Entidades religiosas lançam cartilha contra intolerância, no Rio

por Alba Valéria Mendonça – Do G1, no Rio

Cerimônia reúne representantes de 18 organizações não overnamentais.  Cartilha vai orientar vítimas e policiais no registro dos casos.

Alba Valéria Mendonça/ G1

Líderes religiosos lançam cartilha para orientar vítimas de intolerância religiosa (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)

Representantes de 18 entidades não governamentais que integram a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa lançam nesta quarta-feira (21) a Cartilha da Liberdade, no Cine Odeon, na Cinelândia, no Centro do Rio. A cartilha, produzida em dez dias pelo coronel da reserva da Polícia Militar e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Jorge da Silva, traz uma série de orientações para vítimas da intolerância religiosa e racial.

A cartilha, segundo Silva, também vai ajudar os policiais civis no registro das queixas que chegam às delegacias. De acordo com o professor, existe uma tendência histórica por parte dos policiais de minimizar os casos de intolerância religiosa.

“Os policiais não sabem qualificar o caso. Aí, não registram ou registram somente como injúria ou vilipêndio. Eles esquecem que existe o artigo 20 da Lei Caó (número 7.716) que considera crime a intolerância religiosa”, enfatizou Silva.

Minuto de silêncio

Neste Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa – 21 de janeiro -, a cerimônia de lançamento da cartilha foi aberta com um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do desabamento do prédio da Igreja Renascer , em São Paulo.

O ministro interino da Igualdade Racial, Eloi Ferreira Araújo, acrescentou ainda que o guia traz recomendações importantes para vítimas, como as entidades que devem ser procuradas para prestar socorro ou fazer denúncias.

“A cartilha vai ser distribuída a todas as entidades religiosas e divulgada ao máximo. No Brasil, sempre houve perseguições religiosas, principalmente às de matriz africanas. Mas estamos combatendo esses problemas desde a criação da Lei Afonso Arinos e agora, com a Lei Caó. Precisamos trabalhar neste processo de construção coletiva de novos valores. O Estado brasileiro reconhece que existem problemas dessa ordem, mas estamos procurando tratar disso”, disse Araújo.

Além do lançamento do guia serão realizados debates com vítimas da intolerância religiosa, artistas, intelectuais e líderes religiosos. Eles vão dar testemunhos das agressões verbais que sofreram por conta do preconceito religioso.

Projeto Legal tem 15 casos

De acordo com o Carlos Nicodemus, coordenador executivo da ONG Projeto Legal – entidade fluminense pioneira na assistência jurídica às vítimas de intolerância religiosa – em um ano foram registrados 15 casos no Rio.

“Cerca de 70% dos casos são contra seguidores de religiões de matriz africanas. Por enquanto, só temos casos registrados de agressões verbais. Mas sabemos que há casos em que as pessoas são agredidas fisicamente só porque professam uma religião diferente do outro”, disse Nicodemus, lembrando que em junho o Juizado Especial Criminal deu ganho de causa a um umbandista agredido verbalmente pelo vizinho, em Paty do Alferes, na Região Centro-Sul Fluminense.

Policiais conscientes e qualificados

Também esteve presente ao fórum o coordenador da Central de Inteligência da Polícia Civil, delegado Henrique Pessoa. Ele disse que já foi feito um workshop com 180 policiais sobre a questão da intolerância religiosa e racial.

“O guia vai ser distribuído a todas as unidades da Polícia Civil. Essa cartilha vai acrescentar muito na conscientização e na qualificação dos policiais. O Rio quer ser uma referência nacional no combate à intolerância religiosa. Esse é o nosso objetivo”, disse o delegado, acrescentando que a Polícia Civil vai trabalhar para acabar com o preconceito, para que não seja necessária a criação de uma delegacia especializada para cuidar desses casos – o que só acontece quando o número de casos é muito alto.

No final do dia será lançado o DVD da caminhada contra a intolerância religiosa, realizada no dia 8 de setembro de 2008.

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa também está sendo lembrado em São Paulo, Salvador e Porto Alegre, além de Buenos Aires, na Argentina.  De acordo com Ivanir dos Santos, da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, a demonização de determinada religião coloca em risco a democracia.

“Só vamos conseguir avançar contra o preconceito religioso, quando entendermos que o que está em risco é a democracia. O nazismo e o fascismo começaram com a demonização desta e daquela religião. Vivemos num país laico e não queremos um país teocrático”, disse Ivanir.

Fonte:
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL965424-5606,00-ENTIDADES+RELIGIOSAS+LANCAM+CARTILHA+CONTRA+INTOLERANCIA+NO+RIO.html

Diversidade religiosa e direitos humanos

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua
pele, por sua origem ou ainda por sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender;
e, se podem aprender a odiar, podem ser
ensinadas a amar.”
(Nelson Mandela)

declaração universaldos direitos humanos
Art. XVIII

Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento,
consciência e religião; este direito inclui a liberdade de
mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar
essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto
e pela observância, isolada ou coletivamente, em público
ou em particular.”

Apresentação

O Estado Brasileiro é laico. Isso significa que ele não deve ter, e não tem religião. Tem, sim, o dever de garantir a liberdade religiosa. Diz o artigo 5o, inciso VI, da Constituição:

“É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.”

A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais da humanidade, como afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual somos signatários. A pluralidade, construída por várias raças, culturas, religiões, permite que todos sejam iguais, cada um com suas diferenças. É o que faz do Brasil, Brasil. Certamente, deveríamos, pela diversidade de nossa origem, pela convivência entre os diferentes, servir de exemplo para o mundo. No Brasil de hoje, a intolerância religiosa não produz guerras, nem matanças.

Entretanto, muitas vezes, o preconceito existe e se manifesta pela humilhação imposta àquele que é “diferente”.
Outras vezes o preconceito se manifesta pela violência.

No momento em que alguém é humilhado, discriminado, agredido devido à sua cor ou à sua crença, ele tem seus direitos constitucionais, seus direitos humanos violados; este alguém é vítima de um crime – e o Código Penal Brasileiro prevê punição para os criminosos.Invadir terreiros de umbanda e candomblé, que, além de locais sagrados de culto, são também guardiães da memória de povos arrancados da África e escravizados no Brasil; desrespeitar a espiritualidade dos povos indígenas, ou tentar impor a eles a visão de que sua religião é falsa; agredir os ciganos devido à sua etnia ou crença, mesmo motivo que os levou ao quase extermínio na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial: tudo isto é intolerância, é discriminação contra religiões. É o contrário do que pretende o Programa Nacional dos Direitos Humanos.

O Programa Nacional dos Direitos Humanos pretende incentivar o diálogo entre os movimentos religiosos, para a construção de uma sociedade verdadeiramente pluralista, com base no reconhecimento e no respeito às diferenças.A presente cartilha, Diversidade Religiosa e Direitos Humanos, é o resultado de quase um ano e meio de um trabalho que contou com a participação de várias religiões, e que não se esgota aqui (outras colaborações podem ser conferidas no site www.presidencia.gov.br/sedh.

Esta cartilha é a continuidade das muitas ações de homens e mulheres de boa vontade e diferentes crenças, que, com suas palavras e seus atos, pretendem construir um país, um mundo melhor. Um país e um mundo em que ninguém sofra ou pratique injustiça contra seu semelhante. Um mundo e um país de todos.

Ministro Nilmário Miranda
(Secretaria Especial dos Direitos Humanos)

Para fazer o download da versão em português dessa cartilha, clique aqui.

Há uma versão da mesma em inglês. Clique aqui.

E outra versão em espanhol aqui.

Fonte: http://monomito.wordpress.com/diversidade-religiosa-e-direitos-humanos/

Intolerância Religiosa

Denunciar e processar adianta!

Em decisão inédita, filho de santo é indenizado por ter sido agredido por vizinho
Juíza afirma que a sentença serve para que isso não ocorra novamente

O Juizado Especial Cível de Paty do Alferes determinou que Marcelo da Silva Gomes seja indenizado em R$3 mil por ter sido ofendido por seu vizinho ao colocar uma oferenda para Oxossi, na cidade. A decisão da juíza Katylene Coyssér baseou-se nas testemunhas levadas por Marcelo que confirmaram as ofensas proferidas pelo mecânico Mauro Monteiro Pinto, no momento da oferenda. O fato ocorreu nas imediações do barracão frequentado por Marcelo, na véspera de Corpus-Christi. A decisão é inédita no Rio de Janeiro e abre precedentes para outras do mesmo teor.

Na decisão, a juíza ressalta que “a disseminação da intolerância religiosa em uma comunidade, a toda evidência, acarretará insegurança social, havendo de ser rigorosamente rechaçada“. Para a magistrada, é importante que este caso seja exemplar. Isso ela deixa claro em outro ponto da sentença:

“No caso em tela, o dano moral há de ser considerado não só sob um aspecto meramente ressarcitório, mas também sob o ângulo preventivo-pedagógico, visando chamar a atenção para que os fatos lesivos narrados na inicial não tornem a ocorrer”.

Mas, não foi fácil ganhar a processo.

Marcelo conta que primeiro procurou a delegacia da região, coseguiu fazer um Registro de Ocorrência por “Injúria” ( o que está errado, pois todo crime cometido contra religiosos no exercício de sua fé deve ser enquadrado pelo artigo 20 da Lei 1776/89 – que torna o crime inafiançável e imprescritível) que não chegou a ser remetido ao Juizado Especial Criminal para ser avaliado pelo Ministério Público. mas, ele não desistiu! Entrou no Juizado Cível pedindo ressarcimento pelo constrangimento que sofreu e, para sua surpresa, na primeira audiência no Fórum, foi destratado pela conciliadora do Juizado.

“Ela me perguntou que religião é essa que a gente quer indenização? Ora, eu fui agredido, humilhado, chamado de macumbeiro safado… registrei com muita luta uma queixa na delegacia e não podia sequer processar a pessoa que cometeu tais crimes? Aí já era demais. A polícia já não registra direito a nossa queixa e a tal da conciliadora ainda queria arquivar me processo.”
desabafa Marcelo.

Por isso ele procurou a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa que encaminhou o caso para os advogados do Projeto Legal, instituição de Direitos Humanos que atende gratuitamente as vítimas de intolerância religiosa.

“Denunciar e lutar pelos nossos direitos adianta, sim! Chega de ser ofendido, humilhado e esculhambado por essa gente que sequer sabe sobre o que se trata a nossa religião”, finaliza.

Serviço:
Comissão de Combate à Intolerância Religiosa

Rua Sampaio Ferraz, 29 – Estácio
E-mail: imprensa.comcinter@gmail.com
Reuniões: todas as quartas-feiras, ás 16h

Fonte: O Conteudo deste e-mail foi enviado por Etiene Sales para o Fórum virtual “Umbanda Power Line” (Grupos.com) e repassado por Alexandre Cumino

Caminhada pela Liberdade Religiosa


Muitos credos, uma só crença

Cerca de 10 mil pessoas participaram na orla de Copacabana de caminhada contra a intolerância religiosa
Matéria por Marcelo Copelli

A luta pelo direito de cada cidadão poder manifestar livremente a sua fé, praticar seu culto e exercer plenamente sua religião levou, ontem, cerca de 10 mil pessoas a participarem da “Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa”, na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio.
O evento reuniu católicos, umbandistas, judeus, muçulmanos, hare-krishnas, ciganos, instituições militantes dos Direitos Humanos, setores evangélicos e candomblecistas, além de intelectuais, artistas e representantes políticos.
As instituições presentes ao encontro tiveram como objetivo reafirmar a defesa do direito constitucional de liberdade de culto e exigir das autoridades uma posição efetiva no que diz respeito à prática da intolerância religiosa por alguns segmentos que são amparados, segundos elas, por uma campanha difamatória veiculada em vários canais de TV.
A iniciativa foi tida com uma resposta dos praticantes das religiões afro-brasileiras que, em conjunto com outros setores, se mobilizaram contra o fanatismo e o preconceito.
O atual cenário, segundo o babalawo Ivanir dos Santos, um dos organizadores da caminhada, com o aumento da intolerância religiosa no Brasil, principalmente em relação aos praticantes da umbanda e do candomblé, não pode mais permanecer sem o devido direito de resposta e punição. “Há pouco tempo, por exemplo, houve um caso grave com uma companheira nossa em que num litígio com seu ex-companheiro e pai do seu filho na Justiça recebeu a visita da assistente social em sua casa. Foi feito o laudo dizendo que havia assentamento de santo no local. Isso serviu de base para que o promotor solicitasse a perda da guarda temporária dessa mãe. E a juíza acatou. Se não tivéssemos nos movimentando, e revertido a situação, ela teria perdido a guarda do filho”, relatou.
Invasão e depredação
Em junho deste ano, quatro jovens da Igreja Evangélica Geração Jesus Cristo foram responsáveis pela invasão e a depredação do Centro Espírita Cruz de Oxalá, no Catete, na Zona Sul, que mistura conceitos de religiões afro-brasileiras e do kardecismo.
Após insultarem os fiéis presentes, quebraram imagens religiosas e utensílios.Mesmo autuados por dano e insulto a culto religioso, foram liberados.
Na última semana, foram condenados tão somente a pagar multa, distribuir cestas básicas e prestar serviços comunitários durante quatro horas semanais, por quatro meses.
Outros alvos
Os casos, entretanto, não são só recentes ou direcionados apenas às religiões de matriz africana.
Em 1995, a TV Record transmitiu durante um programa da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) cenas nas quais o pastor Sérgio Von Helde chutava a imagem de Nossa Senhora de Aparecida, padroeira católica do Brasil, causando comoção nacional e protestos de outros credos.
Na época, Von Helde alegou que o povo brasileiro não podia depositar suas esperanças em uma imagem, já que ídolos não tinham poder algum.
Providências
Presente ao evento, o ministro da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, afirmou que a liberdade de manifestação religiosa é amparada legalmente pela Constituição e que na condição de representante do governo federal, entendia que o Estado tem o dever de oferecer mais a quem tem menos. “Não podemos permitir o prosperar desse `ovo da serpente’ representado por algumas correntes religiosas, hoje minoritárias, e que querem impor um padrão de credo ao conjunto da população brasileira”, afirmou, acrescentando que irá expor a situação ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visando a um encontro, em breve, com os líderes religiosos, para novas discussões.
Diálogo
Antes da caminhada, os representantes religiosos se confraternizaram em um café da manhã, e decidiram criar uma comissão inter-religiosa.
A mesma irá se reunir no dia 31 de outubro para dar continuidade ao diálogo aberto pelo evento.”Na nossa visão, a convivência entre as religiões é saudável. O ser humano amplia a consciência quando compreende que Deus é muito mais gracioso, é muito maior do que um Deus fechado em uma igreja”, disse o bispo anglicano Celso Franco de Oliveira.
Ivanir dos Santos, complementou e afirmou que cada uma escolhe o caminho que quer seguir, e cabe às pessoas respeitar essa posição. “Liberdade religiosa é um dos príncipios da democracia. É só o que nós queremos. Nada mais”, concluiu .

Galeria de Fotos: http://oglobo.globo.com/rio/fotogaleria/2008/6689/

Você pode denunciar crimes de PRECONCEITO RELIGIOSO no Rio de Janeiro

Você sofre agressão, perseguição, coação ou qualquer ameaça por motivo religioso?

Denuncie através do site http://www.policiacivil.rj.gov.br na aba “DENÚNCIA”

Você não precisa se identificar!

A Constituição da República Federativa do Brasil determina, em seu Art. 5º, inciso VI:

“É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias”

Seja Cidadão, defendendo seus direitos!

Denuncie crimes de preconceito religioso!

Fonte:http://recantodovelhinhorabugento.blogspot.com/

 

Disque-Denúncia para atender a casos de discriminação de qualquer credo

Adriana Diniz e Clarissa Monteagudo – Extra

Rio – As denúncias de que traficantes convertidos a igrejas independentes estão proibindo manifestações de umbanda e candomblé nas favelas cariocas causou reação na Câmara de Vereadores do Rio. Ontem, foi criado o Disque-Denúncia Intolerância, um número de telefone disponível 24 horas para registrar casos de discriminação contra adeptos de qualquer religião.

” A discriminação é crime, seja ela de cor, sexo ou religião “

- Qualquer pessoa, de qualquer credo, que se sentir perseguida ou ofendida por suas crenças pode ligar. A discriminação é crime, seja ela de cor, sexo ou religião – defende o vereador Átila Nunes Neto, idealizador do projeto (ouça o vereador explicando como vai funcionar o serviço).

intoleranciaReligiosa

Pelo telefone (21) 2461-0055, é possível deixar informações sobre casos de violação à liberdade religiosa. Desde ameaças até atos de violência, como os praticados por bandidos que expulsaram pais-de-santo em áreas dominadas pelo tráfico.

- A identidade da pessoa será preservada. Pediremos apenas para que deixem algum contato para que os órgãos competentes consigam ter mais informações – explica o vereador.

Ex-ouvidor da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do Governo Federal, o advogado Luiz Fernando Martins da Silva conta que recebeu diversas denúncias de praticantes da umbanda e do candomblé expulsos de comunidades dominadas por traficantes, em 2006, quando ocupava o cargo.

Denúncias arquivadas

Na ocasião, Luiz Fernando instaurou um processo administrativo e encaminhou para a Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro. Segundo o advogado, o processo não foi para frente porque não houve interesse da governadora Rosinha Garotinho em apurar os casos.

- A liberdade religiosa no Brasil é um mito. Não existe – diz Luiz Fernando.

Esta semana, deverá ser votado na Câmara o projeto do vereador Adilson Pires, que institui o Dia do Combate à Intolerância Religiosa. A data estipulada é o 21 de janeiro, dia em que a ialorixá Mãe Gilda morreu de infarto fulminante provocado pelas consecutivas invasões ao seu terreiro em Salvador:

- Somos um país em que as religiões sempre conviveram. É importante alertar a sociedade de que todos têm que respeitar a liberdade.

Umbandistas e sacerdotes do candomblé reagiram com revolta às denúncias de crimes contra religiosos e acham que governo deve tomar atitudes.

Fonte: http://extra.globo.com/rio/materias/2008/03/18/disque-denuncia_para_atender_casos_de_discriminacao_de_qualquer_credo-426284339.asp

STJ confirma condenação de Igreja Universal

STJ confirma condenação de Igreja Universal a indenizar herdeiros de mãe-de-santo 

Por unanimidade, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça manteve a obrigação de a Igreja Universal do Reino de Deus pagar indenização aos filhos e ao marido da mãe-de-santo Gildásia dos Santos e Santos. Uma foto da líder religiosa foi usada num contexto ofensivo no jornal Folha Universal, veículo de divulgação da igreja. A decisão da Quarta Turma seguiu integralmente o voto do juiz convocado do Tribunal Regional Federal da 1ª Região Carlos Fernando Mathias, que reduziu o valor a ser pago.

Em 1999, a Folha Universal publicou uma matéria com o título “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes” e utilizou uma foto da ialorixá como ilustração. Em 2000, Gildásia faleceu, mas seus herdeiros e espólio começaram uma ação de indenização por danos morais. A 17ª Vara Cível da Bahia condenou a Igreja Universal ao pagamento de R$ 1,4 milhão como indenização, com base na ofensa ao artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal (proteção à honra, vida privada e imagem). Além disso, a Folha Universal também foi condenada a publicar, em dois dos seus números, uma retratação à mãe-de-santo.

No recurso da Universal ao STJ, alegou-se que a decisão da Justiça baiana ofenderia os artigos 3º e 6º do Código de Processo Civil (CPC) por não haver interesse de agir dos herdeiros e que apenas a própria mãe-de-santo poderia ter movido a ação. A defesa argumentou que a “suposta” ofensa não teria efeitos neles. A Igreja Universal também não seria parte legítima, já que a Folha Universal é impressa pela Editora Gráfica Universal Ltda., que tem personalidade jurídica diferente daquela da igreja.

Na mesma linha, alegou que o espólio não poderia entrar com a ação. Afirmou, ainda, que a sentença seria ultra petita (sentença além do pedido no processo), já que condenou o periódico a publicar duas retratações, quando a ofensa teria ocorrido apenas uma vez, violando, com isso, os artigos 128 e 460 do CPC. Por fim, afirmou ser exorbitante o valor da indenização e propiciar enriquecimento sem causa. Informou que o jornal não teria fins lucrativos, tornando o valor ainda mais desproporcional.

No seu voto, o juiz convocado Carlos Fernando Mathias considerou que, mesmo que a gráfica e a Igreja Universal tenham pessoas jurídicas diferentes, elas obviamente pertencem ao mesmo grupo, como atestam os estatutos de ambas e são co-responsáveis pelo artigo, logo a Universal poderia ser processada pela família. Quanto à questão do espólio, o juiz Fernando Mathias admitiu que a questão não poderia ser transmitida por “herança”. O espólio, portanto, não seria legítimo para começar uma ação. Entretanto o magistrado considerou que a ofensa à mãe-de-santo seria uma clara causa de dor e embaraço aos herdeiros e que o pedido de indenização seria um direito pessoal de cada um. Ele apontou que a jurisprudência do STJ é clara nesse sentido.

O relator considerou que a decisão de fazer publicar a retratação por duas vezes seria ultra petita (sentença além do pedido no processo), sendo necessária apenas uma publicação. Quanto ao valor, ele entendeu que o fixado pela Justiça baiana seria realmente alto, o equivalente a 400 salários mínimos para cada um dos herdeiros. Assim, pelas peculiaridades do caso, reduziu a indenização para um valor total de R$ 145.250,00 ficando R$ 20.750 para cada herdeiro.

Fonte: Superior Tribunal de Justiça
Processo: REsp 913131
www.stj.gov.br

ESTUDOS

POR FALAR EM ESTUDOS…
ACHEI O TEXTO INTERESSANTE.
Publicado por ALICE JUNQUEIRA em RBUhttp://redeumbanda.ning.com/forum/topic/show?id=2104617%3ATopic%3A21508Texto escrito por João B.G.FernandesA consciência dos filhos ainda não pode conceber o que “é” Umbanda, e muitos não compreendem seus arcanos secretos. Poucos filhos na Terra têm a exata compreensão e entendimento desta Senhora da Face Velada e não conseguem encontrar palavras para interpretar o que eles percebem ou intuem através das suas faculdades medianímicas.Daí a dificuldade de explicar o Sagrado, o Ombhandhum milenar, renascido através do Caboclo das Sete Encruzilhadas pela mediunidade de seu protegido, o filho Zélio, nas terras da Santa Cruz.Mas se a grande maioria dos filhos ainda não sabe o que “é” Umbanda, já é tempo de saber o que a Umbanda “não é!”.
Umbanda não é culto a Orixá.
Umbanda é culto á caridade.
Umbanda cultua o amor, a humildade, a simplicidade, o respeito a natureza, o respeito ao semelhante, a alegria de servir, de sentir-se privilegiado em poder estender a mão em nome da fraternidade, de olhar o universo com reverência e falar com o Pai Supremo com profunda veneração!O Orixá, que nós muito respeitamos, Senhor da Luz Primaz, esta energia cósmica e Onipresente, não necessita culto. Eles são o que são com ou sem o reconhecimento dos filhos de fé! São como a luz do sol, que muito embora desponte no horizonte em seu carrilhão de fogo quando ainda muitas criaturas ainda dormem, nem por isso brilha menos na sua magestosa apoteose de luz!A Umbanda desceu ao plano físico por ordem dos Orixás, para que a humanidade, compreendendo Sua existência, reverenciasse o Criador dos Mundos, O Senhor dos Universos, Deus, Nosso Pai Celestial.A Umbanda se fez presente através da força dos Senhores Solares como uma benção em favor das ignorâncias estagnadas, intelectualizadas, que hipertrofiam seus cérebros com conhecimentos e esvaziam seus corações de sentimentos mais dignos! As forças gigantescas do universo, os Portentosos Senhores do carma, não necessitam ser cultuados, bastando que Os respeitem através do amor incondicional ao próximo e que representem este amor, não acendendo velas em seus santuários nem com oferendas em seus congás; mas que Os reverenciem na luz interior de seus próprios corações, reeducados no serviço ao próximo e na comunhão de todos no sentido da elevação da consciência através dos ensinamentos dos Grandes senhores Avatares que já estiveram aqui neste mundo, como Moisés, Krishna, Buda, Zoroastro, Jesus…

Todos, como grandes estrelas descidas dos céus, trouxeram, cada um a seu tempo, verdadeiras pérolas do conhecimento da Sagrada Árvore da Vida Eterna mas a humanidade, em sua pequenez de alma e gigantismo de egos, traduziu e ensinou as escrituras de acordo com sua limitada compreensão, degenerando o verdadeiro conhecimento que andou por caminhos escusos, fomentando desprezíveis defecções na mensagem que deveria ser a maior herança para a humanidade.Assim é que este “nego véio”, sem o palavreado simples da senzala, vem pedir aos filhos de terreiro, que, se não podem ou não conseguem ainda compreender a Umbanda, que deixem o tempo, Mestre por excelência, trazer o conhecimento no momento certo, quando a consciência dos filhos estiverem mais maduras. Por ora, se quiserem de boa vontade realizar a Vontade do Pai Supremo, e agradar aos Orixás, que verguem para baixo seus narizes, quase sempre empinados e olhem para os irmãos infelizes que sem poderem acreditar em Deus de estômagos vazios e corpos nus, necessitam urgentemente acreditar nos homens, na palavra dos filhos de fé, no carinho da compaixão tal qual Jesus vos exemplificou. Isso trará mais esperança nos homens e maior compreensão de Deus e de Sua Justiça. A luz não pode ficar embaixo do alqueire, filhos meus, assim como também o discernimento e a coerência.A Umbanda não é circo! Não é lugar para shows populares nem de mágicas ilusórias. A Umbanda é Sagrada, Orixá é Sagrado como também é Sagrado o filho de Deus que caminha por este mundo debaixo de provações e que necessita da compaixão e do carinho de seus irmãos de jornada. Pai véio vai embora, Aruanda chama, a lua já vai alta no céu, a sineta bateu. Mas “véio” volta outra vez pra falar de coração a coração.Saravá Umbanda!
Pai João do Congo.Nota do editor:Queremos deixar claro que não somos contra ou menosprezamos aqueles que expressam sua espiritualidade através de oferendas aos Orixás, desde que de forma saudável e digna. Todos têm o livre arbítrio para acender velas ou fazer oferendas, de acordo com sua afinidade espiritual e os princípios da manipulação energética (magia) nos quais se orienta.O que foi proposto pelo autor, no artigo acima, é que o umbandista tenha consciência que a maior oferenda a Deus (e aos Orixás) é o amor no coração e a paz na consciência, revertidos em favor ao próximo através da caridade. Isso vale mais do que mil velas acesas ou toneladas de frutas…Os espíritos que orientaram Allan Kardec, na codificação espírita, não foram contra as oferendas, mas também quiseram demonstrar que o equilíbrio interior e a prece do coração são mais importantes a Deus.ejamos o Livro III, capítulo 2 de O Livro dos Espíritos (Lei de adoração):

“653 – A verdadeira adoração necessita de adorações exteriores?A verdadeira adoração é a do coração. Em todas as vossas ações, pensai sempre que o Senhor vos observa.653-a – A adoração exterior é útil?Sim, se não for um vão simulacro. É sempre útil dar um bom exemplo, mas os que fazem só por afetação e amor próprio, e cuja conduta desmente sua aparente piedade dão um exemplo antes mau do que bom e fazem mais mal do que supõem.654 Deus dá preferência aos que O adoram desse ou daquele modo?Deus prefere os que O adoram verdadeiramente com o coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, àqueles que acreditam honrá-lo por cerimônias que não os tornam melhores para com seus semelhantes. Todos os homens são irmãos e filhos de Deus; Ele chama parasi todos que seguem Suas leis, qualquer que seja a forma em que se exprimam.
Quem tem apenas a piedade aparente é hipócrita; aquele em que a adoração é apenas fingimento e presunção, em contradição com sua conduta, dá um mau exemplo.Aquele que faz da adoração do Cristo uma profissão e que é orgulhoso, invejoso e ciumento, que é duro e implacável para com os outros, ou ambicioso pelos bens deste mundo, eu vos digo que a religião está nos seus lábios e não no coração. Deus, que vê tudo, dirá: aquele que conhece a verdade é cem vezes mais culpado do mal que faz do que o ignorante selvagem que vive isolado e será tratado desse modo no dia da justiça. Se um cego vos derruba ao passar, o desculpareis; se é um homem que vê claramente, vos queixareis e tendes razão. Não pergunteis, portanto, se há uma forma de adoração mais conveniente, porque isso seria perguntar se é mais agradável a Deus ser adorado antes em uma língua do que em outra. Eu vos digo ainda mais uma vez: os cânticos apenas chegam a Ele pela porta do coração”.(…)

Paz e Luz!http://redeumbanda.ning.com/forum/topic/show?id=2104617%3ATopic%3A21508Texto escrito por João B.G.Fernandes

Intolerância Religiosa

24/08/2008 10:07:00
Diferentes religiões se unem para combater a crescente intolerância religiosa no Rio
Casos de agressão e ameaça aumentam cada vez mais na cidade

Francisco Edson Alves

Rio – A liberdade religiosa e o direito de seguir qualquer credo assegurados pela Constituição não saíram do papel para a professora de Sociologia e Geografia Márcia Alves Ramos, 55 anos. Ela vai deixar o prédio onde mora com o filho, no Humaitá, para se livrar das ameaças que a vizinhança lhe dirige. É a quarta vez que Márcia, filha-de-santo da Casa de Candomblé Yaô Oxum Femi do Idacilê Odé, se vê obrigada a fugir em nome de sua crença. Mas a mesma fé inabalável acredita na justiça dos homens para pôr um freio na intransigência e punir agressores.

Márcia é um exemplo do assustador crescimento da intolerância religiosa no Rio, que muitas vezes vira caso de polícia e choca a população, como o depredamento de um centro espírita no Catete por jovens evangélicos em fúria, no início de junho. Essa realidade, no entanto, começa a mudar.

Grande caminhada marcada para o dia 21 de setembro promete reunir representantes de diversos credos e uma delegacia especializada deverá ser criada para investigar esses crimes. Dezoito denominações fundaram a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, que tem o apoio de outras 100.

‘Bruxa macumbeira’

Uma das ações foi a implantação, por parte do governo do estado, de uma ouvidoria para receber denúncias. Em pouco mais de um mês, já foram 150 queixas formais.

Emocionada, Márcia diz que não pretendia se mudar do endereço, onde reside há 9 anos. “Temo mais pela vida do meu filho”, justifica a professora. Ela conta que enfrenta deboches por andar de lenço e colares africanos.

No início do ano, quando teve de raspar a cabeça e usar túnica branca, cumprindo ritual de iniciação para se tornar filha-de-santo, os insultos aumentaram. “Uma jovem de 16 anos, apoiada por amigos, gritava: ‘Olha quem vem aí! A negra macumbeira e bruxa!’. Em julho, o pai dela também começou a me ameaçar. Tenho imagens de pretas velhas, fotos e roupas para preservar a cultura de meus ancestrais, mas nunca fiz culto na minha casa”, defende-se.

Caminhada prevê 50 mil no Leme

A Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, que mantém a ouvidoria, e a comissão apostam na caminhada de setembro, batizada de ‘Liberdade Religiosa! Eu tenho fé!’. “Esperamos receber novos relatos de conflitos e incitações ao ódio. Reuniremos 50 mil pessoas.

A passeata sairá do Leme, às 9h, e terminará no Posto 6”, diz Ivanir dos Santos, do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas. Segundo Ivanir, cada um dos cerca de 23 mil terreiros de Umbanda e Candomblé enviará representantes. Um site (www.eutenhofe.org.br) foi criado para orientar os interessados em participar.

Segundo a estudiosa Maria Dolores de Lima e Silva, do Centro de Tradições Afro-Brasileiras, o ato será em favor da cidadania. “Conflitos religiosos estão se tornando cada vez mais freqüentes e isso é muito perigoso. Vamos mostrar para a sociedade que é possível conviver em paz, embora cada um tenha o direito de exercer a crença que lhe convier. O importante é a fé individual e o respeito mútuo”, prega.

Rastreamento de sites com ódio religioso

Os ataques de fanáticos a templos, centros espíritas, igrejas e terreiros preocupam o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, que pediu ao delegado da Coordenadoria de Informação e Inteligência Policial (Cinpol), Henrique Pessoa, levantamento de casos de intolerância no Rio. Delegacia especializada para cuidar de casos de intolerância deve ser criada.

Henrique também está investigando mais de 30 sites que incitam o ódio religioso. “Alguns fazem questionários absurdos, criticando e discriminando religiões. Outros chegam a prometer curas milagrosas em troca de dinheiro”, comenta o delegado, explicando que as páginas serão retiradas do ar.

A deputada Beatriz Santos, da Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos da Alerj, recebe ao menos 10 denúncias mensais de intolerância religiosa. Há casos até de terreiros fechados por ordem do tráfico. “É um número alto. Tanto que criaremos conselhos em todos os municípios, a exemplo de São Gonçalo e Nova Iguaçu”, ressalta.

LEIA TAMBÈM: http://odia.terra.com.br/rio/htm/macumbeiros_vivem_rotina_de_medo_194837.asp

Fonte: http://odia.terra.com.br/rio/htm/ diferentes_religioes_se_unem_para_combater_a_crescente_intolerancia_religiosa_no_rio_194836.asp

Para denunciar:

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fonte: http://www.safernet.org.br/ – O SaferNet Brasil é um site no qual você pode fazer denúncias sobre crimes cibernéticos. Estão aí incluídos, pornografia infantil, racismo, intolerância religiosa, xenofobia, homofobia, neo nazismo, apologia e incitação de crimes contra a vida e maus tratos contra animais.