Instrumentos de Poder


 

TAMBOR SAGRADO

 

É o veículo pelo qual o xamãs fazem suas viagens a outros mundos. Os nativos norte- americanos associam o toque do tambor às batidas do coração da Mãe Terra e também ao som do útero. O tambor é considerado o cavalo, ou a canoa, que nos leva ao mundo espiritual. É o instrumento que faz a comunicação entre o Céu e a Terra, que permite ao xamã viajar ao centro do mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CHOCALHO SAGRADO

 

Muito usado na limpeza energética do corpo e dos ambientes.

 

 

 

 

 

 

 


PEDRAS E CRISTAIS

 

Há um conto xamânico que diz que o Criador, vendo a escuridão da noite, pegou um cristal de quartzo e despedaçou-o em milhares de pedaços, e jogando-os no Universo, criou as estrelas. Os aborígines australianos chamam os cristais de luz solidificada. Os xamãs norte-americanos chamam de Seres Pedras, ou Povo de Pedra, detentores dos registros da Mãe Terra. As pedras possuem um espírito, uma alma; possuem talentos específicos, amplificam pensamentos e auxiliam os processos de cura do corpo físico.

 

 

 

 



PAU QUE FALA

 

É utilizado especificamente por nativos norte-americanos. Trata-se de um pedaço de pau consagrado para que se apresente o Sagrado Ponto de Vista. Neste ritual não pode ser utilizada uma palavra que não seja a verdade. Na cerimônia somente fala quem estiver com o bastão na mão, os demais devem permanecer em silêncio. É uma forma de honrar a sabedoria dos outros, isto não significa que todos concordem com o que o outro está falando, mas que respeitam o ponto de vista do próximo.

 

 

 


 

ABALONE

 

É uma concha. Na tradição dos antigos índios tupi-guaranis as  conchas tinham importância fundamental. Serviam de instrumento para aplainar o cabo e ponta das flechas, tirar rebarbas de pás de farinha e remos. As mais fundas perteciam ao xamã da tribo, que as usava para macerar as ervas na preparação das medicinas curativas. Hoje, utiliza-se para limpeza da aura, nos rituais de limpeza com defumadores, representando o elemento água.

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

PENAS DE PODER

 

São usadas para aplainar a aura ou limpar o casulo áurico, jogando as impurezas para fora.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

CHANUPA

 

É de uso corrente para inalação do tabaco, entre os xamãs do mundo inteiro. Para os nativos norte-americanos ele tem uma importância fundamental. Erroneamente chamado de Cachimbo da Paz, ele é chamado pelos nativos de Cachimbo Sagrado. Ele surgiu para os índios norte-americanos com a aparição da Mulher Novilho Búfalo Branco para a tribo Lakota (Sioux). O fornilho representa o aspecto feminino e o cano o masculino. A união é o principio da criação, da fertilidade. O Cachimbo Sagrado é uma forma de oração; as preces são enviadas através do cachimbo.

 

 

 


 

PAU DE CHUVA

 

É usado pelos xamãs para tratamento de limpeza, quando a história requer sonoridade de águas caindo. Ele simboliza os movimentos das águas.

 

Fonte: http://www.vozdoselementos.com.br/instrumentosdepoder.htm

Lição Xamânica

na0410.jpg native indiens loup image by Shakasdream

“Antes de julgares uma pessoa,

caminha durante três luas com os seus mocassins.

Vistas de fora, há muitas vidas que parecem falhadas,

irracionais, loucas.


Enquanto se está de fora,

é fácil compreender mal as pessoas, as suas relações.


Só de dentro,
só caminhando durante três luas

com os seus mocassins é que se pode compreender as motivações,

os sentimentos, aquilo que faz agir uma pessoa

de uma forma e não de outra.

A compreensão nasce da humildade,
não do orgulho do saber.”

“Vai aonde te leva o coração”

(fragmento) Susanna Tamaro

 

Texto Recebido do grupo:
http://br.groups.yahoo.com/group/UmbandaCaridade/

CABOCLO PENA BRANCA

CABOCLO PENA BRANCA – O IRMÃO UNIVERSAL

UM CABOCLO SEM FRONTEIRAS

Por Ras Adeagbo.penaBranca

Em 1929, o poderoso cacique Pena Branca, líder dos índios Yaqui do México, liderou uma  revolta contra a opressão e a injustiça que vitimavam o seu povo.  Desde este momento, nas terras americanas, o mito desta grande entidade nasceu.  Pena Branca é hoje um símbolo de liberdade, autenticidade e fraternidade.

Entrando em contato com muitos irmãos de cultos afro-indígenas do México, Caribe e Estados Unidos, fiz esta pergunta a mim mesmo :

-”Será nosso Caboclo Pena Branca, esta mesma entidade ou um representante dela ? “ 

Certa vez, perguntei ao irmão Alberto Salinas, curandeiro e médium de uma tradição espiritualista mexicana, quais as principais entidades que incorporavam em seu templo. O primeiro nome que ouvi foi : Pena Branca.  Em seguida, comentei que no Brasil, também incorporava um índio do mesmo nome.  Ele não se surpreendeu e disse que outros “penas” também frequentavam sua sessão de cura, nada impedindo que fossem as mesmas entidades. 

Longe dali, no Caribe, existe uma religião chamada de Vinte e Uma Divisões (ou Vinte e Uma Linhas) que é muito parecida com a nossa amada Umbanda.  Nos terreiros deste culto, trabalham destemidos espíritos de índios, pretos velhos, exus (ali chamados de candelos) e outros espíritos familiares.  Na Linha de Índio Bravo, uma das Vinte e Uma Linhas, encontramos também nosso velho amigo : Pena Branca !

Ali ele baixa, firme e elegante, dando brados e vivas imponentes.  Com ele, também incorporam Águia Branca, Índio da Paz e outros “penas” :  Pena Azul, Pena Negra, Pena Amarela, etc…    Coincidência ?

Nos estados sulistas dos Estados Unidos, existem algumas igrejas espíritas…. Coisa bem diferente, pois por fora parece um templo evangélico e por dentro um terreiro.  Os pastores são médiuns e bem íntimos com as manifestações do Mundo Invisível.

O espírito principal que chefia estas igrejas, as vezes chamadas de Igrejas Espiritualistas Africanas, é o Chefe Índio Falcão Negro. 

Quando o Chefe Falcão se manifesta, ele puxa outros companheiros das aldeias do astral, como Nuvem Vermelha, Águia Negra (nomes de chefes indígenas que existiram) e entre eles está : Pena Branca !  Mais coincidência ?

Algumas fraternidades esotéricas americanas, que cultuam os Mestres Ascencionados como Saint Germain, El Morya e outros bem conhecidos da Nova Era, conhecem um belo Mestre curador.  Ele aparece como um índio banhado em branca e luminosa luz, dando sábios conselhos e mensagens (veja uma imagem dele aqui reproduzida).  Seu nome ?  Mestre Pena Branca.  Olha ele aqui de novo….

Em algumas ilhas do Caribe existe um culto chamado Obeah, de origem africana.  Dentro dele são celebrados os mistérios dos espíritos de origem indígena taino, etnia local.  Existem muitas entidades indígenas, a maioria com comportamento muito arredio e nomes de animais, como Cobra Verde, Pantera Negra, Jaguar Dourado e etc…

Quando incorpora a Falange do Povo Alado, simbolizada pelos pássaros e morcegos, um deles tem um destaque especial.  Este espírito se apresenta sério, compenetrado, usa tabaco fortíssimo e uma pena branca na cabeça.  Como é chamado ?  Índio Pena Branca.  Pois então, novamente o encontramos.

Na Venezuela existe um culto belíssimo, semelhante em tudo com a Umbanda de nossa terra. Tem caboclo, preto velho, exu, marinheiro, Orixás e tudo de bom.  É a tradição de Maria Lionza, a Rainha Mãe da Natureza. 

Na Linha Índia, comandada pelo famoso espírito do Cacique Gaicaipuro, incorporam centenas de caboclos venezuelanos e americanos.  Eles trabalham com pemba, bebidas diversas, água, cocares, maracás e todo o aparato ameríndio.  Chegam bradando e saudando o povo, que procura semanalmente os irmandades em busca de alívio, socorro material e espiritual.

Certo dia em Bonaire, uma ilhazinha perto da Venezuela, eu participava de um culto de Lionza.  Perto do congá, estava um rapaz incorporado com um caboclo. Atento, o índio ouvia pacientemente uma velha senhora e a limpava com um maço de ervas perfumadas.  A senhora chorava muito e tremia.  No final da sessão, o semblante dela havia mudado.  Feliz, ela sentou-se no banco da assistência e orava agradecida.

Curioso, eu me aproximei e perguntei o nome da entidade que a atendeu.  A velha irmã respondeu com reverência.  Adivinhem o nome do caboclo.  Ele mesmo, o grande índio Pena Branca !

O tempo passou e a pergunta ainda batia dentro da minha cabeça. Será que é o mesmo Pena Branca ?  Terá este caboclo conhecido da Umbanda viajado tanto assim ?  Afinal, ele é mexicano, americano ou brasileiro ?   Quem, afinal, nasceu primeiro, o Pena Branca daqui ou de lá ?  Inquietações de um pesquisador, pois os afilhados e médiuns de Pena Branca não ficam, creio eu, tão preocupados com a sua origem.

Uma bela noite, em um modesto e tranquilo terreiro umbandista do interior paulista, acontecia uma gira de caboclo.

A líder do terreiro abriu o trabalho e incorporou. Seu Pena Branca estava em terra, em todo o seu esplendor e força.

Fiquei atento, lembrei-me do Caribe e pensava em tudo isso que agora escrevo aqui. 

O caboclo Pena Branca riscou seu ponto, pediu um charuto, deu algumas ordens ao cambono e olhou para onde eu estava.  Senti uma estranha energia percorrer minha espinha.  Ele continuou olhando e acenou.  Me levantei e acenei de volta.

Foi então que ele falou :

- Filho, era eu, lembra ?  Tem aí um maço de ervas bem cheiroso para mim ?

Salve Seu Pena Branca !

 

ORAÇÃO A SEU PENA BRANCA (rezada no Caribe)

Em nome de Deus Todo Poderoso,

Eu  invoco o grande Pena Branca,

fiel espírito índio, grande herói,

zelador de meu altar e morada.

A você que me guia e conhece minhas necessidades,

peço proteção e luz.

Livra-me de toda má intenção e inimigos, ocultos ou manifestados.

Vigia meus caminhos e que nenhum feiticeiro ou bruxo malvado,

possa cruzar comigo.

Grande espírito, te ofereço esta vela (acender uma vela verde) e chamo seu nome.

Amém !

 

RECEITAS TRADICIONAIS

BANHO DE PROTEÇÃO PENA BRANCA (utilizado no Caribe)

4 litros de água,

Um pouco de erva cidreira,

Um pouco alfavaca,

Algumas pétalas de rosa branca.

Ferver as ervas, esperar esfriar um pouco e acrescentar as pétalas.

Acender uma vela verde antes do banho.

 

ÁGUA DE PENA BRANCA PARA PURIFICAR A RESIDÊNCIA (receita da Obeah).

1 litro de água mineral,

Um pouco de erva cidreira,

Um pouco de arruda,

Um pouco de verbena,

Sete gotas de essência de almíscar.

Misturar as ervas e ferver.  Deixar esfriar e adicionar a essência.

Acender uma vela verde e pedir a Pena Branca para benzer a água.

Depois que a vela acabar, borrifar os cantos da casa, cama e objetos pessoais.

 

VELA MÁGICA DE PENA BRANCA PARA TRAZER PAZ (receita do culto Maria Lionza).

Uma vela de sete dias branca,

Um pouco de melaço de cana,

Um pouco de açúcar cândi,

Sete cravos-da-índia,

Sete gotas de essência de rosas,

Sete gotas de essência de verbena.

Misturar em um prato o melaço, açúcar e as essências.  Untar a vela (mas não o pavio) e espetar os cravos nela, formando uma cruz (pode fazer os furinhos com a ajuda de um prego fino).  A vela deve estar sem a capa de plástico.  Acender a vela e pedir a ajuda  deste caboclo.

 

Fonte: Web site: www.jornaldeumbandasagrada.com.br
Autor: Ras Adeagbo

A Simbologia dos Animais nos Mitos Nórdicos

Sem querer entrar no mérito da Fylgja, este texto buscará explanarxama31 sobre a simbologia animal em alguns mitos e a importância destes animais para o mundo nórdico como ensinamentos subliminares para a vida. Dentre os animais importantes e mais freqüentes nos mitos estão os falcões, corvos, águias, serpentes e lobos.

O Falcão desempenhou papel importante na mitologia.
Associado à Freyja e à feitiçaria, o falcão era um animal dotado de dois poderes especiais: o vôo e a visão. O vôo simbolizava o poder de viagens, entre os mundos, do animal, bem como seu fácil alcance entre o céu e a terra, tornando-se um elo entre todos os seres e mundos. Freyja tinha uma capa de penas de falcão e com ela podia se transmutar em uma ave para alçar vôo entre os mundos em suas feitiçarias, seidr e spae. O mesmo acontecia com sua visão, que era um dote especial, uma vez que ia além do habitual alcance do homem. A visão do falcão era longínqua. No topo de Yggdrasil está uma grande ave que possui um falcão entre os seus olhos. Este falcão é o provedor da poderosa visão, muito semelhante à visão dos rincões que Odin obtém em Hlindiskjálf.

Logo, temos o Falcão como um símbolo de conexão divina e espiritual, símbolo de equilíbrio entre o céu e a terra, provedor de visão e provedor da expansão do espírito para o além. No brasão da Islândia há quatro Landvaettir guardiões do país e um destes é um falcão de duas cabeças e longa cauda.

O pássaro em si sempre foi um indicador de conexão com o além, uma vez que ele podia alcançar espaços siderais remotos ao homem, como o céu e o horizonte desconhecido. Para a águia, ave de grande porte, fora tida uma associação com a força, com o horizonte e com a guerra. Em Yggdrasil, era o bater de asas da águia do topo da árvore que fazia ventar nos nove mundos. A águia era uma destroçadora de carne, caçadora impiedosa e rainha das aves por seu tamanho e força. Assim, estava associada de alguma forma ao deus Odin. Assim como a águia de Yggdrasil, provedora dos ventos, uma vez que seu tamanho era grande e o bater de suas asas era forte, e pelo fato da ave estar por cima, no topo ela tinha um espaço especial em relação aos outros seres. Assim, por ser associada ao vento, ela estava ligada ao ideal selvagem de liberdade e força.

Outra ave de grande importância para a Forn Sed foi o corvo. Dentre os mais misteriosos animais da mitologia nórdica estava a ave negra da morte. Associado à morte, à guerra, à magia, à mente e ao além, o corvo era o animal mais íntimo a Odin. Na mitologia está gravada que Hugin e Munin, “Pensamento” e “Memória”, voavam entre todos os mundos e contavam à Odin todas as notícias ocorridas no grande universo. Eram oniscientes seres capazes de pensar e narrar aventuranças dos homens ao deus do conhecimento. Assim como o lobo, o corvo estava presente nas batalhas, devorando a carniça dos guerreiros mortos, indicando a presença de Odin no local para recolher os escolhidos. A crença popular dizia que os corvos eram seres dotados de inteligência (não é a toa que é considerada pela zoologia a ave mais inteligente) e magia, sempre espreitando a morte por perto, tornando-se às vezes símbolo de mau agouro.

Diz-se que se um corvo presencia a morte de alguém é sinal de que ele levará a alma deste para o além. O corvo era um símbolo de que a morte estava à espreita e que não podemos nos esconder de sua presença. Ao mesmo tempo ameaçador, ele também serve como uma promessa de conforto no além com Odin.

Já o gato não tinha o vôo, mas tinha o poder de uma visão mágica. Podia ver os mortos e os vivos, assim como ver todos os mundos simultaneamente. O gato é misterioso, independente, associado também à sexualidade. Mas o gato nórdico não é representado simplesmente pelo gato doméstico. O animal de quem os mitos se referem é o típico gato selvagem do norte, talvez o lince, um animal grande, forte, com hábitos noturnos (como Freyja) e uma intensa sexualidade aflorada. Por ser forte e dotado desta visão mágica, ele puxava o carro da deusa Freyja e era tido por ela como um doce animal.

E por serem independentes, fortes, de uma visão privilegiada, eram associados à liderança. Bygul e Trégul eram os gatos que puxavam a biga da deusa Freyja. Lembrando que assim como o gato, Freyja estava associada com os vivos e os mortos, com o sexo, com a liderança (é a Rainha das Walkyrjas), com a magia/mistério e também com a guerra e a morte.

A serpente ou dragão era um animal típico do submundo. Jormungandr, serpente filha de Loki, era a temida inimiga da força, pois era grande, pesada e de uma presença insuportável. Ela nada mais é do que a ira e a destruição, pois somente a raiva e o ódio podem desencadear sobre a força e a benevolência dos deuses tamanho prejuízo. Foi preciso que Thor (a força) prendesse Jormungandr (a ira destruidora) no Oceano (o submundo, o subconsciente, o subsolo da alma) de modo que ela não mais prejudicasse o cosmos (a ordem e o progresso dos seres com seus mundos). Neste sentido, a serpente está associada ao temor pelo o que habita o desconhecido selvagem do mundo pode trazer à perigosa vida dos nórdicos, ou ainda o medo que o desconhecido que habita nossa alma pode trazer a tona em momentos de crise existencial. Os nórdicos sabiam o poder destruidor que a ira tinha em batalha, mas também conheciam o poder que o ódio e a raiva poderiam trazer à tona tragédias à suas vidas. Não é a toa que o Hávamál está cheios de conselhos de prudência, disciplina e sabedoria.
Ainda na mitologia nórdica temos outra serpente de suma importância: é Nídhögr, o dragão do submundo. Este dragão é responsável por guardar o submundo, o além, assim como punir àqueles que em vida causaram infortúnios como o roubo, o assassinato e a injúria. Claro, que este mito é uma resposta pagã ao mito cristão do inferno que pune os pecadores. Jamais houve no mundo nórdico um medo do além da morte com tortura e punições, ainda mais para uma sociedade guerreira que viviam de pilhagens, assaltos, comércio turbulento e colonização. O submundo e o além era uma promessa de descanso e precisavam ser guardados por criaturas dotadas se sabedoria que fossem capazes de manter este descanso imaculado. Este mito, assim como muitos outros, veio com o contato com os cristãos e em resposta à suas pregações.

Mas, antes do mito do dragão torturador do submundo havia outro aspecto importante para ele: o dragão era o sagrado guardião do submundo, o rastejador da terra, àquele que habita as entranhas das cavernas e desce ao além. O desconhecido submundo estava claramente associado ao subsolo e ao subterrâneo e a morte só podia estar conectada ao desconhecido, uma vez que todos os corpos vão para as entranhas da terra e nas profundezas dela continuarão a suas existências de perecimento. Também para as profundezas da terra iam as serpentes e por este motivo elas estavam associadas à morte e ao subterrâneo. Logo, obtemos através da simbologia da serpente que o submundo está associado com a terra e com os seres rastejantes, e que estes mesmos seres são os protetores e carrascos de todas as coisas que habitam o subsolo e o além. Também observamos que a serpente não morre, mas sempre se transforma, em constante transmutação. Sua verdadeira morte física é um mistério. Ao invés de morrer, ela deixa seu corpo e o troca por um novo. Essa regeneração é importante para entendermos o porquê de ela ser a guardiã do além, pois está longe dos conceitos de morte mundanos. Dragão e Serpente (Ormur em Old Norse) são vida e morte em um só corpo, e, portanto saúde e doença, remédio e veneno. A serpente é o equilíbrio e os ciclos.

Outro animal que precisa ser narrado é o lobo. O lobo é consumidor compulsivo da vida. Ele destrói para sobreviver e possui uma fome insaciável. Selvagem, mateiro, faminto e dominador são conceitos atribuídos a ele. Em sua simbologia, o lobo é o desejo. Mas não é o desejo sexual que estamos falando (mas também pode ser observado por este prisma…), é o desejo em seu aspecto humano mais profundo: é anseio. O lobo aparece em vários mitos e em todos eles ele é fome insaciável, desejo, anseio incontrolável. Odin era guiado por dois lobos, Geri e Freki, que comiam junto com o deus e devoravam a carne dos mortos em batalha, pois a fome deles é insaciável. Háti e Skól eram os lobos que perseguiam os astros Sol e Lua, pois seus anseios incontroláveis faziam-nos perseguir suas aspirações a ponto da destruição. Também há Garm, o cão/lobo do submundo, que devorará o deus Odin no final dos tempos. E, por fim, o maior e melhor de todos os mitos é Fenris, filho de Loki. Fenris é a encarnação do desejo. Quanto mais ele comia, maior ficava e mais perigoso se tornava. Foi tão alimentado que ficou absurdamente grande de modo a obrigar os Aesir, temerosos por suas existências e vidas, a correrem o risco de prender o animal. Assim, Fenris (o desejo) foi preso por Tyr (a disciplina) através do flagelo da perda da mão do deus (o desapego, a doma do ego e abdicação do material em prol do espiritual). Logo, o lobo está associado ao desejo e à destruição, se estes não forem contidos e disciplinados.

Para além dos mitos, estão muitos outros animais de grande importância para a Forn Sidr, mas que aqui não cabem esclarecer mais. Entretanto, vale citar que outros animais, como cabras (associados ao deus Thor, ao trabalho rural, à força), bois e vacas (associados à Grande Mãe, Erda, Jord e Nerthus, à fartura, e à terra cultivada), os cervos, os gamos e os veados (associados à Yggdrasil, como seres de renovação e mantenedores da saúde natural da árvore do mundo) e o javali (associado à Freyr, símbolo de fartura e prosperidade, bem como virilidade), etc.

A compreensão do papel simbólico dos animais nos mitos nórdicos é importante para a compreensão de ensinamentos advindos de uma religião rural que são válidos também para a vida do odinista moderno.

Fonte: texto recebido por email. autor Vagner Cruz

UM SALTO NA IMAGINAÇÃO

pelo Caboclo 7 flechas – irmão Wilson

A imaginação nos leva para lugares, situações e sensações que queremo5z1a0zl s e planejamos.
Ela têm forças boas ou ruins, positivas ou negativas, isso vai depender onde queremos nos situar nas profundezas das nossas emoções, sensações e desejos.

Cada desejo é uma fonte da imaginação e às vezes ele quer que sejamos fortes, ricos, independentes, enfim que tenhamos poder.

Ficamos então a imaginar momentos que propiciem sonhos, aventuras, realizações, principalmente materiais,  imaginamos que temos muito dinheiro, muitas vantagens, sonhos que nos faz sair da realidade que inevitavelmente temos de viver.

Imaginar coisas boas materiais não é pecado, claro que não, só não devemos cultiva-las como fundamento maior na vida, pois seremos defrontados com a verdade que temos de acatar e absorver: Nossa real existência.

Isso não quer dizer que devemos ser amargos, não sociáveis, ao contrário, quando somos senhores daquilo que somos e os porquês de estarmos passando por esta fase na existência, compreendemos e assimilamos a alegria, confraternização, bem estar, amizade!

Nossa imaginação cria formas pensamento, e somos responsáveis por ela, portanto, quando nos sentimos cansados, sem animo, tristes, aborrecidos…, é porque elas voltam-se ao ponto de início, ai nota que não imaginamos o que profundamente deveríamos de bom a nós mesmos: É ruim…, isso é ruim!

Mas, é possível direcionarmos nossa imaginação para algo substancioso e profícuo, é preciso primeiro entender que a vontade é o ponto de partida de qualquer imaginação, se nos acostumarmos imaginar que esta vida é rápida, passageira, vamos começar pensando a como ser feliz na vida duradoura.

Nela seremos felizes quando também propiciamos a felicidade alheia, quando auxiliamos quem necessita, quando evoluímos junto a irmãos sedentos de aprendizado e conhecimentos, isso é possível; é só darmos um salto na imaginação, e nos ver servindo com prazer, sendo bom, honesto, correto, primando pela boa convivência através do caráter reto, ordeiro e apaziguador, tendo assim um convívio salutar e uma paz reconfortadora.

Amigo, tente imaginar você com outros amigos caminhando e encaminhando outros irmãos para viverem uma salutar imaginação:

É bom…, isso é bom!

SETE FLECHAS
Mensagem recebida pelo médium Wilson Tadeu Rivas

Porque Caboclos e Pretos Velhos?

Introdução, comentários e pesquisa de Alexandre Cumino – Publicado no Jornal de Umbanda Sagrada – Outubro de 2008

O texto abaixo é de Lilia Ribeiro, publicado na Revista Gira da Umbanda, numero 1, em 1972. Revista editada por Atila Nunes Filho.

Lilia Ribeiro foi dirigente da TULEF (Tenda de Umbanda Luz Esperança e Caridade) e editora do jornal informativo Macaia.

A TULEF foi uma das Tendas fundadas por médiuns que vinham da linhagem direta de Zélio de Moraes e que fazia questão de seguir ao maximo a orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Lilia foi quem registrou o maior numero de entrevistas com Zélio de Moraes e boa parte do material foi entregue diretamente a Mãe Maria, da Casa Branca de Oxalá. A palavra de Lilia é forte e carregada de embasamento, tanto quanto de vivência com a Umbanda de Raiz primeira.

Portanto todos os textos desta médium, sacerdotisa, autora e pesquisadora são de suma importância para a religião e não podem se perder no tempo.
São poucos os textos doutrinários de Lilia a maioria do que nos chega de sua autoria são as entrevistas e organização do pensamento e definições dadas por Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Vamos ao texto:

Uma das incógnitas que ainda perduram, na Umbanda, é a verdadeira nacaboclayara tureza dos Caboclos e Pretos-Velhos.
Várias opiniões formaram-se a respeito dessas entidades que, através de uma linguagem simples, emitem, por vezes, conceitos que revelam o pensamento erudito de um mestre.

No decorrer de vários anos de convivência com os nossos Velhos e Caboclos, observando-lhes os trabalhos, auscultando opiniões sobre os problemas da vida terrena, notamos que o grau de conhecimento, de evolução varia muito.

Encontramos Pretos Velhos aparentemente apegados aos bens materiais, fazendo questão do “tôco” e do “pito” que não cedem a ninguém, aborrecendo-se com facilidade, reagindo como simples criaturas humanas.

Outros, porém, revelam no procedimento e nas palavras, no acatamento à disciplina imposta necessariamente pela direção espiritual dos trabalhos, a luz espiritual adquirida.

Uns e outros referem-se às senzalas, à vida passada na escravidão ou nas aldeias.
Se o freqüentador assíduo dos terreiros não procurasse o guia apenas para lhe expor as dificuldades da vida terrena, buscando somente o con­selho para a solução mais fácil dos seus problemas materiais, teria oca­sião de receber ensinamentos pre­ciosos sobre a vida futura, as reen­carnações, a neces­sidade de ven­cer, com o próprio esfor­ço, a passa­gem difícil que se lhe apre­senta e que será mais um grau con­quistado na escola da vida.

Dizia José Álvares Pessoa que a Umbanda é, talvez, a única religião que se preocupa com os problemas ma­teriais do homem. Não por ser um culto mate­rializado.
Pelo contrário: percebendo co­mo o ser humano premido pelas difi­culdades que o seu próprio Carma con­duz, se afasta do criador, quando a en­fer­midade, a falta de recursos financei­ros, a desarmonia no lar se tor­nam mais poderosos que a sua crença, os dirigen­tes espirituais do nosso planeta organi­za­ram um movimento destinado a dar ao homem o conforto, o conselho, a aju­da através dos quais poderá ser, ainda uma vez, reconduzido aos caminhos da fé.

Criaram-se legiões de missionários e para que mais facilmente fossem aceitos e compreendidos pelas classes menos favorecidas, assumiram a feição ainda mais simples, apresentando-se como escravos ou nativos.

Mas terão sido realmente, todos eles, pretos ou índios?

Sabemos que a pobreza e a humanidade não afluem na escala espiritual;
a história da nossa pátria evidencia a lealdade, o caráter do índio brasileiro, o valor de muitos escravos.

Sabemos, igualmente que não existem fronteiras, no mundo astral.

Logo, não é de crer que haja um plano exclusivo para caboclos e pretos escravos.
Preferimos, portanto, adotar o conceito de muitos espiritualistas, entre os quais o acima citado J. A. Pessoa:

os guias participam desse movimento de socorro ao homem encarnado,
neste final do segundo milênio e se apresentam como Caboclos e Pretos Velhos, nem sempre tiveram a última passagem na terra como escravos ou índios; alguns, possivelmente, nunca o foram.

Assumiram essa personalidade como distintivo da missão que viriam a desempenhar.
Uns contam como viveram, há 2pretovelho 00 anos ou há pouco mais de meio século, nos engenhos ou nas aldeias indígenas. Outros abstêm-se de qualquer referência à sua passagem na vida terrena.

Pacientemente, dão atenção às queixas, ao relato dos pequenos problemas de rotina da nossa vida, aconselhando, animando, esclarecendo, conforme a necessidade de quem lhes fala.

Ensinam a mensagem do Evangelho, o perdão, o amor ao próximo, mos­tram como é necessário dar para rece­ber, perdoar para ser per­doa­do, corrigir as fa­lhas, dominar os senti­mentos de vingança, de inveja, para adquirir luz.

E através desse traba­lho humilde, incompreen­­dido, ainda, por mui­tos, vão prosseguindo na missão de recon­duzir o homem ao caminho que o levará a Deus.

Sua origem, não importa.
Se o Caboclo viveu como um cacique de uma tribo ou como iniciado de uma seita oriental, não interessa no momento.

Se o Velho foi escravo ou jovem médico, ou se foi mestre na magia, também não faz diferença.

O que vale, agora, é apenas a missão a ser cumprida, em benefício da humanidade,
para que o Brasil, futuro centro de difusão do Evangelho, esteja melhor preparado para o advento do III Milênio.

Transcrição completa do artigo publicado pela revista Gira da Umbanda, ano 1 – número 1 – 1972, Introdução, comentários e pesquisa de Alexandre Cumino
Publicado no Jornal de Umbanda Sagrada – Outubro de 2008 

Caboclo Tupinambá

Tupinambá, Tupinambátupinambas
Tupinambá,
Que vieste de tão longe
Tupinambá, Tupinambá
Que de Aruanda
Trouxeste vossa falange
P’ra defender vossos filhos
Das demandas
Ameaçados com as maldades da Quimbanda
Tupinambá, Tupinambá
Tupinambá
Que vieste de tão longe
Tupinambá, Tupinambá
Que de Aruanda
Trouxeste vossa falange
Oh! Mensageiro
Enviado de Jesus
Trazei coragem, harmonia
E muita luz..
Tava na beira do rio
Sem poder atravessar
eu chamei pelos caboclos
Caboclo Tupinambá
eu chamei pelos caboclos
Caboclo Tupinambá
Tupinambá chamei
Chamei tornei chamar eaahhh
Tupinambá chamei
Chamei tornei chamar eaahhh

A.D.

Recebido do grupo Boiadeiro Rei – www.boiadeirorei.com

Caboclo na Cultura Brasileira e na Umbanda

por Alexandre Cumino

O Caboclo das Sete Encruzilhadas, incorporado no médium Zélio Fecaboclo rnandino de Moraes, foi a primeira entidade a se manifestar na Umbanda, fundando a religião.

Neste dia, foi observado que ele estava com vestes de sacerdote católico e, plasmado como tal, quando questionando por um médium clarividente sobre esta condição, o caboclo afirmou ter sido, em uma de suas encarnações o Frei Gabriel de Malagrida e que na última encarnação, havia tido a oportunidade de encarnar como um índio brasileiro, e que era como índio, que ele queria ser identificado.

Assim, em sua primeira manifestação de Umbanda, a entidade se manifestou como caboclo e ao mesmo tempo ficou claro que desta forma se apresentou por opção, e não por falta de opção. Identificou-se como um espírito muito esclarecido e que facilmente seria reconhecido como autoridade no mundo material, mas preferiu a identificação humilde e despersonalizada de “caboclo brasileiro”.

Surge então o questionamento do que realmente quer dizer a palavra Caboclo em nossa cultura, e na Umbanda de forma mais específica.

O dicionário Aurélio, nos diz que Caboclo é o 1. Mestiço de branco com índio; cariboca, curiboca. 2. Antiga designação do indígena. 3. Caboclo de cor acobreada e cabelos lisos; caburé. 4. Sertanejo.

Um dos maiores pesquisadores, se não o maior, de nossa cultura, folclore e suas influências, Luiz da Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, onde aparece o verbete Caboco (assim mesmo sem o l de caboclo), descreve:

O indígena, o nativo, o natural; mestiço de branco com Índia;
mulato acobreado, com cabelo corrido. Morais fazia provir de cobre, cor de cobre, avermelhado. Diz-se comumente do habitante dos sertões,
caboclo do interior, terra de caboclos, desconfiado com caboclos.

Foi vocábulo injurioso e El-Rei Dom José de Portugal, pelo alvará de 4 de abril de 1755, mandava expulsar das vilas os que chamassem os filhos das indígenas de caboclos:

“Proíbo que os ditos meus vassalos casados com as índias ou seus descendentes sejam tratados com o nome de cabouçolos, ou outro semelhante que possa ser injurioso.”

Macedo Soares registra a sinomínia tradicional do caboclo: caburé, cabo-verde, cabra, cafuz, curiboca, cariboca, mameluco, tapuia, matuto, restingueiro, caipira. Da antiga denominação de caboclo aos mestiços avermelhados ainda há a imagem da cor maribondo caboclo, boi caboclo, formiga cabocla, pomba cabocla, todas com tonalidades
vermelhas ou tijolo.

Era até fins do séc. XVIII, o sinônimo oficial de indígena.

Hoje indica o mestiço e mesmo o popular, um caboclo da terra. Discute-se ainda a origem do vocábulo, indígena ou africano.

Folclore: Gustavo Barroso (Ao som da Viola, Rio de Janeiro, 1921) fixou o “Ciclo dos Caboclos” (403-419) com documentário poético e anedotal. O caboclo no folclore brasileiro é o tipo imbecil, crédulo, perdendo todas as apostas e sendo imcapaz de uma resposta feliz ou de um ato louvável.

Gustavo Barroso lembra que essa literatura humilhante é toda de origem branca, destinada a justificar a subalternidade do caboclo e o tratamento humilhante que lhe davam.

Os episódios vem, em boa percentagem de fontes clássicas, com a mera substituição da vitima escolhida. O caboclo é o Manuel tolo, o Juan tonto europeu, aclimatado no continente americano com o nome de João bobo, uma espécie de sábio de Gothan. Há muitas histórias em louvor do caboclo, sua inteligência, registradas no citado livro, assim como no de José Carvalho (um matuto cearense e o caboclo do Pará, 9-15, Belém, 1930). Namoro de caboclo é aquele em que a namorada ignora quem é seu apaixonado. Num outro epsódio entre o caboclo, o padre e o estudante, repete-se o motivo do melhor sonho (Mt-1626, de Aarne-Thompson). Quem tiver o mais bonito sonho comerá o queijo. Pela manhã o padre descreveu a ascensão para o Céu; o estudante sonhara com o próprio paraíso. O caboclo informou que, vendo um dentro do Céu e outro já perto, comera o queijo, porque ambos não mais precisariam. E tinha comido mesmo (Gustavo Barroso, 413-414).

É a fábula XVII do Displina Cléricalis, de Padre Afonso (1062-1110), entre dois burqueses e um camponês, a caminho de Meca. Um dos divulgadores da novelística italiana foi Geraldo Sintio (um romano, numero 3 do Ecatommt), que a diz sucedida em Roma, no ano de 1527, com um filósofo, um astrólogo e um soldado.

O tema está em quase todos os idiomas, formas e literaturas, dispensando bibliografia ilustradora. O caboclo aceitou, com a sujeição física, essa popularidade pejorativa para oficializar a inferioridade de seu estado (Luiz da Câmara Cascudo, 30 Estória Brasileiras, “O Preço do Sonho”), 30-32, Porto, 1955.

Devíamos escrever Caboco, como todos pronunciam no Brasil, e não Caboclo, convencional e meramente letrado. Caboco vem de Caá, Mato, Monte, Selva; e Boc, Retirado, Saído, Provindo, Oriundo do Mato, exata e fiel imagem da impressão popular, valendo o nativo, o indígena, caboco´bravo, o roceiro, o matuto´bruto, chaboqueiro,
bronco, creduo, mas, vez por outra, astuto, finório, disfarçado, zombeteiro. Cabôco, e a pronuncia nacional, mesmo para os letrados que escrevem “caboclo”, Caá-Boc, tirado ou procedente do mato, registra Mestre Thedóro Sampaio.

Depois de toda esta explicação de Câmara Cascudo, fica claro o que quer dizer a figura do caboclo em nossa cultura.

Com a dizimação do índio em nosso convívio, o tempo vai dissociando sua imagem da palavra, e cada vez mais o vocábulo caboclo vai se tornando na figura de linguagem um homem simples.

Os espíritos que militam na Umbanda, se dividem em falanges ou povos, sejam de caboclos ou de pretos-velhos, baianos, boiadeiros, marinheiros, crianças, ciganos, exu e pomba-gira.

Vemos uma identificação despersonalizada de ego que caracteriza aqueles que estão acima da identidade individual, ou seja, as entidades na maioria das vezes não usam seus nomes de batismo, estando aquém de qualquer identificação, transcenderam a
individualidade.

São muitos espíritos que usam o mesmo nome como: Pena Branca, Pena Verde, Pena Roxa, Pena Vermelha, Pena Dourada, Flexa Branca, Folha Branca, Sete Flexas, Sete Penas, Sete Folhas, Sete Montanhas, Ventania, Rompe Mato, Urubatão, Ubirajara, Aimoré, Tupinambá, e outros.

Chegamos até a encontrar num mesmo terreiros dois ou mais caboclos que usam o mesmo nome, pois não é seu nome como indivíduo, e sim, um nome que identifica seu trabalho e a força que o rege.

Por exemplo, Pena Branca é de Oxossi e Oxalá;
Pena Dourada é de Oxossi e Oxum;
Sete Montanhas de Xangô;
Ubirajara de Oxossi e Ogum, etc.

Caboclo é um Mistério na Umbanda, uma linha de trabalho, uma falange, um grau, o identificador de entidades que trabalham nesta vibração que está ligada ao Orixá Oxossi, o Orixá das Matas.

Existem caboclos de todos Orixás e todos têm algo em comum que os identificam como tal presentes em sua forma de apresentação.

Nossa essência, nosso, espírito, não têm cor, nem raça. Muitos podem entender o que isto quer dizer, mas viver assim só é possível para aqueles que já se desapegaram da matéria e de sua individualidade, não vivem ou trabalham apenas para si e sim para o todo.

Assim são os Caboclos. Poderíamos escrever páginas e páginas falando sobre o Caboclo na Umbanda, mas, talvez o mais importante, é que eles não sejam subestimados, pois apenas uma coisa é certeza: Embora não pareça, todos eles são muito mais que caboclos. Fato que apenas não é visível ao leigo, pois como caboclos, foi apenas a forma que eles
escolheram para se manifestar.

Escrito Por Alexandre Cumino

Volta, Caboclo!

Vem das tuas verdes mataspp para o recesso da minha mediunidade saudosa dos teus benditos fluídos!

Vem incensar minh’alma com o aroma da tua presença querida, fazendo ecoar em meus ouvidos atentos, a tua vibração!

Vem trazer-me o calor das tuas palavras fluentes, traduzidas na sonoridade das folhas das palmeiras quando se espanam no ar…

Quero, contigo, apanhar as folhas da Jurema para adornar todo o meu Juremá… Cruzar meu caminho com galhos de arruda e enfeitar minha gira com ramos de guiné…
Vem… Traz o teu arco forte e a tua flecha certeira… Vamos, numa só vibração, penetrar no seio da mata virgem, procurar o inimigo que lá se esconde e desarmá-lo, à pujança do teu braço forte!

Volta, Caboclo!
Coloca em minha fronte o teu belo cocar… e entrosa em mim, tua essência pura de aromáticos jardins, contida em tão pequeno frasco!

Como podes usar-me, tu, enviado bendito das falanges superiores, para cumprimento da tua missão?
A que sacrifícios se submete a tua aura, pois, sendo tão grande, consegue incorporar-se num tão diminuto ser!…

Mesmo sabendo-me o mais insignificante dos teus médiuns, rogo-te, com ânsias desesperadas na voz e uma saudade torturante em meu coração: “Volta ao teu reino de luz onde impera a verdadeira caridade! Volta ao teu pegi de amor onde te aguardam, ansiosos, os teus filhos de fé e o teu modesto aparelho receptor…

As ondas vibráteis da minha mediunidade querem voltar a funcionar ao toque das tuas abençoadas mãos… Teu regresso será uma festa emocional onde as lágrimas mal contidas se confundirão com o sorriso de algumas criaturas que não sabem chorar…
Teu ponto riscado iluminado está… teu ponto cantado, entoado num só diapasão de voz, te abrirá ao nosso meio, para aconchego dos que reconhecem em ti, um trabalhador no campo sublime da caridade!…

Teu assobio atrairá a atenção daqueles que ainda te crêem em missão no Alto e de pronto, estarás entre nós, numa vibração harmoniosa que a todos envolverá.
Volta, Caboclo! Sem ti sou qual ave sem ninho… Pássaro sem asa… Árvore sem ramagens…

Volta, Caboclo… Minha cabana te espera… A copa dos arvoredos se cobre de flores ao ciclo mágico da primavera… O perfume dos jasmins perpassa pelo ar e o caminho do teu regresso está se aromatizando de incenso, mirra e de benjoim…

Curumins alegres – os teus curumins – vestidos de branco, irão espalhando, pela orla do vale, pétalas cheirosas à tua passagem… Vem… Tudo se prepara para tua chegada… Os tambores saudarão a tua vinda junto com os aplausos daqueles que respeitam e reconhecem o valor da tua gira!

Volta, Caboclo!

Minhas mãos te buscam na sinceridade DESTA súplica onde se patenteia o meu amor por ti e a gratidão ao Médium Supremo por me ter apontado para ser teu pequenino médium!
Volta, Caboclo…
Volta…

A.D.
Publicado por:Atila Nunes em Antologia de Umbanda.

OS ANIMAIS NO XAMANISMO

Extraído do meu livro : O Espírito Animal – Ed. Roca

É do estudo do xamanismo que podemos aprender muito sobre as2006121222213670 interações mentais entre homens e animais. Seres espirituais sejam na forma de santos, anjos, ancestrais, fadas, duendes ou animais totêmicos compõem o repertório de nossos mitos antigos nas diversas escrituras. Quando as crenças são universais, devemos dar algum crédito a elas. O estudo dos totens animais é muito importante para a compreensão de como o reino espiritual se manifesta na vida natural.

O conceito de “medicina”, que emprego, quando se refere; a medicina da águia, poderes medicinais do urso, medicina pessoal, e etc. se referem aos quatro corpos: O emocional, o físico, o mental e o espiritual. O termo medicina é empregado para o poder pessoal, dádivas de sabedoria, força física, clareza espiritual, talentos. É um modo de vida consciente através da relação de cura, com nossa Mãe Terra e suas crianças, nossos familiares, amigos, plantas, pedras e as pequenas criaturas.

É trilhar o caminho da vida em harmonia, amor, equilíbrio com a Terra e o Universo. Tudo que afeta o equilíbrio, afeta uma medicina.

As relações entre o xamã e os animais são de natureza espiritual, e de uma intensidade mística tal que se torna difícil para a mentalidade moderna, cética, imaginá-la. A relação era tão íntima que os xamãs achavam possível tornar-se um animal. Ao se tornar um animal mítico, o homem transformava-se em algo maior e mais forte do que ele próprio.

O pensamento xamânico diz que existe uma mente grupal, e um animal arquetípico ou mestre para cada espécie. Os espíritos animais estão seguros numa espécie de consciência coletiva e sabedoria de suas espécies. Em conseqüência, espíritos animais são excelentes professores, guias, auxiliares da humanidade.

Muitos rituais do passado usavam animais. Em algumas sociedades antigas o sangue foi um meio de liberar energia psíquica. Esse foi o único caminho que sabiam.

Hoje temos desenvolvido a energia psíquica humana que é vital e forte, sem precisarmos do sacrifício animal. Expandimos a nossa consciência, nossa criatividade, de uma maneira que é melhor para toda a vida que nos cerca.

As cerimônias efetivas se harmonizam com as tradições antigas e com os insigths modernos. Constroe-se sobre o velho e soma-se criativamente.

Os xamãs tem ao menos um animal de poder, que age como espírito guardião e como intermediário para acessar outras realidades. Nas viagens xamânicas ele assume os talentos de seu animal e vê de maneira diferente. Os animais protegem os xamãs em trabalhos perigosos e são fontes de conhecimento. Para o xamã japonês, eles podem ser uma forma exaltada de uma transformação do Buda. 6615

Os animais no xamanismo, são também, classificados segundo os quatro elementos ( há variações de linhas ) :

  1. Criaturas aquáticas, anfíbios – elemento água 
  2. Répteis – elemento terra
  3. Pássaros – elemento ar
  4. Mamíferos – elemento fogo

Os animais da água são freqüentemente, os guardiões de nossos sonhos, guardam conhecimentos e facilitam projeções astrais. Os anfíbios nos ensinam a refletirmos para aprendermos a usar as emoções ( água) construtivamente ( terra).

O Reino dos pássaros é o ar que interliga o Paraíso com a Terra.São os pássaros que se movem entre ambos. Fazem o caminho entre a espiritualidade e a matéria. O ar em movimento é o vento que simboliza a o movimento e a capacidade de voar, nas asas da inspiração, intuição e criatividade.

Os insetos reúnem habilidades para voar, espalhar, a adaptabilidade, a armadura, a reprodução, organização, fertilização, etc.

A aranha entre os nativos americanos é ao mesmo tempo Avó e Criador, que criam novas energias dentro da existência.

Os répteis são os guardiões dos registros da Terra, ensinam a capacidade de sobrevivência.

Algumas versões da Roda Medicinal trazem o seguinte :

Direção Elemento Totem Animal Portal Corpo
Leste Fogo Águia Dourada Iluminação e Claridade Espiritual
Oeste Terra Urso Cinzento Introspecção Físico
Norte Ar Búfalo Branco Sabedoria Mental
Sul Água Coiote Fé/Emoções Emocional

Os povos nativos têm acreditado que os clãs animais têm grandes poderes medicinais que eles compartilham conosco, se nós temos a sabedoria para receber os ensinamentos.
O antropólogo Michael Harner, em seu livro “The Way of The Shaman ” descreve que quando uma pessoa está doente ela fica desanimada , ou seja ela perdeu sua força animal, está deprimida, fraca e predisposta a adoecer.

Os povos xamânicos chamam a energia dos animais honrando-os. Nós também podemos tirar proveito desses poderes, em todo o conjunto do seu clã, por um processo chamado invocação.

wolf1 Invocação pode ser entendida como um tipo de prece, um caminho para chamar o espírito de certos animais, até nós.

Quando nós invocamos, nós estamos literalmente convidando um espírito animal para viver perto de nós, então podemos compartilhar de seu poder medicinal. Ao invocar um espírito animal, estamos rezando para o conjunto das espécies daquele animal.

Quando nós invocamos algum animal, chamamos a sabedoria do conjunto das espécies. O simples fato de procurar deliberadamente o seu poder e de inclui-lo em nossa vida pode transformar completamente a nossa maneira de viver. Você não estará chamando espíritos de animais mortos ou vivos, não deve procurar o seu animal de poder fora de você, ele está no seu interior. Ao invocarmos a Águia, invocamos o poder, conhecimento e experiência de todos as águias, da alma coletiva, da essência espiritual do animal que vive na Terra, e no Mundo Espiritual.

Deve-se estudá-lo atentamente para aprender mais coisas a respeito de sí próprio. Quando interagimos com os animais, nós aprendemos a vê-los e tudo na natureza toma um novo caminho. Nós chegamos para apreciar e reverenciar a sabedoria e poder, inerentes a todos os seres da natureza. Nos temos nos desenvolvido na ciência, tecnologia e habilidade analítica, mas os espíritos animais têm outros poderes que, em alguns caminhos, vão além de todos os nossos próprios. Nós podemos receber a sua orientação e sermos curados por sua medicina, por invocar seus poderes até nós.
Podemos usar os totens animais para aprender sobre nós mesmos e sobre mundos invisíveis. Há uma força arquetípica que se manifesta através dessas criaturas. Esses arquétipos têm suas próprias qualidades e características refletidas pelos comportamentos e hábitos dos animais.

Um xamã pode ter vários animais de poder como auxiliares, para objetivos específicos. Você poderá trabalhar com outros animais, e os descobrirá à medida que for desenvolvendo habilidades xamânicas, mas seu animal principal continuará sempre sendo o mais importante para você. Alguns xamãs não aconselham revelar o seu animal de poder para outras pessoas, outros falam publicamente, o certo nesse caso é que cada um ouça a sua voz interior, e que tenha uma clara e boa intenção ao revelar.

Quando encontrar seu animal, você saberá, ou então ele se comunicará com você de alguma maneira. Se quiser poderá falar com ele. Ao voltar da viagem ele o acompanhará através do túnel, de forma que a energia dele estará ao seu lado, o tempo todo, pronta para ser usada quando você quiser.

Comece a meditar sobre seu animal, faça visualizações simples, imagine-o na sua frente. Deixe que ele se comunique telepaticamente com você. Veja como ele pode ajuda-lo em diferentes áreas da sua vida. Não use o racional, não se preocupe em entender, vá com o coração e a mente de uma criança, que obterá uma conexão mais forte com ele.

Visualize seu animal se fundindo em você. Faça meditações onde você se vê como o animal.

Faça canções para seu animal. Não precisam ser muito elaboradas. Algumas linhas melódicas simples e repetitivas servem de excelentes ferramentas. Você poderá criar numa melodia que já conhece. Até que um dia receba a “Canção de Poder” do seu animal. ( processo de canalização )

A tarefa do animal de poder é manter a sua energia sadia – física, mental, emocional e espiritualmente, provendo direcionamento e apoio. No dia a dia qualquer um pode invocar seu animal de poder quando precisa de energia extra ou assistência, ou num lugar perigoso, ou em época de enfermidade.

Um dos métodos mais famosos para entrar em contato com o animal de poder é a Busca da Visão. Usualmente o praticante vai para um lugar ermo, montanhas ou florestas, jejuando, as vezes dormindo no relento, em alguns casos bebendo plantas de poder, aguardando por uma visão
Um caminho muito simples para invocar um espírito animal. é visualizá-lo e chamá-lo de coração. SpiritWolf

Se você, por exemplo, precisar de uma maior coragem, poderá visualizar um Leão e invocar:

Espírito do Leão. Eu estou chamando você. Viva dentro de mim e abasteça-me com sua coragem.

Quando termina a invocação, agradecemos ao Espírito Animal, pela sua ajuda.

Você deve compreender que está invocando uma virtude, não confunda esse trabalho com religião. Você não estará adorando ídolos, e sim reverenciando e honrando uma obra da Criação Divina, e não substituindo a fé em Deus, que é insubstituível.

Você também pode se inspirar com fotos do animal, camisetas, estatuas, quadros, etc. O animal também pode ser invocado, imitando igualando o seu comportamento. (Dança Animal) Dessa forma nos alinhamos com as suas energias, e chamamos o seu espírito até nós. Nós podemos agir como animais, fazer sons, convidando-os a trazerem seus poderes até nós.

Podemos rondar e urrar como um Leão, assim que invocamos o seu espírito. Podemos espalhar nossos braços e voar como uma Águia. Rastejar como uma serpente.

Os xamãs costumam, Ter suas canções, que são enviadas pelos espíritos guardiões, para invocar seu poder. No xamanismo, quando nos harmonizamos com nosso animal, ele nos envia canções. As canções de poder não são compostas, e sim canalizadas. São um fenômeno de liberação psíquica, mediúnica. Elas podem trazer felicidade, bem estar, cura, transe, entendimento, reflexão. Todo o xamã tem sua canção de poder. Harner sugere que para ter uma canção de poder, você deve ir sozinho,num lugar agreste,onde não haja ninguém. Não tome café e jejue o dia todo. Caminhe sossegadamente e as vezes sente-se. Peça sua canção ao Universo. Depois que receber a canção, quanto mais você a canta, mais ela fica impregnada de energia e ainda ajuda-o a entrar em outro estado de consciência.

Mesmo não recebendo a canalização, você pode invocar um espírito animal, criando uma música. Por exemplo:

Espírito do Golfinho. Eu chamo você
Seu espírito está aqui agora
Ajude-me a me comunicar melhor com todos
Espírito do Golfinho, viva em mim.

Não é necessário que a invocação tenha rima. Procure visualizar o animal na natureza. Respire profundamente e use suas próprias palavras, colocando vida na voz. Você poderá usar a melodia de uma canção já conhecida, caso queira.

Sinta, como no exemplo acima, seu nariz igual ao bico de um golfinho, suas nadadeiras, seu corpo fluindo nas águas, sinta-se um golfinho. Peça para o Golfinho viver em seu coração, enchendo você de pureza, paz, harmonia, sabedoria. Agradeça ao Golfinho, quando terminar.

Use a energia de seu animal de poder no cotidiano. Para tomar decisões importantes, para reabastecer-se de energia, para enfrentar obstáculos.

Quando, por exemplo, você tiver que ir a algum lugar, que suspeite ter uma energia pesada visualize seu animal de poder indo na sua frente e criando um círculo de proteção que o protegerá desde o momento que entrar no recinto. O contato periódico com seu animal é que determinará as melhores formas de comunicação entre vocês

No xamanismo realizamos uma ritual, com tambor, para que os praticantes se conectem com seu animal, e também deixamos nosso animal aflorar através da “Dança do Animal”, uma outra forma de evocação, unificando o animal de poder com o dançarino . No xamanismo, os praticantes costumam, também ter as suas canções, para evocar o poder dos animals.

Evocando com palavras, visualizações, você logo descobrirá, intuitivamente outros meios de comunicação com eles. Eles poderão trazer mensagens em sonhos, e as vezes aparecem nas suas dúvidas em out doors, revistas, camisetas, em plásticos de automóveis, ou seja criando sincronicidade, vindo por uma variedade de sinais.

Existem numerosas formas para facilitar a invocação dos espíritos animais. Uma coisa que facilita é passar o maior tempo possível em contato com lugares naturais e selvagens, mas a invocação também poderá ser feita no seu jardim, ou num quarto com gravuras da natureza e plantas. E é claro assim como os animais respeitam a natureza, quanto mais nos aproximarmos e respeitarmos a natureza e todas as suas crianças, isso também se tornará uma grande invocação.

Wolf_Spirit__ Descobrindo-se o totem animal, e estudando-o aprenderá a fundir-se com ele, e assim poderá chamar a sua energia sempre que necessário. Quando você honra o totem, estará honrando a essência espiritual, a energia que está por trás dele. Uma força real. Aprendendo a trabalhar essa energia você estará aprendendo a linguagem da natureza, e ai se abrem mistérios, segredos.

Na minha primeira cerimônia do animal guardião, descobri meu animal de poder, e com ela pude realmente voar. Mostrou-me os caminhos para chegar ao xamanismo e o insigth que aquela enorme pomba em minha cama aos 11 anos, não era pomba, era uma Águia.

Minha sensibilidade ficou muito mais aguçada, minha criatividade se expandiu, e recebi sua canção de poder :

Minha Guardiã
Águia, prá onde voas
Águia, prá onde vais.
A voar, a voar, a voar, a voar
A voar a voar sem parar

Águia, o que tu buscas.
Águia, o que tu procuras.
A voar, a voar, a voar, a voar.
A voar, a voar, lá no Céu.

Águia, não me abandone.
Guia meu caminhar
A voar, a voar, a voar, a voar.
A voar, a voar, para mim.

És minha Guardiã
Contigo, não vou recuar.
Vou voar, vou voar, vou voar, vou voar.
Vou voar, vou voar, com você.

A medicina da Águia é poderosa, voa alto, acima da ignorância humana, ajuda-nos a conquistar os limites desse mundo e a alcançar outros reinos. Ela ajuda no desenvolvimento dos poderes xamânicos, viajando em mundos alternativos. Com os olhos da Águia, nós podemos ver com a visão da Luz Solar, clareando a verdade na escuridão da ilusão. Permite-nos ver a distância, para enxergar a nossa própria vida, livre de preconceitos e preocupações. Permite-nos voar longe dos limites dos detalhes, focando coisas mais importantes, e, desenvolvendo nossos espíritos. Sua medicina também é a liberdade de vôo, não se prende a vícios, ou a padrões negativos.

Ensina a atacar nossos medos pessoais do desconhecido. Ensina a ampliar a percepção sobre nós mesmos além dos horizontes visíveis. Ela é considerada também o Leão Alado (coincidência?). Ambos estão associados á energia masculina e ao Sol.

É interessante, que ao trabalhar com o animal guardião, muitas respostas apareceram na minha vida em situações das mais diversas, tais como out doors, adesivos de carros, camisetas, nuvens no céu com o formato animal, sonhos, etc. Abre-se o portal da sincronicidade.

Eu chego a ter sensações físicas; na testa, nas sobrancelhas, nas costas, como se estivesse me transformando. As vezes me olho no espelho e vejo meu rosto a imagem imagem do meu animal de poder, sem contar muitos amigos e pessoas que participam de minhas cerimônias, que vêem em mim, quer seja no meu rosto ou acima de mim o meu aliado. Numa cerimônia do Cachimbo Sagrado com um Xamã Coiote-Em-Pé, o seu filho, que mal me conhecia, veio me falar da visão que ele teve comigo andando correndo numa planície e transformar-me numa Águia.

Certa vez também na minha casa em São Paulo, o xamã David Geiger, condutor de uma tenda de suor lakota, teve a visão no ritual do chanunpá (Cachimbo), que sob minha cabeça, vou uma Águia e deixava cair sobre minha cabeça, várias penas, formando uma espécie de cocar.

Muitas pessoas confundem imagem com ilusão. A imaginação é uma força da mente para criar e trabalhar com imagens. É principio da criação. Tudo antes de ser criado é imaginado, essa capacidade pode nos abrir para outros reinos, nos ajuda a restabelecermos contato com um conhecimento perdido, a auxilia-nos na cura, nos abre para altas visões e introvisões de significado

Tenho vários relatos, de alunos, que tiveram resultados significativos, após seu encontro com o animal:

Uma mulher de 28 anos, certa vez participou de uma cerimônia do animal guardião que transformou sua vida. Ela vivia doente e desanimada, tinha uma baixa imunidade, manchas na pele, não tinha ânimo para sair com amigos, não conseguia arrumar emprego, namorando então…Nem de longe.

Vou antecipar uma queixa que ela me havia feito no final da vivência, ela detestava mel, não podia nem sentir o cheiro que lhe dava náuseas. Daí ela fez a cerimônia do animal e adivinhe que animal chegou a ela?

O Urso! E quando ela perguntou o que deveria fazer para melhorar a sua situação, o seu desânimo de viver, ele respondeu que ela deveria comer mel.

Ela chegou até para mim, mais desanimada ainda falando:

- Léo! Só pode ser coisa da minha imaginação! Justo mel que eu detesto!

Eu lhe respondi que a resposta tinha vindo do seu interior, e que ela deveria entender a magia que está por trás disso. Eu recomendei que pegasse uma colher de chá de mel, e misturasse com um suco de frutas, e que ao tomar visualizasse o seu animal guardião.

Após três meses ela apareceu totalmente transformada. Sorridente, sua saúde tinha melhorou, recuperou o entusiasmo pela vida, arrumou emprego, só faltou namorado, mas ela estava com alguém em vista. Eu perguntei a ela o que se passou para tanta transformação, e ela respondeu:

- Léo, eu só não estou colocando mel no arroz e feijão, no resto eu ponho em tudo!

É claro, que os mais céticos podem dizer que foi apenas auto-sugestão, e pode ser. Mas, o que importa? Porque não podemos viver o mistério, a magia? O mais importante para mim foi ver uma pessoa mais confiante, com mais auto-estima, acreditando que dentro dela existe uma força capaz de transformar o feio em belo.

Através da imagem em ação as energias espirituais de interconectam com o mundo físico. É a realidade em níveis além do mundo dos sentidos. Criamos uma nova espécie de consciência, cores, formas, etc. Abre as portas para a intuição, nos liga com o mundo criativo, Isso é que ajuda sua identificação com seu totem, desperta sua energia para a vida. Crianças freqüentemente sonham com animais, deveríamos dar mais atenção a isso.

Nas vivências e workshops, recebi relatos de curas interessantes, insigth´s poderosos, pessoas que passaram a ver a vida com mais beleza, amaram mais a natureza, acreditavam mais no seu poder pessoal, saíram de situações difíceis.

Na consciência ordinária, o homem limita-se ás leis de causa e efeito. Está preso na linha do tempo (passado, presente, futuro). Ao compartilhar, a consciência de um animal, ele pode transcender o tempo e o espaço, e as leis de causa e efeito. Tornando-se um animal, o mundo se vitaliza e se renova.

O xamanismo praticado com Plantas de Poder (Ayauasca, Peyote, San Pedro, etc) também reforçam essa conexão do homem com o animal. O Jaguar, depois da Serpente, é o animal que surge com mais freqüência, nas visões proporcionadas pelas plantas. Também visões de Águias, Condor, Lobos e outros.

Bruce Lamb em seu livro O Feiticeiro do Alto Amazonas narra a visão sob efeito da bebida sacramental ayauasca, ou nixi honi xuma, com índios na Amazônia que abaixo segue resumida:

Com o canto da jibóia, uma jibóia gigantesca apareceu deslizando lentamente pela floresta. Luzes faiscavam de seus olhos e sua língua. Os padrões da pele da serpente brilhavam com intensas cores. Depois vieram umas surucucus gigantes, umas jararacas e muitas outras.

Depois vieram os pássaros, em especial da família do gavião. Com o canto especial do Gavião, apareceu uma enorme águia faiscando seus enormes olhos amarelos. Depois vieram os animais, grandes e pequenos, cada um com seu próprio canto.

Tive uma visão muito forte num trabalho espiritual do Santo Daime (Ayauasca), em Mauá – RJ. No ápice da manifestação da bebida sacramental, senti meu corpo leve, e tive a visão que estava voando nas costas de uma Águia, e depois eu me senti a própria Águia. Podia ver toda a paisagem de cima, sentia o vento bater em meu rosto, eu estava voando.

Alguns anos após no Peru, fazendo uma cerimônia da Ayauasca com o Xamã Mateo Arevalo, nativo da tribo Shipibo em Pucalpa, Amazônia Peruana, olhando para o Céu, vi uma imensa bola dourada, que rasgava a escuridão, vindo em minha direção. Uma visão magnífica, a figura de um enorme Leão, com uma juba imensa que balançava para frente e para trás com o vento, que chegou e parou no ar bem na minha frente. Eu não sentia medo, sentia um deslumbramento. Olhava para mim fixamente. Ao final da sessão Mateo me disse:

- A Ayauasca abriu o seu mundo. Seu mundo é dos Leões. Você sabe o que está por trás do seu nome Léo? Léo é Leão! Você de agora em diante deve passar a trabalhar com ele!

Em Machu Pichu, fazendo, a cerimônia do Uachuma, o cacto San Pedro, com meu amigo e curandeiro Agustin, tive as visões de Animais Sagrados; o Condor, o Puma, Elefantes e outros.

Certa vez num ritual de cura do Santo Daime, em Camanducaia, meu nariz e boca começaram a vibrar, e senti que estavam crescendo, e eu me percebi com a cabeça de um Lobo, logo após estava transformado em Lobo e andando na floresta.

Fazendo uma cerimônia de cura para o meu pai, também senti que tinha incorporado uma Águia, e voei para dentro do meu Pai, conseguindo obter preciosas informações sobre o seu estado de saúde.

É importante frisar que todas as visões tiveram, para mim, significados muito mais profundos do que o relato e as belezas das visões. O aprendizado e as conseqüências das visões quero manter no mistério.

· Todo o animal tem um espírito poderoso.

· Este espírito pode ser o próprio, ou de um ser que usou a imagem de um animal para comunicar mensagens ao mundo dos humanos.

· Todo o animal tem seus próprios talentos. O estudo de seus talentos revelará o tipo de medicina, magia, e força que poderá ajudar você a se desenvolver.

· Os animais de poder são, usualmente selvagens, não domesticados. Há poucas exceções, mas, mesmo essas exceções são um caminho para o animal de força verdadeiro. Ou seja, eles servem como elo. Exemplo: um cão pode ser um elo para o lobo ou coiote. O gato pode ser um elo para um leão, pantera, tigre, etc. É um caminho de passagem para levar ao animal de poder verdadeiro, e não pode ser desconsiderado. É como se fosse uma etapa de preparação.

· Os animais (e suas energias) trabalham em você. Você é um microcosmo. As energias do Universo estão dentro de você, o Universo vive em você.

· O animal escolhe a pessoa, e não o contrário. Quem busca um animal, geralmente é porque encontra o ego no meio do caminho. A pessoa pode escolher um animal por causa do seu glamour, e isto não trás resultados e sim frustrações. Nenhum animal é pior, ou melhor, do que outro. A medicinal de cada animal é única. Muito melhor você estar poderoso usando a medicina do rato, do que ineficaz na medicina do Urso. O seu maior sucesso está em trabalhar com o animal que vem para você.

· Você deve desenvolver um relacionamento com seu animal. Para se comunicar com eles é necessário respeito. Você deve aprender seus pontos de vista. Eles devem aprender a confiar em você e suas limitações. E você deve aprender a confiar neles e suas limitações. Isso requer tempo, paciência e prática.

· Você deve aprender a honrar seu totem e sua medicina para que esteja efetivo em sua vida. Quanto mais efetivo, mais poderosos eles se tornam. Poderá pendurar gravuras, estátuas. Lendo e aprendendo como eles se comportam. Usando camisetas, pequenos símbolos e imagens, dando aos amigos como presente. Esses fetiches são um lembrete da força e espírito de seu totem animal.

· Fazer doações para organizações de animais selvagens.

· Dançar é uma forma poderosa de honrar seu animal. Desenvolva a mímica de seus movimentos. Guardando-o vivo dentro de sua imaginação. Você poderá um dia ver o seu animal no seu próprio rosto, sentir sensações físicas. Por exemplo: Quando está bem sintonizado com o coiote, poderá sentir seu nariz alongando como se fosse um focinho.

· A imaginação é um elo real para seu animal.

· Quando você aprende a trabalhar com a medicina de seu animal, isto se torna uma porta para conectar com outro do reino animal. Você não estará limitado a só um totem. Outros podem somar coisas que o seu próprio não tem. Trabalhando com a força de seu animal, ele ensina como se alinhar com os outros. Através de seu animal de poder, você pode se alinhar com as energias de outros animais e de outras existências.

· Embora existe o totem maior para a sua vida, que é seu animal de poder. Você poderá ter um para um dia determinado, ou trabalhar com outro em determinado período de sua vida. A chave está em você manter uma forte conexão com o seu principal, isso expande o seu conhecimento e abre a ponte para os demais mais facilmente.

· Várias pessoas podem Ter o mesmo totem. Podem ser formados grupos onde todos os participantes trabalhem o mesmo espírito animal. Porém a energia poderá se manifestar diferente para cada participante.

Certamente, e agora mais que nunca, é necessário para a humanidade se reconectar com a MãeTerra.

Harmonia – Amor – Paz e Luz

Léo Artése