corretamente o elevado ideal da sua condição. O oitavo capítulo trata do procedimento civil e criminal das leis, a maneira de julgar e punir, de acordo com o tipo de assunto ou crime. O nono capítulo trata das leis que incluem o divórcio, herança, os direito de propriedade, e a devida ocupação legal segundo cada casta (as quatro fundamentais). O capítulo onze ocupa-se com os tipos de penalidades para alguém livrar-se das más consequencias do Karma. Por fim, o último capítulo trata da questão da doutrina do Karma, a questão dos renascimentos numa escala ascendente ou descendente, de acordo com o mérito ou demérito da vida presente.

Há a descrição de 14 manus por manvantaras, sendo os seguintes os nomes dos Manus: (1) Yajna, (2) Vibhu, (3) Satyasena, (4) Hari, (5) Vaikuntha, (6) Ajita, (7) Vamana, (8) Sarvabhauma, (9) Rsabha, (10) Visvaksena, (11) Dharmasetu, (12) Sudhama, (13) Yogesvara and (14) Brhadbhanu. Informações mais aprofundadas sobre os Manusaqui.

Mantra e a limpeza da Aura
O
s mantras (ou sons) que descrevo a seguir, servirão para libertar todos os vínculos kármicos do seu corpo e da aura. Este exercício pode ser feito todos os dias, pela manhã ou à noite, antes de deitar-se. Faça-o durante vinte e um dias, procurando, durante esse tempo, incluir pelo menos uma fruta em suas refeições.

Antes de começar o exercício, tome uma ducha ou um rápido banho de chuveiro. Sente-se sobre uma almofada ou um tapete, dobre os pés, que deverão estar encostados em seu bumbum. Feche os olhos. Coloque a ponta da língua no céu da boca, encolha o abdômen, aperte o queixo contra o peito e respire fundo pelo nariz, mantendo-se assim por alguns segundos.

Coloque a mão esquerda sobre o coração, e a mão direita, aberta, em frente ao primeiro chackra (órgão sexual), conservando-a afastada dali alguns centímetros. Conservando essa posição, faça o mantra “OM LAM” por três vezes. Depois faça o mantra (uma vez) “OM VAM” com a mão direita a quatro dedos abaixo do umbigo, “OM RAM” em cima do umbigo, “OM YAM” no meio do peito, “OM HAM” na garganta, “OM” sobre os intercílios e “OM” novamente, com a mão direita sobre a moleira.

Durante todo o exercício, a mão esquerda deve ser conservada sobre o coração. Faça as entoações mântricas, que vibrarão nos sete chackras principais, expandindo sua aura, fazendo com que os resíduos kármicos se dissolvam.

A seqüência será, portanto:

OM LAM
OM VAN
OM RAM
OM YAM
OM HAM
OM
OM

Para sua informação, os tântricos fazem estes mantras cento e oito vezes por dia, o que não significa que você também deva fazê-los com tanta freqüência. Para os ocidentais essa quantidade não é aconselhável. Procure fazer durante 21 dias. Assim, os mantras servirão como um escudo invisível que o protegerá espiritualmente.

Fontes e bibliografia:
http://artedartes.blogspot.com/2007/10/hindusmo-sanatana-dharma-3.html
Sociedade Internacional Gita (Gita Ashrama);
Arquivo Profº J Sarinho;
“Hare Krsnas Spiritual Practice” (site ‘Sampradava Sun Site’);
Site Yoga.Pro.Br.

Pontos Cantados

Uma estudante da UFRJ que está fazendo mestrado nos pediu uma entrevista sobre pontos cantados. Como muitas pessoas tem dúvidas sobre o assunto, peço agô prá colocá-la aqui na lista. Talvez ajude a tirar dúvidas de alguns irmãos.

Ayan Irê Ô!!

William de Ayrá (Obashanan)

1. Existem registros sobre o primeiro ponto de umbanda? Se sim, qual foi ele?

Bem, esta é uma pergunta difícil de responder porque ela abrange vários aspectos e203489 várias formas de se compreender o significado, a função e mesmo a identidade do que é o ponto cantado. Inicialmente, diremos que há somente dois tipos de pontos cantados: os de raiz e os de louvação. Os de raiz são aqueles trazidos por entidades incorporadas, ou intuídos em médiuns que possuem a capacidade de recebê-los, ou ainda, pontos antiqüíssimos, tradicionais, rezas em línguas templárias e hieráticas.

Os pontos de louvação são, em geral, esses pontos que são compostos para realmente se “louvar” os mentores espirituais. Há muitos deles que são lindíssimos, verdadeiras odes à espiritualidade e há aqueles que são somente canções ruins, sem inspiração nem musicalidade, fruto muitas vezes, infelizmente, mais do marketing oriundo desses festivais de curimba do que de inspiração espiritual. O catastrófico é que muitos desses pontos vão parar no terreiro e aí muito da parte importante da tradição acaba se perdendo, pois os pontos de raiz vão sendo substituídos por estes, os pontos antigos vão sendo esquecidos e a prática de se receber mediunicamente as cantigas vai desaparecendo. Hoje são raríssimos os médiuns que possuem essa modalidade mediúnica, talvez a mais rara de todas, chamada de psicofonia.

O ponto de raiz possui símbolos próprios do inconsciente arquetípico em sua letra e em sua mensagem. Sua construção melódica possui uma estrutura quase sempre modal em pelo menos em uma de suas estrofes, e soluções interessantes em escalas pentatônicas, com esquemas de base menor, com uso bastante comum de escalas em Dórico, Mixolídio ou até mesmo em Lócrio, embora todas as escalas existam em criativas construções que realmente comovem e despertam os médiuns para a espiritualidade e ainda, movimentam forças que podem ser consideradas como magísticas.

Mas o segredo deste sistema dos pontos cantados, sua decodificação é uma construção fechada, de acesso a pouquíssimas pessoas. Normalmente, as canções de raiz são recebidas intuitivamente através de uma tradição verbalizada que se repete de geração a geração. Lembrando que muitas vezes a tradição de um terreiro é transmitida e é reconhecida pela maneira como se entoa os cânticos, ou seja, um filho cantará ao “estilo” do pai e este cantou ao “estilo” do avô, etc.

Os pontos cantados são o livro não escrito dos cultos afro-brasileiros e são o único fator que os une efetivamente. Aqui está uma das razões dos alabês serem quase sempre colocados em segundo plano pelos pais de santo, pois a união entre templos e terreiros é conseguida facilmente entre os músicos e este poder é frequentemente cortado pelos donos das casas, para se manterem dentro de seus próprios mundos, evitando contato mais direto com outros sacerdotes. Como o músico é o único capaz de fazer isso verdadeiramente, quase sempre ele é colocado em condições de anonimato nos terreiros.

Quanto ao registro sobre o primeiro ponto, se considerarmos as cantigas das Nações africanas, há em muitos livros antigos do Brasil, de Angola, ingleses e mesmo em antigos livros de historiadores árabes menção a eles. Ortiz, autor cubano, cita vários em suas obras. João de Freitas, em seu livro Umbanda, se não me engano de 1930, já coloca a letra desse ponto de Oxalá: “Oxalá, meu Pai, tem pena de nós tem dó… etc” Leal de Souza cita muitos pontos em suas obras, que são das mais antigas da Umbanda.

Há uma gravação de 1907 de um ponto do “Exu Quirombô”, que é citado por muitos médiuns antigos como o primeiro Exu a se manifestar nos terreiros e do ponto “Ele pisa no toco”, que pode ser ouvida no lançamento da nossa gravadora, Ayom Records “Deixa a Gira Girar”. Há ainda, as gravações das Missões de Mário de Andrade em 1928, onde ele gravou muitos pontos de terreiros de Toré, Catimbó e Candomblés do nordeste. O ponto do Caboclo das 7 Encruzilhadas data de 1908 e há cantigas tradicionais, que são ensinadas para as crianças nas escolas, tidas como “folclóricas” que na verdade são pontos de encantaria, tais como “Peixinho do Mar”, “Marinheiro Só” “A Cobra não tem pé”, etc.

2. Em novembro será comemorado o centenário da umbanda. Houve alguma mudança significativa nos pontos durante todo esse tempo?

Como eu disse, os festivais de curimba, embora eu respeite, contribuíram muito para empobrecer os pontos, pois suas melodias e ritmos se aproximam cada vez mais do modo como se canta samba-enredo, pagode, funk e até mesmo música gospel. A intenção é criar-se um mercado para esse tipo de atividade. Os pontos cantados e os ritmos de terreiro são grandes responsáveis pela criação da maior parte da música popular brasileira – Pixinguinha, João da Bahiana, Villa Lobos, Dorival Caymmi e outros se inspiraram nas canções de terreiro para produzirem suas obras imortais. Claro que sempre há a re-influenciação, o retorno, mas infelizmente a perda de identidade dos pontos é muito clara nos dias de hoje.

3. Qual a principal diferença entre os pontos? O que os diferencia uns dos outros e o que os assemelha?

Como eu disse, há os pontos de raiz e os de louvação. Mas há aspectos mais profundos e basilares, como a métrica, o sentido da invocação da letra que é o enredo e o roteiro do ponto. Há muitos pontos de Umbanda, cantados em português, que na verdade são pontos que na antiguidade eram cantados em Kibumdo, Fon, Yourbá ou Tupi. Darei doisr exemplos: há um ponto que fala: “Meu Xangô da colina, do alto da serra, com sua licença, com sua bandeira, vamos saravá”. Provavelmente quem o escute, mesmo dentro do terreiro, não sabe que no mistério do ponto está implícito o mito Yorubá de Oba Kossô, um dos maiores mistérios do Xangô sacrificado, o símbolo máximo da transcendência através da morte, que é o encontro do iniciado com a verdade. No mito yorubá, Xangô foi enforcado no alto da colina de Kossô, perto de Oyó. É claro que esse mistério está velado na canção.Todo ponto de raiz possui um mistério que só os alabês iniciados com anos de prática conseguem traduzir e compreender.

A letra de um jongo famoso – os Jongos são a ponte entre a música de terreiro e o samba -fala de uma “Botica” (farmácia). Em determinado momento, diz: “desaforo de Camundongo, pegou vara, foi cariá, menino tá na paineira, quero vê quem vai tirá…” Explicitamente, a letra fala de alguém que tem de tomar conta de uma farmácia, e não se sente capaz disso. Fala que um ratinho petulante pegou uma madeira e foi roer e que um menino está no alto de uma paineira. Aparentemente nada faz sentido, mas o texto refere-se, secretamente, em linguagem velada, como uma louvação ao Nkice Kaviungo, o senhor das doenças e da terra, o médico dos povos Angola/Congo, sincretizado com o Omulu Yorubá. O Camundongo é um dos bichos relacionados a este Nkice, pois anda na terra e faz seu ninho com a palha, símbolo essencial de Kaviungu. A linguagem cifrada ainda diz da paineira, árvore dedicada a esta divindade

Com estes exemplos, percebe-se que canta-se, fundamentalmente, mais para o inconsciente coletivo, para a manutenção de uma idéia ancestral do que para as individualidades. Este recurso dos pontos cantados é que permitem que as tradições se preservem e sejam passadas adiante às gerações vindouras, com poucas alterações. Basta ouvir um ponto e buscar nele o fundamento que se quer.

Pontos de tradição Angola se assemelham muito a pontos de Encantaria, de origem indígena, devido ao fato dos Bantu terem sido os primeiros a chegar ao Brasil e a incluír os ancestrais da terra em seu panteão, adotando o modo de se cantar e de se louvar às divindades brasileiras, adaptando muito dos cânticos em Tupi ao Kibundo e mesmo ao português, em sua estrutura rítmico/melódica.

Nesse sentido, ritualisticamente, o branco contribuiu muito fortemente para a estrutura do canto do terreiro tanto com o modo litúrgico de se cantar da Igreja Católica quanto das sinagogas Judaicas e mesmo com os cânticos originários do paganismo Ibérico. O que une fortemente estes vários modos de canto, do negro, do índio e do branco é a estrutura modal, que vai do Canto Gregoriano aos lamentos do Kuarup e às rezas Bantu/Yorubá. Por isso, algo a ser estudado é a acentuação do modo de se cantar os pontos no Brasil. Se compararmos, por exemplo, nossos cânticos com os da África e de Cuba, cantados em Yorubá ou em Kibundo, vamos perceber que a pontuação, a acentuação, é completamente diferente. Isso se deve à influência do espanhol e do português no modo de se entoar os cânticos e evidentemente à diferença da estrutura rítmica, pois um mesmo canto na África pode ser entoado em 6/8, em Cuba em 2/2 e no Brasil em 2/4. Diferenças mínimas como essas são seriíssimas e modificam completamente aquilo que chamamos internamente dentro do aspecto iniciático dos alabês como invocação das egrégoras

4. Há algum dado exato sobre a quantidade de pontos existentes no Brasil?

Não. Este estudo nunca foi feito. Acredito que a primeira estimativa possa ser baseada em nosso acervo, que está próximo, calculo eu, das 20.000 cantigas. Mas há muito mais que isso. Muita coisa se perdeu e muita coisa surge a todo momento, pontos que são compostos e mesmo recebidos em transe por médiuns em todo o país.


5. É verdade que existe uma infinidade de letras diferentes, mas que os ritmos se mantêm quase sempre os mesmos?

Sim, há tantas letras quanto existem pontos, obviamente. Há, as vezes um mesmo ponto que pode ser entoado melodicamente de forma completamente diferente, dependendo da escola a qual pertença. Por exemplo, um terreiro do Rio de Janeiro, de origem Bantu pode cantar um mesmo ponto que se canta numa encantaria do nordeste, com a mesma letra, mas com um outro ritmo e melodia. Quanto aos ritmos, essa é uma questão especial, pois no Brasil há incalculáveis variações rítmicas de 22 bases ancestrais, que se relacionam com mistérios de tradições antiquíssimas. Muitas vezes um ritmo surge apenas por variações interessantes das vocalizações dos tambores – pois os tambores, para quem conhece seus mistérios realmente FALAM -, principalmente nas conversas dos médios e agudos, classicamente chamados de Rum e Rumpi, que procuram “cantar” a melodia do ponto, servindo como ponte para a conexão com o mundo astral através de códigos que se propagam e “atraem” a personalidade astral que se pretende invocar. Uma coisa que está se perdendo cada vez mais são as vozes dos tambores. Hoje ensina-se em escolas de curimba a tocar todos os atabaques de uma mesma maneira – quando na verdade cada atabaque possui um ritmo diferente do outro -, o que é a maior perda visível da identidade da tradição do tambor e a conseqüente descaracterização do que é o sacerdócio musical das tradições afro-brasileiras.


6. Quais são os pontos mais “populares”, mais conhecidos pelas pessoas ou mais tocados nos centros?

Existem muitos pontos “populares”, de raiz, que praticamente todos os terreiros de norte a sul do Brasil conhecem. Um deles é o ponto do Sr. Exu Tranca Ruas, o “Sino da Igrejinha”. É mais conhecido que o Hino da Umbanda, este um exemplo lindíssimo de ponto de louvação. Outro muito conhecido em vários terreiros é o de abertura, “Eu abro nossa gira com Deus e Nossa Senhora”; Das nações, talvez o mais conhecido seja um dedicado a Oxum, mas na verdade é de Ifá,que por extensão, pelo caminho dos Itáns (mitos e histórias arquetípicas dos orixás) se aproxima das vibrações desta Yabá. É aquele “Ê, emoriô, etc….”. Um ponto Bantu muito conhecido é o “Ê Maville Mavangu”. O Brasil inteiro canta. Mas disparado, o ponto mais conhecido de todos é um de Jurema, gravado por muitos cantores populares, aquele… “Marinheiro só”.


7. Qualquer pessoa pode tocar ou cantar os pontos ou é necessário ter uma preparação específica?


Normalmente a preparação se dá pela vivência, mas para se tornar um Alabê, um Onilú, um músico-sacerdote é preciso, sim, uma iniciação de muitos anos, mais de 21. Pois as invocações, as rezas, os toques, as consagrações são procedimentos extremamente sérios e profundos, mexem com o equilíbrio das pessoas. Mexem com a identidade mais secreta da estrutura do próprio terreiro onde são entoados. A iniciação final de um Alabê, para que ele seja um Onilu é coisa tão séria que antigamente tinham de estar reunidos um Babalaô, um Babalossaim e um outro Alabê consagrado. Isso tudo se perdeu completamente, infelizmente.

Caso o terreiro tenha ou não tenha atabaque (uma coisa não anula a outra. O Ayan Poolo, o espírito da música está dentro da alma do sacerdote músico. Ele sabe perfeitamente quando e como se deve usar um tambor ou não) a arte e a ciência de se invocar uma entidade é coisa muito séria. Desculpe a sinceridade, mas não é algo que se alcance em cursos de um mês, não é algo que se alcance em festivais de curimba, muito pelo contrário. Ponto cantado e ritmos sagrados não são celebrações que se assemelhem a ritmos de escola de samba (embora o samba tenha saído do terreiro), ogãs e alabês não são cargos para serem produzidos em série, como numa indústria. Repito, eu respeito quem o faça, mas há que se entender a distância entre tocar num templo e tocar num estádio de futebol, ou num salão de baile. É como se ouvir um cântico num terreiro e um cântico numa gravação. Uma coisa é gravação em disco, outra é o fenômeno vivo de um tambor consagrado soando dentro do ambiente correto, com a vocalização adequada. Pode-se tentar simular isso, em festivais, mas aí o que ocorre é uma outra coisa, não é algo sagrado, são apenas exemplos musicais do que se faz (ou não deveria ser feito) dentro do terreiro, as pessoas que se dizem ogãs e alabês tem de entender essa diferença.

Os alabês, ogãs, xicarangomas, olubatás, atabaqueiros, etc são as únicas figuras dos terreiros do Brasil que conseguem unir todos os templos sob uma única bandeira, pois a música é a trilha sonora para todos os acordos e para todas as tréguas. Se você colocar um pai de santo do Batuque do sul com um mestre de Jurema do norte num mesmo rito, provavelmente eles não vão se entender. Mas se você colocar um Tamboreiro tocando com um tocador de Ilu, eles vão se entender rapidinho, vão cantar e tocar juntos, vão se comunicar e vão se unir facilmente. É por aí que a “Banda” gira.


Ah, mais uma coisa… você pode me dar seu nome e o do centro que você frequenta?

Meu nome é William de Ayrá. Ayrá é meu orixá, o Xangô branco, o Senhor de Savé. Minha dijina, meu nome iniciático é Obashanan. Sou Otun Alabê da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, consagrado, com muita honra, por meu mestre Yamunisiddha Arapiaga. Sou dirigente do Templo da Estrela Verde – a casa de Xangô – em São José do Rio Preto – SP. Obrigado

 

Fonte: Texto recebido do grupo Apometria, do próprio autor, Obashanan – William de Ayrá.

Caboclo Tupinambá

Tupinambá, Tupinambátupinambas
Tupinambá,
Que vieste de tão longe
Tupinambá, Tupinambá
Que de Aruanda
Trouxeste vossa falange
P’ra defender vossos filhos
Das demandas
Ameaçados com as maldades da Quimbanda
Tupinambá, Tupinambá
Tupinambá
Que vieste de tão longe
Tupinambá, Tupinambá
Que de Aruanda
Trouxeste vossa falange
Oh! Mensageiro
Enviado de Jesus
Trazei coragem, harmonia
E muita luz..
Tava na beira do rio
Sem poder atravessar
eu chamei pelos caboclos
Caboclo Tupinambá
eu chamei pelos caboclos
Caboclo Tupinambá
Tupinambá chamei
Chamei tornei chamar eaahhh
Tupinambá chamei
Chamei tornei chamar eaahhh

A.D.

Recebido do grupo Boiadeiro Rei – www.boiadeirorei.com

A utilização de Tambores em Rituais Religiosos

TamboresImage45

Tambores são tão ancestrais quanto o próprio homem. Os primeiros foram criados e manuseados ainda na Pré – História, com o objetivo de cultuar Deuses e como forma de agradecer a comida conseguida por meio da caça aos animais.

Milênios se passaram e centenas de representações religiosas ou espirituais foram criadas de acordo com a cultura e a cosmovisão de cada povo, de cada etnia, principalmente de acordo com os padrões sócio – econômicos de cada época. Imagens, cerimônias, mitologia, liturgias, símbolos, tambores, chocalhos e atabaques, são expressões da arte na religiosidade e na espiritualidade.

O homem pré – histórico acreditava que a pele de sua caça esticada em troncos de arvores reproduzia o choro do animal morto. E foi com esse sentimento de gratidão que passou a consagrar a morte de sua caça. Pode – se dizer que esse foi um dos princípios da manifestação religiosa do homem e a origem dos tambores. O toque do tambor revela a arte de conectar – se com a Mãe Terra e com nosso eu interior, sintonizando nosso coração ao coração dela, e de viajar ao mundo do invisível, constatando nossa ancestralidade e todos os reinos da Natureza.

Os tambores são utilizados desde as mais remotas eras da humanidade. Acredita – se que os primeiros tambores fossem troncos ocos de arvores tocados com as mãos ou galhos. Posteriormente, quando o homem aprendeu a caçar e as peles de animais passaram a ser utilizadas na fabricação de roupas e outros objetos, percebeu – se que ao esticar uma pele sobre o tronco, o som produzido era mais poderoso. Pela simplicidade de construção e execução, tipos diferentes de tambores existem em praticamente todas as civilizações conhecidas. A variedade de formatos, tamanhos e elementos decorativos dependem dos materiais encontrados em cada região e dizem muito sobre a cultura que os produziu. São típicos nos cultos afro – brasileiros; na dança, nos pontos cantados, no transe.

Em sua fase mais primitiva, a manifestação religiosa do homem tinha como base principal o contato com as divindades – o transe.

A musica e a dança sempre foram os principais feradores dessa comunicação com os Deuses. Alguns historiadores e antropólogos do século vinte destacaram a idéia de que a maneira utilizada para se chegar aos conhecimentos místicos em religiões primitivas, esteve sempre associada ao êxtase ( o transe ) provocado pelo toque do tambor. Esse instrumento seria então o responsável pela comunicação entre o homem e as divindades – seres responsáveis pelo comando da Natureza em nosso planeta.

Mesmo nas religiões mais antigas, o toque dos tambores também foi utilizado não somente para o culto às divindades, mas também como forma de manter contato com os espíritos dos mortos.

Tão comum nas religiões primitivas, segundo a Bíblia, essa pratica foi “proibida por Deus” aos filhos de Israel. Isso acabou por gerar, ao passar do séculos, que a crença dos mais antigos – o fato do tambor constituir – se em instrumento sagrado, e que seu toque fosse utilizado como forma de contato entre os homens e o mundo invisível, pertencente às divindades e aos espíritos dos ancestrais, fosse uma simples superstição.

Por que o tambor foi excluído em narrativas da Bíblia com relação às cerimônias religiosas.

Foi proibido ao povo de Israel tudo aquilo que era praticado anteriormente à revelação das leis, como o uso de bebida forte, o adultério, a utilização de escravos, entre outras praticas. O tambor e as danças eram utilizados em cerimônias festivas. Mas, segundo relatos da Bíblia, quando Davi decidiu erguer um templo para Deus. Este determinou quais instrumentos poderiam ser utilizados: címbalo ( dois meios globos de metal, percutidos um contra o outro ), alaúde ( antigo instrumento de cordas de origem oriental ) e harpa. Apesar disso, Deus não proibiu a utilização do tambor em outras cerimônias e celebrações.

Há uma outra explicação de religiosos que, de certa forma não aceitam e até discriminam a utilização de tambores em cultos religiosos, a de que o som da percussão teria a capacidade de tirar do homem a consciência e o juízo, portanto, esse instrumento deveria estar fora do culto, que necessita da “lucidez da mente” para o conhecimento de Deus e de sua vontade revelada.

Os Tambores na África

Nas sociedades africanas, a tradição oral é o método pelo qual histórias e crenças religiosas são passadas de geração em geração, transmitindo elementos de uma cultura. Uma parte integrante da tradição oral africana é, sem duvida, a dança e o canto, e o mais importante instrumento musical africano é o tambor, em diferentes tamanhos e formas e para diferentes fins.

O tambor é utilizado para enviar e receber mensagens espirituais, e é essencial na preservação da tradição oral. Na religião africana de culto aos Orixás e Ancestrais, é considerado sagrado, e seu tocador é classificado como um comunicador oral. Aquele que toca o tambor é um orador e um comunicador de mensagens sagradas.

No ritual religioso, os tambores são o inicio de tudo, sempre representaram papel muito importante na cultura africana. Existe um antigo provérbio que diz: ” Quando os tambores são tocados, eles não mentem “.

O ‘ Djembe ‘ é possivelmente o mais influente e a base de todos os outros tambores africanos, e remota há pelo menos 500 anos d.C. é um tambor sagrado utilizado em cerimônias de cura, rituais de passagem, culto aos ancestrais e ainda em danças e socialmente.

Os Tambores Batá

A origem dos tambores Bata remonta há mais de 500 anos, e sua história sobreviveu juntamente com o povo Yorubá, que chegou à América como escravo, mostrando a profundidade dessa religião e cultura, das quais é parte importante. O tambor Bata faz parte da prática religiosa chamada de “Santeria”, desenvolvida em Cuba e nos EUA, com influencia principal da religião tradicional Yorubá, mas também de outros grupos étnicos, como os de língua Bantu, da região do Congo.

Os tambores Bata podem falar, e não no sentido metafórico, podem realmente ser usados para recitar preces religiosas, poesias, saudações e louvores. Em Cuba, são utilizados em todas as cerimônias relacionadas ao Orixás, e recebem o nome de ‘ Bata de Fundamento’. Sua fabricação e consagração requerem toda uma força espiritual, que é inserida dentro de seu cilindro de madeira. Ao ser consagrado, recebe o nome de ‘ Ayàn ‘.

Tambores em rituais Indígenas Brasileiros

Um dos mais importantes instrumentos sonoros das culturas indígenas do Brasil, por se relacionar com o lado pratico, musical e religioso, é o tambor. Existem os tambores de madeira, tambores de tábua, tambores de tronco escavado, feitos e moldados a fogo.

Alguns tipos de tambores indígenas:

a.. Tambor Catuquinaru: Instrumento de sinalização.
b.. Tambor de Fenda: Feito de uma tora de madeira e escavado por meio de pedras incandescentes.
c.. Tambor de Carapaça: Feito de Carapaça de tartaruga.
d.. Tambor de Cerâmica: Consiste num vaso de barro, tendo abertura fechada com couro. É um velho elemento de civilização, talvez representando um dos mais antigos tambores do mundo.
e.. Tambor de Pele: Confeccionado com um cilindro de madeira, geralmente fechado de um lado só. A fixação da pela é feita com cipós, por meio de compressão.

Há muitos templos de Umbanda que * Os tambores feitos de tora de madeira tanto existem nas tribos brasileiras, quanto entre populações da África e Oceania. Também os tambores de cerâmica podem ser encontrados na África.

A Orquestra do Candomblé candombe13a

A orquestra do Candomblé é constituída por atabaques, agogôs, cabaças e chocalhos. Os atabaques são três, em tamanhos diferentes: Rum (maior), Rumpi (médio) e Lê (menor). Existe também o Agbé ou piano de cuia, o Adjá e o Xeré, este último só é usado em festas para Xangô. Os tocadores tem um chefe denominado de Alabê. Os atabaques são considerados essenciais para invocação dos Deuses.

Utilização dos Atabaques na Umbanda

Não se utilizam de atabaques em seus cultos. Se voltarmos ao inicio, quando a Umbanda foi anunciada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, não havia a utilização de tambores, apenas cânticos. O ritmo era mantido com o bater compassado dos pés no chão. Atualmente, a explicação para muitos temploes manterem essa formação sem tambores nos rituais de Umbanda é a de que os atabaques e o seu som percutido levam o médium a um processo de transe anímico, ou seja, estimulam o atavismo, a lembrança ancestral, o afloramento do subconsciente do médium, o que pode dificultar a atuação das Entidades Espirituais. Até mesmo as palmas, em muitos locais são dispensadas.

Os atabaques utilizados nos templos de Umbanda servem como ponto de ligação e louvação aos Orixás e Guias de Umbanda. Dão ritmo aos cânticos e criam fortes vibrações para a chamada e descida das Entidades que estarão ali trabalhando. Da mesma forma, são utilizados no acompanhamento rítmico das cantigas de ” subida “, ao termino das sessões.

Há todo um preparo e consagração desses tambores para que sejam utilizados no rituais umbandistas, igualmente aos Ogans e Alabês, responsáveis pelos toques. O uso dos atabaques surgiu na Umbanda, acredita – se, por influencia dos cultos de origem africana, em especial o de origem Bantu ( Angola ), em que os tambores são percutidos com as mãos, diferentemente dos Candomblés de Nação Keto, que utilizam varetas, chamadas de ” Akidavis “.

Após a anunciação da Umbanda, a fundação da Tenda Nossa Senhora da Piedade e todas as outras determinadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, houve um período em que alguns lideres religiosos e intelectuais foram a África no intuito de pesquisar as origens da ancestralidade africana da Umbanda, em contraponto à chamada Umbanda Esotérica, que identificava as origens da Umbanda em antigas culturas orientais. Trouxeram para a Umbanda praticas utilizadas apenas em cultos de origem africana, como o toque dos atabaques.

A Formação da Corimba de Umbanda tambor702

A chamada ” Corimba ” é formada pelos Ogans, responsáveis pelos toques que chamarão e receberão as Entidades em Terra, que irão trabalhar na Gira de Umbanda, e pelos cantores, que puxam os pontos cantados – cânticos de descida e subida. É o conjunto musical da Umbanda, responsável pelo inicio e término dos trabalhos.

É pelo toque dos atabaques que se faz a conexão com o Mundo Espiritual, permitindo assim que os Guias realizem seus trabalhos nos templos de Umbanda, por meio dos médiuns ali presentes.

O Poder dos Tambores Indígenas m3

Na cultura dos índios americanos, os tambores são objetos sagrados, usados pelo Xamã ( líder espiritual ) na cerimônias de cura. Também servem para proteger o ambiente.

De acordo com os princípios do Xamanismo, cada pessoa tem um bicho de poder que o acompanha por toda a vida. Para descobrir qual é o animal de cada um, é feita uma jornada xamânica em que a pessoa relaxa ao som do tambor e visualiza a imagem do bicho. Feita a descoberta, o animal é então pintado no tambor.

Os nativos norte – americanos associam o toque do tambor às batidas do coração da Mãe – Terra e também ao som do útero. O tambor dá acesso à força vital através de seu ritmo. É a canoa que leva ao mundo espiritual, o instrumento que faz a comunicação entre o Céu e a Terra. É usado para ativar e curar o nosso espírito, alinhando – se com a vibração do nosso coração e com a Mãe Terra. Cada tambor tem seu próprio som, sem igual. Usado em cerimônias, danças, canções e para celebrar.

Os Tambores Xamânicos tamborXama

Os tambores xamânicos existem há pelo menos 40 mil anos em todas as cultuar tradicionais do planeta. Está associado à direção Sul, ao arquétipo do Curador, ao elemento Terra, às criaturas de Quatro Patas e com a qualidade da Cura. É utilizado para produzir diversos tipos de ritmos com finalidades diferenciadas, desde a musica para a celebração e a dança até o toque constante, que leva ao transe profundo ou ao frenesi coletivo.

Muitos Xamãs usam seu tambor para realizar diversos tipos de cura, como o resgate de uma alma perdida ou sair viajando por outras dimensões do ser em busca de visões e conhecimento. Durante as experiências são comuns as visões de Animais de Poder, Aliados Espirituais, ou outras visões de poder ou de cura.

O som do tambor facilita a conexão de qualquer pessoa com o seu mundo interior e com todos os ritmos de seu corpo, produzindo um estado de relaxamento, de equilíbrio e ampliação de consciência, proporcionando assim uma conexão e harmonização com os ritmos planetários e cósmicos.

Para os que praticam os Rituais Xamânicos – religião oriunda de povos asiáticos e árticos, pratica filosófica e de cura encontrada no mundo todo – , as batidas do tambor são como as batidas do coração da Mãe Terra.

O tambor representa a própria cultura xamânica, unificando – a e aproximando as comunidades. Costuma ser utilizado em diferentes ocasiões, como casamentos e funerais, e em todas as reuniões dos povos nativos, criando uma aura energética que possibilita a conexão com o Mundo Espiritual. Também são utilizados por curandeiros, em rituais de cura.

Fonte: Revista Espiritual de Umbanda

Centenário da Umbanda

Comemorações do Centenário da Umbanda por Átila Nunes, acontecida na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, acontecida no dia 08/08/2008.

A solenidade em homenagem aos 100 anos de Umbanda no Brasil e aos 100 anos do saudoso Átila Nunes, um dos precursores da Umbanda no Brasil.

 

 

Fonte: Site de Átila Nunes

Cigana da Estrada

“ Vinha caminhando a pé para ver se encontrava uma cigana de fé…
Ela parou e leu minha mão…
me disse toda a verdade…
eu só queria saber a onde mora…
a pomba-gira cigana!”

da estradaEntidade queridíssima e respeitada dentro dos terreiros de Umbanda, quando chega ao  mundo vem sempre sorrindo e dando gargalhadas, mostrando que sua vinda no astral é tão alegre quanto o seu tempo aqui na terra.

Pomba-Gira da Estrada gosta de trabalhar para o amor e para trazer o pão (dinheiro) a quem a sua ajuda precisa.

Tudo ela faz com satisfação e alegria, mais como toda a cigana, gosta de bons agrados: pulseiras, anéis, perfumes e lenços coloridos.

Gosta de receber suas oferendas e pedidos nas Campinas das estradas, podendo ser nas segundas ou sextas-feiras de lua cheia para trabalhos de amor e na lua crescente para trabalhos de dinheiro.

Peça com fé e respeito que pomba-gira da Estrada vem alegre para lhe ajudar!

Sarava Cigana da Estrada!

A.D.

CIGANA SARITA

“Olha que linda cigana que vem lá!
Ela vem pra dançar… ela vem pra dançar!!!
É a cigana Sarita, bonita e menina que vem nos saudar…
sua saia é de ouro e cabelos do luar…
seu perfume tonteia a quem ela quer desposar…”

Cigana Sarita do Povo do Oriente é uma das mais belas ciganas do mundo astral. Pomba-Gira Cigana Sarita é a dançarina do povo cigano, sua dança inebria e quando esta no mundo bem incorporada demonstra toda a sua graça e beleza.

Esta entidade é dedicada ao amor e a dança, para ela um homem se conquista com a sarita dança e seu trabalhos para amor e aliança são sempre muito bem preparados e certeiros.

Adora sentar depois da sua dança e tirar seu baralho e estender sobre a sua saia, é sempre muito simpática e graciosa com as pessoas que vem saúda-la ou lhe pedem ajuda.

Adora receber flores para colocar no cabelo e bijuterias cor de ouro, se apresenta com um vestido bordô com rendas douradas e sempre bem arrumada e perfumada.  Recebe seus pedidos e oferendas em cruzeiros de jardim e encruzilhadas de praça. Não esqueça do seu vinho, sua taça e seus arranjos de flores vermelhas. E se o pedido for para amor, não deixe de comprar um bom perfume; se for para saúde não esqueça seu chalé de seda. Esta entidade belíssima virá ajuda-la sempre quando precisar.

A.D.

Recebido por email.

Outro Texto retirado da internet
http://felipearguello.blogspot.com/2007/10/cigana-sarita.html

CIGANA SARITA


“Preconceito esse tão grande e revestido de tamanha ignorância que certamente muitas vezes seria tratada como verdadeiro “demônio” sendo expulsa como tal. Mesmo assim, sabia que teria que atuar dentro da lei e ignorando tudo isso, trabalhar com muito amor, auxiliando os encarnados a se curarem das mazelas, pois só assim curaria as suas que estavam impressas em seu átomo primordial, carecendo de urgente reparo.”

Sarita acordava sentindo o cheiro das flores que trazido pelo vento que balançava a alva cortina da janela. O sol estava radiante lá fora e embora ela já estivesse sentindo-se bem melhor, ainda não tinha coragem de sair da cama. O quarto aconchegante na sua simplicidade, era convidativo ao descanso.

Absorta em seus pensamentos, nem percebeu a presença do enfermeiro que entrara com o seu desjejum e que parado a observava. Olhava os pássaros que pulavam de galho em galho num festival de alegria, como a saudar a vida, quando foi desperta pelo ” bom dia” de Raul.

Oh…desculpa eu estava distraída.

Encontrá-la acordada é muito bom. Vamos ao desjejum pois hoje nós vamos levantar desta cama e ensaiar os primeiros passos no seu novo mundo.

Não me sinto capaz de caminhar ainda. Na verdade não sinto minhas pernas.

Sarita, já conversamos sobre isso. É apenas impressão trazida no seu corpo mental. Você só precisa tomar uma decisão firme que quer caminhar e assim se processará. Essas pernas que te acompanharam além túmulo são saudáveis. Foram longos anos de dor e sofrimento, mas agora tudo acabou, é preciso que se conscientize disso e reaja.

Com a paciência e disciplina de um instrutor, Raul conseguiu com que Sarita desse seus primeiros e cambaleantes passos. E em poucos dias entusiasmada com a beleza do local, esqueceu da suposta limitação e já caminhava feliz por aquele maravilhoso jardim, que mais parecia um bosque.

Passara-se alguns anos do calendário terreno desde essa época e Sarita lembra-se ainda emocionada de sua história triste com final feliz. Não havia como não recordar, especialmente agora que estava em treinamento naquela colônia espiritual para assumir um trabalho junto aos encarnados. Apreensiva lembrava da manhã em que foi convidada a freqüentar os bancos escolares, por seu ” mestre-anfitrião” . Como estivesse já ambientada com o local e sabedora de como eram distribuídas as funções de acordo com a afinidade e principalmente necessidade de cada espírito, sabia perfeitamente que não seria chamada ao trabalho de “anjo-de-guarda” , mas tendo a certeza de que suas funções se dariam no plano terreno, isso a atemorizava um pouco, pela experiência da última encarnação.

No curso, os ensinamentos todos recebidos eram perfeitamente adaptados ao aluno de acordo com as experiências trazidas e no final deste, Sarita não tinha mais dúvidas. Trabalharia

nas fileiras da nova religião que se instalava no país onde vivera sua última encarnação, a Umbanda. Pelo seu conhecimento magístico mal aproveitado, teria que direcioná-lo agora para se fazer cumprir a lei. Em breve seria apresentada ao médium com quem trabalharia como Pomba Gira, mas de antemão já sabia que embora ele fosse umbandista, tinha preconceito com essas entidades. O desafio recomeçava.

Olhando a lua que bailava por entre as estrelas, Sarita deitada sobre a relva meditava,fazendo uma retrospectiva de sua última encarnação. Lembra-se de sua infância feliz vivida junto de muitas outras crianças, naquela vida nômade que levava sua trupe. A adolescência onde seus “dotes” ou poderes mágicos se acentuaram e quando começou a ser a cigana mais requisitada para ler as mãos das pessoas. Sua tenda, onde quer que estivessem, sempre tinha freguês certo e era dela que vinha a maior renda para a sobrevivência do grupo todo.

Após febre muito forte sofrida em função de uma infecção adquirida, Sarita sentiu que seus “poderes” de adivinhação haviam sumido, mas de maneira alguma deixou aparentar isso ao grupo ou a quem fosse e daí em diante passou a fingir e cobrar mais caro por isso. E o dinheiro fácil passou a entusiasmá-la e como sempre fora muito vaidosa, agora podia se cobrir com as jóias mais caras e deslumbrantes e vestir-se com as sedas mais finas.

Tornou-se a cigana mais respeitada e logo assumiu o comando do grupo. A ternura angelical daquela jovem agora desaparecia, dando lugar a um radicalismo quase maldoso quando agia em defesa dos seus. Seu povo era muito perseguido e discriminado naquelas terras e isso fazia com que Sarita procurasse ganhar muito dinheiro e para tal não media conseqüências, para com isso adquirir poder se impor diante das perseguições.

Numa emboscada que se fez passar por um acidente, Sarita desencarnou deixando seu povo sem líder e desesperado. A dependência de seu povo era tamanha que não sabiam mais pensar sozinhos e a morte daquela cigana a quem consideravam quase uma deusa os pegou desprevenidos. E nesse desespero buscavam a ajuda do espírito de Sarita, pois acreditavam que agora virara santa e que certamente, mesmo do outro lado, ela não desampararia seu povo. Em função disso criaram cultos e os peditórios foram aos poucos, se espalhado além do povo cigano e o túmulo de Sarita virou santuário, com filas enormes de pessoas que se aglomeravam em busca dos milagres.

Ignorando a realidade do lado espiritual, não sabiam o mal que estavam fazendo aquele espírito que desesperado se via fora do corpo carnal, mas grudado nele, sentindo sua deterioração.

Em desespero total e agarrada as suas jóias com as quais foi sepultada, Sarita pedia socorro. Os amparadores espirituais lá estavam querendo ajudá-la, mas ela sequer os enxergava dentro do seu desespero e revolta pelo acontecido.

Ouvia toda a movimentação que se fazia fora de seu túmulo e por mais que gritasse, ninguém a ouvia. Se existia inferno, o seu era esse. Tudo aquilo durou longos e tenebrosos anos, até o dia em que seu túmulo foi assaltado durante a noite e os ladrões levaram suas preciosas jóias. Em desespero, assistindo a tudo, nada podia fazer, restando-lhe apenas um monte de ossos.

Só então se deu conta de sua verdadeira situação e lembrou do que sua mãe a ensinara quando pequena sobre a vida após a morte. A lembrança de sua mãe a fez chorar, implorando que ela viesse tira-la daquele sofrimento. Depois disso desacordou e só depois de muito tempo hospitalizada no mundo espiritual é que acordou, sabendo do isolamento que se fizera necessário em função das emanações vindas da terra, por causa de sua falsa “santificação”

Seu povo agora usava a imagem da idolatrada Sarita em medalhas que eram vendidas como milagreiras, além de manter seu túmulo como verdadeiro comércio visitado por caravanas vindas de lugares distantes. Lembrava do dia em que, já curada e equilibrada pode visitar aquele lugar junto com seus amparadores, para seu próprio aprendizado, bem como das palavras sábias de seu instrutor:

Filha, o mundo ainda teima em manter os mercadores do templo.
Criam-se os milagreiros que após o desencarne passam a ser santificados de maneira egoísta e mesquinha, preenchendo o vazio que a falta de uma fé racional se faz no coração dos homens. Mentiras mantidas por pastores que visando o brilho do ouro, traçam caminhos duvidosos e perigosos para suas ovelhas, dando com isso, imenso trabalho à espiritualidade deste lado da vida. Criam uma farsa que é mantida pelo desespero de pessoas ignorantes e sofredoras, obrigando-nos a formar verdadeiros exércitos de trabalhadores com disponibilidade de atendimento a essas criaturas. Mesmo assim, por mais errado que seja esse tipo de atitude, a Luz o aproveita para auxiliar os necessitados mantendo ali um pronto socorro. E fora o sofrimento do espírito “santificado” que se vê vivo e impotente do outro lado, aliado a distorção comercial, esses lugares servem para que muitos espíritos encontrem ali o portal de retorno.

Sarita tentando manter o equilíbrio e as emoções, via o intenso movimento de espíritos trabalhadores, socorrendo os desencarnados que vinham em bando junto aos romeiros e observava pela primeira vez como aconteciam os chamados milagres.

Uma senhora chorosa, ajoelhada ao pés do túmulo implorava pelo espírito de Sarita a cura de sua filhinha que estava ficando cega devido a uma doença rara que exigia cirurgia caríssima, longe de suas possibilidades financeiras.

A fé dessa mulher e o a amor por sua filha eram tão intensos que de seu cardíaco e de seu coronário exalavam chispas luminosas que se perdiam no ar. Ao seu lado, dois espíritos confabulavam analisando uma ficha com anotações e logo em seguida um deles, colocando a mão sobre a cabeça da mulher transmitiu-lhe vibrações coloridas que a acalmaram, intuindo-a a ter a certeza de que seu pedido seria atendido. Deixando algumas flores sobre o túmulo ela se retirou.

Curiosa, foi ter com os dois jovens, querendo saber o que realmente acontecia nesses casos.

Minha irmã, analisamos cada caso e dentro do merecimento de cada espírito e de acordo com a fé e sinceridade de propósitos, sempre respeitando a lei e o livre-arbítrio das criaturas envolvidas, procuramos auxiliar. Essa senhora será procurada por um grupo de estagiários de medicina que mesmo como cobaia de seus estudos, levarão sua filha a cirurgia de que necessita, retornando a ela a visão.

Ah, e certamente isso será atribuído a mim como mais um milagre.

A você? – indagou contrariado um dos jovens.

Sim…ah, me desculpem, não me apresentei. Sou a própria, a cigana Sarita.

Nossa, que surpresa!!! Muito prazer! Não é todo dia que se conhece uma “santa”, brincou o outro.

Com um sorriso amarelo, Sarita tentou em vão desconversar, pois agora a curiosidade deles era maior do que a dela em saber detalhes de como tudo isso havia ocorrido. E longe dali, em lugar mais propício, junto a natureza eles trocaram válidas experiências.

Mas agora tudo isso eram lembranças. Aquele espírito em cuja última encarnação terrena viera como uma cigana que se chamava Sarita, agora no mundo espiritual se comprometia e assumir um trabalho difícil no qual sentiria de perto, novamente o preconceito dos seres humanos.

Preconceito esse tão grande e revestido de tamanha ignorância que certamente muitas vezes seria tratada como verdadeiro “demônio” sendo expulsa como tal. Mesmo assim, sabia que teria que atuar dentro da lei e ignorando tudo isso, trabalhar com muito amor, auxiliando os encarnados a se curarem das mazelas, pois só assim curaria as suas que estavam impressas em seu átomo primordial, carecendo de urgente reparo.

Enquanto seu médium girava no terreiro ecoando uma gargalhada que avisava a chegada de pomba gira cigana, romeiros continuavam buscando no túmulo da Santa Cigana Sarita, o milagre que ignoravam residir apenas dentro deles mesmos.

História contada por Vovó Benta

Fonte: Techo do Livro Causos de Umbanda II – no prelo – Editora do Conhecimento – Autor: Leny W. Saviscki, Coautor: Vovó Benta

Viradouro prepara atabaques na bateria

Isaac Ismar | Carnavalesco |

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Os atabaques vão rufar na Sapucaí. Mestre Ciça está preparando mais uma surpresa e de desta vez o som da Bahia promete arrepiar. Já são três meses de ensaio com os atabaques, 20 no total. Os instrumentos dividirão espaço na bateria da Viradouro com surdos, repiques, caixas, tamborins e chocalhos, mas o seu rufar característico só poderá ser percebido no refrão do samba-enredo “Vira-Bahia, pura energia!”.
Como os compositores tiveram a obrigação de citar os santos e a Bahia nos sambas, ele aproveitou a oportunidade para criar “desenhos” rítmicos.
De acordo com Ciça, a quantidade de atabaques pode crescer até fevereiro. Tudo vai depender dos testes que ele pretende fazer na Avenida.
- Vou levar os atabaques para a Sapucaí, em breve, durante a madrugada. Preciso sentir a sonoridade deles na Avenida e saber da Liesa se poderei usar a sonorização deles, com microfones, na hora do desfile. Do contrário, só usaremos os atabaques com o som ambiente. Eles não vão tocar durante o samba, apenas no refrão combinado. A mão vai coçar, mas eles terão que ter paciência e aproveitar o desfile – brincou.
Uma curiosidade sobre a chegada dos atabaques na bateria da Viradouro aconteceu durante a procura de Mestre Ciça por homens que toquem o instrumento.
- A idéia inicial era trazer algumas pessoas da Bahia, mas resolvi fazer com a comunidade e deu certo. Conversei com amigos e alguns deles, ritmistas da Viradouro, se ofereceram para tocar e indicaram alguns ogãs*. Eles gostaram tanto que estão levando os atabaques deles para os ensaios – revelou, que já tem 30 pessoas inscritas.
Para facilitar a evolução dos ogãs no desfile, tripés e rodinhas. A bateria da vermelha-e-branca, que já conta com 300 rimtistas, agora terá 20 homens tocando atabaques.
* médium responsável pelo canto e pelo toque – ocupa um cargo de suma importância e de responsabilidade dentro dos rituais de Umbanda, que é o de conduzir a Curimba – conjunto de vozes e toques do atabaque.

Fonte: JUCA – Jornal de Umbanda Carismática