FILMAGENS DE NOSSO LAR


Fotos do Filme Nosso Lar – Palestras – Eventos – Conferência Virtual sobre a Revista Espírita – Seminário – Paula Zamp e Dr. Sergio Felipe de Oliveira – Allan Vilches -
O Clarim Caibar Schutel.

FILMAGENS DE NOSSO LAR

Já está sendo filmado “Nosso Lar”, pela Fox Filmes. O roteiro é baseado na obra mediúnica de André Luiz, psicografado por Chico Xavier, com Renato Prieto representando André Luiz. Um filme que, com certeza, marcará o cenário cinematográfico brasileiro e trará maior compreensão da fé espírita. Estará em cartaz em 2010.

Na esteira do sucesso de “Bezerra de Menezes”, e da pré-produção de “Chico Xavier” pela Globo Filmes, o novo roteiro de temática espírita deve ser o longa-metragem Nosso Lar, baseado na obra de Chico Xavier, pelo espírito André Luiz. O projeto é da Federação Espírita Brasileira (FEB) e da Cinética Filmes.
O roteiro é baseado no livro “Nosso Lar”, primeiro romance trazido pelo médium mineiro Chico Xavier, da série em parceria com o espírito do médico André Luiz. Narra sua trajetória depois de desencarnar, passando pela cidade espiritual que dá nome ao livro, até retornar à Terra para rever seus familiares. Em essência, “é a história de um homem que vai aprender a amar a si e aos semelhantes – e a Deus sobre todas as coisas”.

Publicado inicialmente em 1944, o livro encontra-se em sua 58a. edição e, em breve, alcançará a marca de 2 milhões de exemplares vendidos. Já foi traduzido para o alemão (duas versões), francês (duas versões), inglês (três versões), japonês, esperanto, italiano, espanhol, grego e tcheco. Considerado como um dos 10 melhores livros espíritas do século XX (pesquisa da Organização Candeia), já foi montado em peças de teatro e em programas de rádio. Agora, pela primeira vez, será levado às telas de cinema.

FONTE: http://rascunhopassadoalimpo.blogspot.com/2009/07/nosso-lar-o-filme.html

A cena filmada neste espaço é do momento em que André chega ao hospital da colônia NOSSO LAR, depois de um longo período no Umbral.

É uma produção americana e com a maioria da equipe estrangeora, mas com elenco nacional.
A produção realmente impressiona pela sua estrutura, pelo número de profissionais envolvidos e equipamentos. Uma boa produção, um elenco excelente e uma história fantástica são elementos fundamentais para acreditar que este é um filme que promete!

Mário Cesar Filho
Atividade: Comunicações ou mídia
Profissão: jornalista
Local: Rio de Janeiro : Brasil
Blog:http://rascunhopassadoalimpo.blogspot.com

Ectoplasma e sua Utilização nos Terreiros

Um dos elementos bioenergéticos mais utilizados por Caboclos, Pretos-Velhos, Exus e  Crianças, seja em atividades curativas, harmonizatórias, e, também, em neutralização de demandas, é o nominado Ectoplasma.ectoplasma (1)

O Ectoplasma, que tem despertado um grande interesse por parte das religiões mediúnicas e de cientistas de todo o mundo, é uma substância material, visível ou não, consoante sua quantidade e densidade, absorvida/produzida pelo corpo humano a partir da fusão e posterior metabolismo de quatro fluidos, quais sejam:
fluidos astrais (química astral);
fluidos da natureza (raios solares, raios lunares, gases etc.);
fluidos orgânicos e inorgânicos de nosso planeta (minerais, vegetais e animais).

É de conhecimento também que o ectoplasma localiza-se nas células humanas, constituindo-se como uma parte etérica das mesmas. Esta matéria, que em alguns casos de acúmulo excessivo, apresenta-se como uma geléia viscosa, de cor branca, semi-líquida e que sai através dos principais orifícios do corpo humano (boca, narinas, ouvidos etc.), é um dos elementos integrantes de nosso corpo vital (duplo etérico), sendo o envoltório intermediário entre o perispírito (corpo astral) e o corpo físico. É o dinamizador da parte bio-fisiológica do ser humano encarnado.

Dizem alguns que é encontrado em maior quantidade na altura dos centros de força (chakras) Umbilical e básico. Não vamos nos ater a discorrer sobre o emprego de ectoplasma na materialização de espíritos e objetos, situações em que deve haver um grande acúmulo de ectoplasma nos doadores desta substância, mas sim na sua utilização por parte dos espíritos trabalhadores de nossa elevada Umbanda. Os Caboclos, Crianças, Exus e Pretos-Velhos (as quatro formas fluídico-perispirituais de manifestação de espíritos na Umbanda) costumam utilizar o ectoplasma de seus médiuns para os mais variados fins (lembre-se: espíritos não têm corpo vital, logo não têm ectoplasma. Nos trabalhos de cura, costumam aplicá-lo nos centros de força dos assistentes, a fim de reequilibrar o fluxo energético (absorção e emanação de energias).

Nos trabalhos direcionados ao desmanche de baixa magia, as entidades potencializam a substância ectoplasmática, deslocando-se a lugares onde está a origem material da feitiçaria (objetos vibratóriamente magnetizados), passando a manipular tais materiais, desmagnetizando-os e neutralizando as demandas. Devido aos espíritos utilizarem o ectoplasma humano em algumas tarefas onde há a necessidade deste fluido vital, muitos médiuns, ao término de uma sessão ou gira, sentem-se fatigados, cansados, exauridos de energia, e com apetite aguçado. Esta situação ocorre em grande parte, e em vários graus, conforme a quantidade sorvida, em razão da retirada de parte do ectoplasma do médium por parte dos espíritos trabalhadores. É um acontecimento natural, facilmente dirimido pela ingestão de líquidos como água pura, sucos, refrigerantes, comestíveis, e, se possível, um ligeiro repouso. Após um curto espaço de tempo o ectoplasma volta a seu nível normal.

O Ectoplasma ainda é assunto a ser mais explorado. A cada dia surgem novas informações sobre este nobre fluido que é de suma importância para a Humanidade.

O que se deve ter em mente, principalmente por parte dos médiuns sérios, é que a maior qualidade do fluido vital ectoplasmático está diretamente ligada aos hábitos do indivíduo, enquanto membro de uma sociedade heterogênea. Portanto, é de suma importância que não se abuse de bebidas alcoólicas, fumo e sexo, que, se ingeridos ou praticados em demasia, poderão influenciar na maior ou menor eficácia de determinados trabalhos espirituais.

A. D.

Fonte: Correio da Umbanda – Edição 16 – Abril de 2007)

Espiritismo

O Espiritismo se baseia na crença de que as almas desencarnadas podem manter contato com o mundo dos vivos, transmitindo ensinamentos úteis ao aprimoramento moral e espiritual da humanidade. Para se comunicar com os vivos, os espíritos desencarnados utilizam-se do médium, que “empresta” seu corpo ou sua voz para esta finalidade.

Na verdade, as tentativas de se estabelecer contato com os mortos remontam aos primórdios da civilização humana, mas foi somente na segunda metade do século 19 que o Espiritismo se estruturou como uma doutrina.

O grande responsável pela codificação dessa crença foi Allan Kardec, autor de Livre des Esprits (O Livro dos Espíritos), lançado em 1853. O nome verdadeiro de Kardec era Léon Hippolyte Denizard Rivail (1804-1869). Juntamente com outros estudiosos do tema, dentre os quais se destacaram os teóricos Camille Flammarion, Frederick Myers, Andrew Jackson Davies e Charles Richet, ele elaborou os princípios fundamentais do Espiritismo, que são:

1. A existência de Deus
Deus é a inteligência cósmica, criadora do Universo e responsável pelo seu equilíbrio.

2. A existência da Alma
A alma é imortal e está envolvida por um corpo espiritual, denominado perispírito. Após a morte, o perispírito conserva as lembranças das experiências terrenas.

3. A existência da Reencarnação
A Reencarnação é o processo pelo qual o espírito evolui moral e intelectualmente. Em vidas sucessivas, ocupando diferentes corpos materiais, ele se aprimora e se redime de seus erros.

4. Metempsicose [do grego: meta= mudança + en= em + psukê= alma]

I. Transmigração da alma de um corpo para outro.
II. Doutrina filosófica de origem indiana, transportada para o Egito, de onde mais tarde Pitágoras a importou para a Grécia. Os discípulos desse filósofo ensinavam ser possível uma mesma alma, depois de uma período mais ou menos longo no império dos mortos, voltar a animar outros corpos de homens ou de animais, até que transcorra o tempo de sua purificação e possa retornar à fonte da vida. Como se constata, há uma diferença capital entre a metempsicose e a doutrina da reencarnação: em primeiro lugar, a metempsicose admite a transmigração da alma para o corpo de animais, o que seria uma degradação; em segundo lugar, esta transmigração não se opera senão na Terra. Os Espíritos lecionam o contrário, que a reencarnação é um progresso constante, que o homem é um ser cuja alma nada tem de comum com a dos animais, que as diferentes existências podem realizar-se, quer na Terra, quer, por uma lei progressiva, em mundos de ordem superior, até que se torne Espírito purificado.

5. A existência da Lei do Carma
É a lei da ação e da reação – ou seja, a cada ação corresponde uma reação. Assim, nossas atitudes presentes vão determinar os rumos futuros do nosso espírito, de modo que nós somos os responsáveis pelo nosso destino.

O ciclo evolutivo espírita preconiza que, ao atingir um determinado grau de aperfeiçoamento, o espírito não precisará mais reencarnar, podendo então gozar as delícias da vida eterna. A prática da caridade é muito incentivada pelos espíritas, pois eles acreditam que, por meio dela, semeamos carmas positivos e nos aproximamos da perfeição.

A primeira sessão espírita no Brasil aconteceu em 17 de setembro de 1865, em Salvador, capital da Bahia.

Os espíritos estão divididos em três grandes categorias, que por sua vez se subdividem em dez classes, a saber:

1. Espíritos Imperfeitos
Essa categoria inclui os “espíritos impuros”, os “espíritos levianos”, os “espíritos pseudo-sábios” (que semeiam enganos), os “espíritos neutros” e os “espíritos perturbadores” (também chamados de “brincalhões”).

2. Espíritos Bons
Aqui estão incluídos os “espíritos benévolos”, os “espíritos sábios”, os “espíritos de sabedoria” e os “espíritos superiores”.

3. Espíritos Puros
Pertencem a uma categoria única. Desta classe, fazem parte os grandes mestres da Humanidade.

Conheça algumas expressões-chaves da Doutrina Espírita:

Ectoplasma: Substância de origem psíquica que emana do corpo do médium. Pode ser visível para quem tem o dom da vidência. É por meio dessa substância que os espíritos operam no mundo material.

Guias: No Espiritismo, existem os “guias” ou “espíritos de luz”, que estão num estágio de aperfeiçoamento bastante avançado. Eles nos trazem conselhos e orientações de ordem material. Pertencem à classe dos “espíritos bons”.
Incorporação: Faculdade mediúnica em que o espírito desencarnado ocupa momentaneamente o corpo do médium, valendo-se desse recurso para desempenhar seu trabalho no mundo dos vivos.

Materialização: Corporificação, total ou parcial, do espírito desencarnado. Ocorre quando o ectoplasma se condensa. É o que acontece, por exemplo, quando o espírito de alguém que já faleceu torna-se momentaneamente visível.

Mediunidade: Faculdade latente em todos os indivíduos, que permite a uma pessoa servir de canal de comunicação ou manifestação para os espíritos desencarnados. A mediunidade se divide em duas principais categorias: a mediunidade física, da qual fazem parte a capacidade de materialização e a incorporação de espíritos de médicos, dentre outras manifestações; e a mediunidade intelectual, que inclui a Psicografia, por exemplo.

Psicografia: Faculdade manifestada por alguns médiuns, que escrevem mensagens enviadas pelos espíritos desencarnados. Durante o processo, o médium não tem consciência do que está escrevendo – em geral, ele permanece com os olhos fechados -, e as mensagens recebidas costumam apresentar teor elucidativo. É um dos trabalhos mais procurados nos centros espíritas, por pessoas que perderam entes queridos e que desejam saber como eles estão vivendo no outro plano. Também existem muitas obras psicografadas na literatura espírita, que foram “ditadas” pelos espíritos de luz.

Fonte: Grupo 7 elementos

A Visão Espírita dos sonhos

por Luiz Carlos D. Formiga

O Sonho é uma interrogação para muitas pessoas. No livro de Carlos Bernardo Loureiro  – “A Visão Espírita do Sono e dos Sonhos”, Casa Editora O Clarim. Matão, SP. 144 páginas, vamos encontrar muitas respostas.sonhos_portoamor_top

É possível determinar relações precisas entre essas percepções e os aspectos da realidade ordinária? Como analisar esse psiquismo noturno?

Erick Fromm afirma que “o inconsciente só o é em relação ao estado normal de atividade”, “ são simplesmente estados mentais diversos, que se referem às modalidades existenciais diferentes.”
Assim, podemos admitir que a mente consciente constitui apenas parte do psiquismo total. Existe uma vida psíquica chamada de “inconsciência”.

Esta atividade psíquica é o principal protagonista quando o sono retira a outra de cena. Na realidade o inconsciente acha-se representado naquela fração do sonho que se registra na memória consciente.

O que se deve pensar das significações atribuídas aos sonhos?

“Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de buena-dicha, pois fora absurdo crer-se que sonhar com tal coisa anuncia tal outra.

São verdadeiros no sentido de que apresentam imagens que para o Espírito têm realidade, porém que, freqüentemente, nenhuma relação guardam com o que se passa na vida corporal. São também um pressentimento do futuro, permitido por Deus, ou a visão do que no momento ocorre em outro lugar a que a alma se transporta. Não se contam por muitos os casos de pessoas que em sonho aparecem a seus parentes e amigos, a fim de avisá-los do que a elas está acontecendo? Que são essas aparições senão as almas ou Espíritos de tais pessoas a se comunicarem com entes caros? Quando tendes certeza de que o que vistes realmente se deu, não fica provado que a imaginação nenhuma parte tomou na ocorrência, sobretudo se o que observastes não vos passava pela mente quando em vigília?”Livro dos Espíritos, questão 404.

A alma é um ser pensante que permanece ativo durante o sono? Existem provas materiais da atividade da alma durante o sono?

Durante o sono, a alma repousa como o corpo? “Não, o Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.” Livro dos Espíritos questão 401.

A enciclopédica de Diderot (Denis, 1713-1784), no verbete “Sonambulismo”, relata a história de um jovem sacerdote que se levantava à noite, dirigia-se ao seu escritório e escrevia longos sermões e retornava ao leito. Existem relatos da resolução de problemas matemáticos que não eram resolvidos quando os indivíduos estavam acordados.

Existe uma memória latente? Os sonhos trazem à tona lembranças julgadas esquecidas para sempre?

Seis meses depois o indivíduo sonha com o local em que perdera o canivete. Ao despertar procura e acha o objeto (F.H. Myers, La Concience Subliminale, Annales Phychiques).

Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono?

“Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potencialidade e pode pôr-se em comunicação com os demais Espíritos, quer deste mundo, quer do outro…” Livro dos Espíritos, questão 402.

Richet (Prêmio Nobel de Medicina) descreve a memória fotográfica de sonambulos. A eclosão desses registros mnêmonicos subconscientes não deve ser confundida como a intervenção de seres espirituais. Trata-se de fragmentos da vida que são exumados naturalmente ou por estímulos especiais, das profundezas do ser (Pierre Janet).

Pode-se provocar sonhos por hipnose e induzir uma pessoa a sonhar com outra?

Sim, responde o Dr. Sherenk-Notzing (Munique-Alemanha) após experiência hipnótica com a sensitiva (clarividente) Lina. Seus resultados são muito importantes para a discussão do homem como um ser de natureza bio-psico-socio-espiritual. O pesquisador deu a sensitiva a ordem pós-hipnótica de sonhar, na noite seguinte, com uma determinada pessoa, não esquecer o sonho e contá-lo no dia imediato. Pela manhã, ao acordar, e em presença dos pesquisadores, contou o que aconteceu durante a noite. A hipótese de uma transmissão, através do pensamento de um dos pesquisadores auxiliares, era inviável por vários motivos, até porque uma visita casual de uma amiga do Sr. F.L., foi relatada pela clarividente e identificada, posteriormente, com base na descrição da sensitiva.

Pode o homem, pela sua vontade, provocar as visitas espíritas? Pode, por exemplo, dizer, quando está para dormir: Quero esta noite encontrar-me em Espírito com Fulano, quero falar-lhe para dizer isto?

“O que se dá é o seguinte: Adormecendo o homem, seu Espírito desperta e, muitas vezes, nada disposto se mostra a fazer o que o homem resolvera, porque a vida deste pouco interessa ao seu Espírito, uma vez desprendido da matéria. Isto com relação a homens já bastante elevados espiritualmente. Os outros passam de modo muito diverso a fase espiritual de sua existência terrena. Entregam-se às paixões que os escravizaram, ou se mantêm inativos. Pode, pois, suceder, tais sejam os motivos que a isso o induzem, que o Espírito vá visitar aqueles com quem deseja encontrar-se. Mas, não constitui razão, para que semelhante coisa se verifique, o simples fato de ele o querer quando desperto.”Livro dos Espíritos, questão 416.

Podem duas pessoas que se conhecem visitar-se durante o sono?

“Certo e muitos que julgam não se conhecerem costumam reunir-se e falar-se. Podes ter, sem que o suspeites, amigos em outro país. É tão habitual o fato de irdes encontrar-vos, durante o sono, com amigos e parentes, com os que conheceis e que vos podem ser úteis, que quase todas as noites fazeis essas visitas.” Livro dos Espíritos, questão 414.

O hanseniano Jésus Gonçalves, descrente, era um materialista e dizia não acreditar em nada disso. É autor de “ Falta “, onde diz assim: Onde andará um “não sei quê”, um Bem, em cuja busca sou judeu errante? Por onde eu passo, já passou também… E quando chego já partiu há instante… Não sei se está na vida, ou mais adiante, dentro da morte, nas mansões do Além… Se está no amor… se está na fé, perante os dois altares que esta vida tem. Mas, se esta vida é um sonho, a morte o nada; o amor um pesadelo; a fé receio; por que manter-se em luta desvairada? No entanto, eu sigo… acovardado, triste… a procurar em tudo em que não creio, a coisa que me falta e não existe!

Sob o ponto de vista biomédico podemos perceber que uma pessoa está sonhando por estranhos movimentos oculares produzidos em certa etapa do sonho. O período REM (rapid eye movements) é “paradoxal” porque no ápice do relaxamento vamos encontrar uma atividade intensa de numerosas estruturas cerebrais, com variação da freqüência das ondas cerebrais e traçado próximo ao do estado de vigília. Há nessa fase anulação do olfato e paladar, mas as células nervosas enviam estímulos ao ouvido, aos olhos e ao sentido do equilíbrio. Quando acordadas neste período as pessoas eram capazes de contar um sonho.

Como interpretar o sonho que tivemos com um ente querido já desencarnado? A tarefa não é muito fácil porque estamos mergulhados numa matéria muito densa. No entanto, o espírito André Luiz (médico desencarnado) nos oferece um exemplo muito bom e que é encontrado no “Os Mensageiros” (FEB) capítulo 38, quando ela sonha com a avó desencarnada e faz a interpretação da mensagem recebida.

Outro médico (psiquiatra ainda encarnado) mostra a importância dos sonhos para o diagnóstico da melancolia involutiva, destacando-a como uma síndrome com características próprias dentre as doenças conceituadas como depressão maior. Sua conclusão, nos Arquivos Brasileiros de Medicina, 71(3): 111-114, 1997, se baseia na análise de 118 casos.

Uma pessoa que dorme pode ter consciência de que está sonhando?

Sim, responde o psiquiatra holandês Dr.Frederick Willem van Eeden, que teve a confirmação feita peloDr Stephan Laberge, na Universidade de Stanford(EUA). A mesma resposta era dada por Santo Agostinho e São Tomás de Aquino (sonhos lúcidos).

Podemos estender o conceito de sonho a todos os estados alterados de consciência dos quais o psiquismo profundo tende a subir em primeiro plano, até subjugar o EU da superfície?

Podemos participar de mensagens oníricas diurnas? Podemos sonhar acordados?

Esta dimensão diurna do sonho é um convite à pesquisa .

Dr. M. Kleitmam da Universidade de Chicago (“Sleep and Wakefulness”) demonstrou que, também de dia, a atenção consciente se afrouxa em períodos, de acordo com o ritmo que corresponde perfeitamente ao alternar noturno do sono profundo ao leve.

O estado de plena “vigilância consciente” não dura mais do que um minuto ou dois por hora, o que é uma condição indispensável para uma certa eficiência criadora do intelecto, conforme F. Myers, P. Bunton e ainda John Pfeiffer (The Human Brain).

Uma mulher, diante de uma mensagem onírica diurna, interrompe seus afazeres domésticos, chama um táxi e vai encontrar o filho caído quase morto ao lado da moto. “O paranormal é o normal que ainda não compreendemos!

Podem os Espíritos comunicar-se, estando completamente despertos os corpos?

“O Espírito não se acha encerrado no corpo como numa caixa; irradia por todos os lados. Segue-se que pode comunicar-se com outros Espíritos, mesmo em estado de vigília, se bem que mais dificilmente.” Livro dos Espíritos, questão 420.

O fenômeno a que se dá a designação de dupla vista tem alguma relação com o sonho e o sonambulismo?

“Tudo isso é uma só coisa. O que se chama dupla vista é ainda resultado da libertação do Espírito, sem que o corpo seja adormecido. A dupla vista ou segunda vista é a vista da alma.” Livro dos Espíritos, questão 447.

Qual a visão espírita desses fenômenos?

Sonhos fisiológicos – por influência orgânica vive-se situações alucinatórias. Sonhos pantomnésicos – recordações do passado. Sonhos premonitórios – apreensão do futuro,sonho profético.Sonhos espirituais – vivência no plano espiritual.

Freud não poderia explicar o sonho profético como realização de um desejo recalcado no inconsciente.

Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono?

“Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. (Livro dos Espíritos, questão 402).

“A árvore trará novas sementes, das quais germinarão novas árvores. Todas estavam escondidas na primeira semente,”Discurso de Metafísica, Leibniz (1686)

Lincoln viu, em sonho, cenas de seu próprio velório, uma semana antes de ser assassinado, relatando-o ao amigo Ward Lamon, que escreveu o episódio em seu diário.

É um monumental determinismo o conhecimento antecipado do futuro! É possível modificar o “Carma”? Existem as coisas futuras ou elas se encontram no NADA, e ainda não existem? O sonho profético é contrário ao livre arbítrio?

É possível prever acontecimentos derivados do presente. No entanto, como prever os que não guardam nenhuma relação com esse estado presente? Como explicar os que são atribuidos ao acaso?

Nostradamus previu a decapitação do Duque e deu o nome do carrasco, que foi escolhido “ao acaso”, na hora. Isto 66 anos após a morte do médico francês (1503-1566). O cálculo matemático da probabilidade desta predição estaria na proporção de um para cinco milhões contra o acaso.

Estando desprendido da matéria e atuando como Espírito, sabe o Espírito encarnado qual será a época de sua morte?

“Acontece pressenti-la. Também sucede ter plena consciência dessa época, o que dá lugar a que, em estado de vigília, tenha a intuição do fato. Por isso é que algumas pessoas prevêem com grande exatidão a data em que virão a morrer.” Livro dos Espíritos, questão 411.

Mas, como entender este sonho que fala do futuro. Como explica-lo? Allan Kardec, no Livro “A Gênese” discute o assunto na “Teoria da Presciência”.

Palestra proferida pelo Prof. Formiga no CENPES, Centro de Pesquisas da Petrobrás, em 1998.

Publicado na Revista Internacional de Espiritismo, Ano LXXIV, número 1, Matão, fevereiro de 1999.

Ramatís

Por Maria Aparecida Romano

Conheça a vida deste grande mestre universalista
Com base no prefácio de Hercilio Maes/Ed. do Conhecimento

Na divulgação dos princípios elevados do espiritismo, cabe ressaltar o heróico trabalho fundo_ramatis dos instrutores espirituais, cujas mensagens transmitidas a encarnados se transformam em singelo e sincero convite para que a humanidade possa refletir seriamente nos benefícios que decorrem para o espírito em manifestar o Bem, o amor e o perdão. Nas estradas dos séculos, vamos encontrar Ramatís, brilhante instrutor espiritual, na Indochina (sudeste da Ásia) no século X, quando o amor por um tapeceiro hindu arrebatou o coração de uma vesta chinesa, que fugiu do templo para desposá-lo. Dessa união nasceu um menino, cabelos negros e olhos ternos, inteligência fulgurante, fruto das experiências adquiridas em encarnações anteriores.

Já havia se distinguido no século IV tendo participado do ciclo ariano nos acontecimentos que inspiraram a epopéia indiana Ramaiana, escrita em sânscrito, que relata a vida e as venturas de Rama, príncipe de Aydo-dhya, e de Sita, filha do rei Janaka, que representava a imagem perfeita do homem-rei e sua esposa. A união de Rama e atis (Sita ao inverso), resultou no nome Ramatís. No período da ascensão das teses esposadas por Sócrates, Platão e Diógenes, viveu na Grécia na figura de conhecido mentor helênico, pregando entre discípulos a imortalidade da alma, cuja evolução ocorreria através de sucessivas encarnações. Acentuava a consciência do dever e a espiritualizaçã o, incluindo o cultivo da música, da matemática e da
astronomia.

Ramatís, após certa disciplina iniciática na China, fundou e foi instrutor em um dos muitos santuários iniciáticos nas terras sagradas da Índia, onde os antigos Mahatmas criaram profunda atmosfera espiritual.

Naquela época, Ramatís foi adepto das tradições de Rama, cultivando os ensinamentos do Reino de Osires”, O Senhor da Luz, na inteligência das coisas divinas.

Conhecido nos santuários da época como Rama-Tys, ou Swami Sri Rama-Tys, é quase uma “chave”, uma designação de hierarquia ou dinastia espiritual, que explica o emprego de certas expressões que transcendem às próprias formas objetivas. Rama, o nome que se dá a própria divindade, O Criador, cuja força criadora emana, é um mantra: os princípios masculino e feminino contidos em todas as coisas e seres. Ao pronunciarmos o nome Ramaatis, na sua pronúncia original, saudamos o Deus que se encontra no interior de cada ser.

O santuário fundado na Índia por Ramatís, foi erguido pelas mãos de seus primeiros discípulos. Ao todo, foram aliciados 72 adeptos provindos de diversas correntes religiosas e espiritualistas do Egito, Índia, Grécia, China e Arábia. Cada pedra de alvenaria recebeu o toque magnético pessoal dos futuros iniciados que desenvolveram seus conhecimentos sobre o magnetismo, astrologia , clarividência, psicometria, radiestesia e assuntos quirológicos aliados à fisiologia do “duplo-etérico” . Os mais capacitados lograram êxito e poderes na esfera da fenomenologia mediúnica, denominando os fenômenos de clarividência, levitação, ubigüidade e psicografia.

Ramatís desencarnou bem jovem, todavia, empenhou-se em desenvolver o pendor
universalista, a vocação fraterna, crística, na esfera do espiritualismo.

Com o desaparecimento do Mestre, seus discípulos não puderam manter-se a altura do padrão iniciático original. Apenas dezessete conseguiram envergar a simbólica “túnica azul” e alcançar o último grau daquele ciclo original.

Os demais, seja por ingresso tardio, seja por menor capacidade de compreensão  espiritual, não alcançaram a plenitude, a não ser 26 adeptos que se encontram no espaço, colaborando nos labores da “Fraternidade da Cruz e do Triângulo”. Do restante, consta que 18 reencarnaram no Brasil, 6 nas três Américas (do Norte, do Sul e Central), enquanto os demais espalharam-se pela Europa e, principalmente, na Ásia.

Mais tarde, no plano espiritual, dando o prosseguimento a sua eficiente trajetória, filiou-se definitivamente a um grupo de trabalhadores  espirituais cuja insígnia, em linguagem ocidental, era conhecida sob a pitoresca denominação de “Templários das cadeias do amor”. Trata-se de um agrupamento quase desconhecido nas colônias invisíveis do além, junto à região do Ocidente, onde os trabalhadores se dedicam a tarefas profundamente ligadas à psicologia oriental. Supervisiona diversas tarefas ligadas aos seus discípulos na Metrópole Astral do Grande Coração.

Fraternidade da Cruz e do Triângulo
Consta, que , após significativa assembléia de altas entidades, realizada no Espaço, na região do Oriente, procedeu-se à fusão entre duas importantes Fraternidades que dali operam em favor dos habitantes da Terra. Trata-se da Fraternidade da Cruz, com certa ação no Ocidente (que divulga os ensinamentos de Jesus), e da Fraternidade do Triângulo, ligada à tradição iniciática e espiritual do Oriente. Após a memorável fusão destas duas fraternidades Brancas, consolidaram- se melhor as características psicológicas e objetivas dos seus trabalhadores, alterando-se a denominação para Fraternidade da Cruz e do Triângulo, da qual Ramatís é um dos fundadores.

A fusão das duas Fraternidades, realizada no plano espiritual, originou extraordinários benefícios para o Planeta Terra. Alguns Mentores espirituais do Oriente passaram, então, a atuar no Ocidente, incumbindo-se da orientação de certos trabalhadores espíritas e umbandistas, no campo mediúnico, enquanto que outros instrutores ocidentais passaram a atuar na Índia, no Egito, na China e em vários agrupamentos que até então eram supervisionados pela antiga Fraternidade do Triângulo. Ampliando o sentimento de fraternidade entre os dois hemisférios, bem como aumentando a oportunidade de reencarnação entre espíritos amigos, os orientais auxiliam os ocidentais em seus trabalhos, enquanto os ocidentais interpenetram os agrupamentos
doutrinários do Oriente.

Processa-se dessa forma um salutar intercâmbio de idéias e perfeita identificação de sentimentos no mesmo labor espiritual, embora se diferenciem os conteúdos psicológicos de cada hemisfério. Os orientais são lunares, meditativos,  desinteressados da fenomenologia exterior; os antigos fraternistas do Triângulo são exímios operadores com as “correntes terapêuticas azuis” que podem ser aplicadas com energia balsamizante aos sofrimentos psíquicos das vítimas de longas obsessões.

Os ocidentais, antigos fraternistas da cruz, são solarianos, dinâmicos, objetivos e estudiosos dos aspectos transitórios da forma e do mundo dos espíritos; preferem operar com as “correntes alaranjadas” , vivas e claras, por vezes mescladas do carmin puro, visto que as consideram mais positivas na ação de aliviar o sofrimento psíquico. 

Os membros da Fraternidade da Cruz e do Triângulo, no Espaço, se apresentam com vestes brancas, cintos e emblemas de cor azul-claro esverdeado. Sobre o peito, trazem delicada corrente como que confeccionada em fina ouriversaria, na qual se ostenta um triângulo de suave lilás luminoso, emoldurando uma cruz lirial. É o símbolo que exalta, na figura da cruz de alabastrina, a obra sacrificial de Jesus e, na efígie do triângulo, a mística oriental.

Os discípulos dessa fraternidade que se encontram reencarnados na Terra, são profundamente devotados às duas correntes: a oriental e a ocidental.

Ramatís e Kardec
Muitas foram as encarnações de Ramatís, ele próprio afirma.
No continente da pequena Atlântida, desaparecida por volta de 8.000/10.000 a . C.
aproximadamente, foi contemporâneo do espírito que mais tarde se tornaria conhecido como Allan Kardec e, na época, era profundamente dedicado à matemática e as chamadas ciências positivas. Posteriormente, em sua passagem pelo Egito, no templo do Faraó Tutmés IV, teve novo encontro com Kardec, que reencarnou como o sacerdote Amenófis, que substituiu o culto a Ámon pela religião de Áton, monoteísta e universalista.

No século XIX, Kardec reencarnaria na França com a árdua tarefa de estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, abrindo novas perspectivas para o homem pela interpretação aos diversos aspectos da vida, sob o prisma das Leis Divinas, da existência e sobrevivência do espírito e sua evolução natural e permanente, através de sucessivas encarnações.

Ramatís vem causando controvérsias entre espíritas por não ser uma entidade exclusivamente devotada aos princípios da doutrina de Kardec, mas sim, uma alma liberta de sectarismos cujos ensinamentos são de cunho universalista. O instrutor espiritual Ramatís, embora não se situe na área codificada por Kardec, afirma que esta doutrina é o mais eficiente caminho de ascensão espiritual para a mente Ocidental. Porém, nem todos os instrutores deverão pregar sob um mesmo e exclusivo aspecto, espírita, ou isoladamente em outra nobre instituição, porquanto esse exclusivismo de modo algum ampliaria as idéias, cerceando o progresso.

Ramatís esclarece: é de senso comum que o mediunismo difere muito do espiritismo; o primeiro é uma faculdade independente das doutrinas e ou das religiões; o segundo, doutrina codificada por Kardec, se constitui num conjunto de leis morais que disciplina as relações desse mediunismo entre o plano visível e o plano invisível. Constituindo uma lei da natureza, os fenômenos estudados pelo espiritismo hão de ter existido desde a origem dos tempos e em todas as épocas da humanidade, são mencionados e reconhecidos, qualquer que seja cultura. Os fenômenos mediúnicos ocorriam muito antes do advento da Doutrina Espírita e podem suceder independentemente de sua
existência.

Para aqueles que afirmam que as mensagens de Ramatís podem provocar dissociação no seio do espiritismo, o instrutor espiritual responde que o espírito humano é dotado de razão e de sentimento; quando a razão não está suficientemente desenvolvida para protegê-lo, pelo menos que seja amparado pela “Fé que remove montanhas”. Esse temor desaparece perante aqueles que estão plenamente convictos e integrados nos consagrados postulados espíritas Só uma fé viva, continua forte, sustenta qualquer ideal, caso contrário, a debilidade da convicção de alguns adeptos tornará o espiritismo desamparado não só diante das mensagens de Ramatís quanto diante de todas as demais Comunicações.

Embora polêmicos, os ensinamentos deste grande espírito despertam e elevam muitas criaturas dispostas a evoluir. Ramatís fala corajosamente sobre seres e orbes extraterrestres, mediunismo, vegetarianismo, sensibilizando aqueles que possuem características universalistas. Muitas vezes, suas mensagens são classificadas como fantasiosas, porém, sob a aparente fantasia, efetua um convite para o reino amoroso de Jesus.

Com bases nas diretrizes morais deixadas pelo Mestre, são ofertas de boa vontade, para cada um que as assimile colocar em prática de acordo com a sua evolução espiritual. 

Para Ramatís, o Cristo é um estado pleno de amor e de associação divina; a verdade crística não pode ser segregada por ninguém; é um estado permanente de procura e de ansiedade espiritual, bem distante dos rótulos doutrinários.

Deve-se evitar a exclusividade, que contraria o dinamismo da vida espiritual mas acima de tudo, cumprir a universalidade do Cristo, pois nunca se pode pregar a união “Amai-vos uns aos outros” sob a exclusividade religiosa. A doutrina “mais eficiente” é opinião humana com a qual pode discordar a opinião crística. A doutrina mais eficiente é, ainda, o amor pregado por Jesus, doutrina que não possui postulados.

Visão de Ramatís
Para alguns iniciados, Ramatís, se faz ver, com fisionomia sempre terna e ao mesmo tempo austera, traços finos, tez morena, olhos ligeiramente repuxados.  Sua indumentária é um misto de trajes orientais, tal qual Mestre Indochinês do século X.

Raríssimo porque deriva de antigo modelo sacerdotal, muito usado nos santuários da desaparecida Atlântida. Trajando uma capa de seda branca translúcida, até os pés, aberta nas laterais, que lhe cobre uma túnica ajustada por um cinto esmeraldino. As mangas são largas; as calças ajustadas nos tornozelos. Os sapatos são constituídos de matéria similar ao cetim, de cor azul esverdeada, amarrados com cordões dourados, típicos dos gregos antigos.

Um turbante lhe cobre toda a cabeça, com uma esmeralda acima da testa, ornamentado por cordões finos e coloridos, que representam antigas insígnias de atividades iniciáticas, nas seguintes cores com seus respectivos significados:
Carmin – O Reino do Amor;
Amarelo – O Reino da Vontade;
Verde– O Raio da sabedoria;
Azul – O Raio da Religiosidade;
Branco – O Raio da Liberdade Reencarnatória.

Sobre o peito, uma corrente de pequenos elos dourados, sob o qual pende um triângulo de suave lilás luminosa emoldurando uma cruz lirial.

Sua obra
Os verdadeiros adeptos de Ramatís no orbe terrestre são incondicionalmente simpáticos a todos os trabalhos das diversas correntes religiosas do mundo.

Revelam-se libertos do exclusivismo doutrinário ou de dogmatismo, devotam-se em com entusiasmo a qualquer trabalho de unificação espiritual, pregando ao mesmo tempo, a necessidade de adoção do sistema Crístico, do Amor e da Bondade, Sistema Universalista, sob a égide de Cristo.

Ramatís, em suas obras, esclarece as diretrizes morais deixadas por Jesus, e a necessidade desse modelo ser vivenciado, já que no evangelho encontram-se as premissas básicas para a formação do Homem do Terceiro Milênio. 

Entre as obras, psicografadas pelo saudoso médium paranaense Hercílio Maes, destacam-se “O Sublime Peregrino, A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores”, “A sobrevivência do Espírito”, “A Missão do Espiritismo” ,  Ramatís, uma Proposta de Luz “, entre outros.

Outros médiuns também psicografam Ramatís, como Norberto Peixoto, Maria Margarida Liguori, Sidnei Carvalho, Márcio Godinho e América Paoliello Marques, médium desencarnada.

Fonte: Maria Aparecida Romano
Com base no prefácio de Hercilio Maes/Ed. do Conhecimento

Nosso Lar, o filme – em breve!!

nossoLar

Nosso Lar, o fime

Já é uma realidade o cinema espírita.

Depois do grande sucesso do filme Bezerra de Menezes, o diário de um espírito, em janeiro passa a ser filmado pela Fox filmes, o longa metragem Nosso Lar, baseado na obra de Chico Xavier pelo espírito André Luiz.

Maiores detalhes da participação de Renato Prieto ao longo do mês.

http://www.nossolarofilme.com.br

Diferença entre Umbanda e Kardecismo

É comum a controvérsia de uns e de outros, quanto a Umbanda ser um “aspecto” ou modalidade do chamado Espiritismo dito de Kardec. Estes estudiosos parece que não estudaram a “coisa” como ela é e se apresenta.

Batem-se no ponto de que no Umbandismo existe a manifestação dos espíritos e no Espiritismo, também!

Todos sabem que quem particularizou o termo espiritismo foi Allan Kardec, para traduzir por ele certos ensinamentos dos espíritos. A palavra espírito se perde na antiguidade, dentro dos livros religiosos de vários povos, inclusive nos Vedas, dos Brahmas, no Livro dos Mortos dos Egípcios, nas obras de Fo-HY, um dos mais antigos sábios da China, na Bíblia de Moysés, na Kabala dos Judeus, nos evangelhos ditos de Cristo, etc…

Mas, que se deve entender realmente por espiritismo? Segundo Kardec, é a doutrina dos espíritos. Como vêem, pelo exposto, revelar a doutrina ou as coisas do espírito não foi privilégio nem de uns ou de outros. Diremos, pois, que a doutrina espírita ou Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os espíritos ou seres do mundo invisível, etc..

Estas relações, esta doutrina, que também traduzem as Eternas verdades, são tão velhas quanto a própria humanidade, porquanto podem ser identificadas nestes ditos antigos e sagrados livros das mais velhas religiões do mundo. Kardec codificou, isto é , propagou, apenas parte destas antigas verdades – reveladas pelos espíritos de acordo com a época – expressões de uma Lei, imutável, que vêm sendo confirmadas e ampliadas dentro das nossas Linhas de Umbanda, por grandes instrutores, espíritos altamente evoluídos, que consideramos como Orixás intermediários e Guias, que têm como missão precípua reconstituir as partes restantes, ou seja….o todo….

O que ressalta então, claramente do exposto?
Que há uma certa identidade entre o Espiritismo e a Umbanda.

Esta identidade se verifica, quanto à Doutrina, à manifestação e comunicação dos espíritos, pelo fator mediúnico, bem como pela parte científica, filosófica e moral, etc…Mas, sobrepõe-se logo, numa comparação, o seguinte: a Lei de Umbanda NÃO É o Espiritismo, apenas. Este, com todo seu conteúdo, e que faz parte da Umbanda, isto é, se integra ou se absorve nela, faz parte dela!

Na Umbanda, além da parte filosófica, científica, doutrinária e dos fenômenos da mediunidade, pela manifestação, desta ou daquela forma, dos espíritos, formando estas coisas, os atributos principais e tacitamente reconhecidos como particularizando a Escola Kardecista, tema Umbanda ainda, bem definido, o aspecto propriamente dito de uma Religião, pela Liturgia, Ritual, Simbologia, Mitologia, Mística, bem como pela Magia, Astrologia esotérica e outras correlações de Forças NÃO PRATICADAS no denominado espiritismo,e portanto inexistentes neste!

Cultos Afro-Brasileiras

Os cultos afro-brasileiros são sistemas de crenças herdados dos africanos, que foram afro trazidos como escravos para o Brasil a partir do século 16. A maior parte desses negros era proveniente da costa Oeste da África, onde predominavam dois grandes grupos: os Sudaneses e os Bantos.

Os sudaneses vêm da região do Golfo da Guiné, onde se situam hoje a Nigéria e o Benin. Pertenciam às nações Haussais, Jeje, Keto e Nagô, e foram os principais precursores do Candomblé.

Os bantos agregam as nações de Angola, Benguela, Cabinda e Congo. Dessas nações, herdamos, entre outros elementos culturais, a capoeira e a congada.
Os cultos religiosos trazidos por esses povos sincretizaram-se com o Catolicismo, dando origem aos chamados cultos afro-brasileiros.

Umbanda

A Umbanda é uma religião tipicamente brasileira. Na verdade, pode-se dizer que ela não existe em nenhuma outra parte do mundo. Além do sincretismo clássico entre a herança religiosa africana e o Catolicismo, a Umbanda absorveu elementos do Espiritismo kardecista, de modo que, no decorrer dos rituais, o fiel se comunica com espíritos desencarnados.

O sincretismo entre orixás e santos católicos é muito forte.
Veja as principais correspondências:

Euá – Nossa Senhora das Neves.
Iansã – Santa Bárbara.
Ibejis – Cosme e Damião.
Iemanjá – Virgem Maria, principalmente Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora dos Navegantes.
Logum – São Miguel Arcanjo e Santo Expedito.
Nanã – Santa Ana, mãe de Maria.
Obá – Santa Catarina, Santa Joana D´Arc e Santa Marta.
Obaluaiê – São Lázaro e São Roque.
Ogum – Santo Antonio e São Jorge.
Oxalá – Jesus.
Oxóssi – São Jorge e São Sebastião.
Oxum – Nossa Senhora das Candeias e Nossa Senhora Aparecida.
Oxumaré – São Bartolomeu.
Xangô – São Francisco de Assis, São Jerônimo, São João Batista e São Pedro.

As práticas existentes dentro dos terreiros de Umbanda variam muito. Alguns demonstram uma ligação mais forte com o Espiritismo, outros se aproximam mais do Candomblé. Em comum, têm a força dos rituais, denominados giras, em que os filhos e filhas-de-santo entoam cânticos e dançam ao som dos atabaques.

As cerimônias geralmente acontecem à noite e se estendem madrugada adentro. Os espíritos que “descem” incorporam-se nos fiéis que estão participando da gira.

Aqueles que “recebem” os espíritos são chamados de cavalos. Durante a incorporação, o “cavalo” permanece inconsciente, e quem fala através dele é seu “guia”, ou seja, a entidade espiritual a ele associada. Para auxiliar os cavalos, existem os cambonos, que ocupam papel relevante na hierarquia do terreiro. Mas a posição mais elevada cabe à mãe ou ao pai-de-santo, que é a pessoa responsável pelos trabalhos espirituais.

congaNos terreiros umbandistas, o ponto focal é o congá, altar profusamente enfeitado com flores, velas acesas e colares de contas coloridas, que simbolizam os diferentes santos e orixás.

No congá, imagens de Jesus, Nossa Senhora e santos católicos dividem espaço com estatuetas de pretos-velhos, caboclos, ciganos, marinheiros e outras entidades espirituais.

 

A hierarquia do terreiro

Babalorixás (Babalaô, quando homem, e Ialorixá, quando mulher) – São os dirigentes.
Zeladores (jibonã e sidagã) – Auxiliam os dirigentes.
Ogã e Sambas – Tocam os atabaques e observam a disciplina.
Pais e Mães-Pequenas (Baba Mindim) – Assistentes do dirigente. Em geral, ajudam no trabalho de desenvolvimento da mediunidade dos filhos de fé.
Cambonos e coroados (feitos e / ou confirmados) – Prestam assistência aos cavalos, durante a gira.
Filhos de fé (aceitos) – São aqueles que se preparam para entrar em desenvolvimento.
Filhos de fé (em observação) – Freqüentam os trabalhos para o desenvolvimento de seus dons mediúnicos.

As sete linhas da Umbanda

A Umbanda se divide em sete linhas, ou “bandas”, sendo que cada uma delas é consagrada a um orixá. Cada uma dessas divindades, por sua vez, comanda sete falanges.

Uma dessas falanges corresponde à vibração original do orixá (por exemplo: linha de Ogum). As outras seis falanges do orixá significam o cruzamento da energia original do orixá com as dos outros seis orixás (exemplo: a linha de Ogum Beira-Mar é o cruzamento da linha de Ogum com a de Iemanjá).

Temos assim um total de 49 falanges.

Como o orixá nunca incorpora no ritual da Umbanda, a função das entidades pertencentes às falanges é justamente descer à Terra e executar o trabalho ordenado pelo orixá. Elas são portadoras da força da divindade.

Existe ainda uma outra subdivisão, que diz respeito à faixa etária das entidades.

Desse modo, temos as crianças, os adultos e os velhos. Por exemplo: podemos ter uma criança de Xangô, um Caboclo de Oxóssi e um Preto Velho de Oxalá.

Os orixás que comandam as falanges são Iansã, Iemanjá, Ogum, Oxalá, Oxóssi, Oxum e Xangô.

Veja mais sobre os orixás e as entidades que integram as falanges da Umbanda:

Oxalá
Cor: Branca
Domínios: Todos os campos da natureza.

Oxóssi
Cor: Vermelha
Domínio: As matas.

Xangô
Cor: Marrom
Domínio: As pedras.

Ogum
Cor: Verde
Domínio: As estradas.

Iemanjá
Cores: Rosa e branco cristalino
Domínio: O mar e as águas em geral.

Oxum
Cor: Azul
Domínio: As águas doces.

Iansã
Cor: Amarela
Domínios: Ventos e Tempestades.

Nanã
Cor: Lilás
Domínio: Lama.

Obaluaiê
Cores: Preto e branco
Domínio: As cavernas.

Oxumaré
Cor: Azul claro
Domínio: As chuvas leves.

Tempo
Cor: Branco perolado
Domínio: As montanhas.

Exu
Cores: Preto e Vermelho
Domínio: Os descampados.

Pomba-gira
Cores: Preto e Vermelho
Domínio: Os descampados.

Exu-mirim
Cores: Preto e vermelho
Domínio: Os descampados.

Marinheiro
Cores: Azul e branco
Domínio: As emoções.

Boiadeiro
Cores: Marrom e Vermelho
Domínio: A força bruta.

Cigano
Cores: Todas do arco-íris
Domínio: A liberdade.

Baiano
Cores: Variadas
Domínios: A esperança e a coragem.

Caboclo
Cor: Verde
Domínio: A simplicidade.

Preto-Velho
Cor: Branco
Domínio: A sabedoria.

Criança
Cores: Variadas
Domínio: A pureza.

OBSERVAÇÃO: Essas correspondências, embora sejam as mais difundidas, podem sofrer variações em diferentes terreiros.

Oferendas Quando as entidades que compõem as diferentes falanges estão incorporadas, elas se prestam a aconselhar seus consulentes e a realizar alguns rituais. Nestas ocasiões, utilizam-se dos quatro elementos básicos da Natureza – ou seja, AR, TERRA, FOGO e ÁGUA.

É por isso que, muitas vezes, essas entidades solicitam cigarros, bebidas, alimentos. Cada item pedido corresponde a determinados elementos naturais.
Veja os exemplos:

Água e bebidas não-alcoólicas: Servem para a cura, pois simbolizam a força, o remédio e o poder gerador.

Bebidas alcoólicas: Pertencem ao elemento Fogo e permitem transmutar as energias.

Cachimbo, charuto ou cigarro: Une o Fogo, a Água, a Terra e o Ar, sintetizando, assim, os elementos de todas as linhas.

Quimbanda, ou as “linhas de esquerda”

Nunca se deve confundir o orixá com as entidades que integram sua Linha de Força.
A questão mais polêmica, sem sombra de dúvida, cerca o orixá Exu. Ele é uma força da natureza, imaterial e incorpóreo, como os demais orixás.

Dentro da Umbanda, a Hierarquia deste orixá denomina-se Quimbanda, recebendo ainda os nomes de Banda dos Exus e Falange dos Exus.

Na Umbanda, entende-se que este orixá e as entidades que fazem parte de sua falange atuam “à esquerda”. Isso, porém, não significa que sejam de agentes do Mal!

Simplesmente, o orixá Exu – que erroneamente tem sido associado às forças diabólicas do ideário cristão – é uma força complementar às Linhas da Direita. Do mesmo modo que homem e mulher são opostos-complementares, e que tudo no Universo interage e se interpenetra, também as forças da “Direita” e da “Esquerda” se unem e se completam.

As entidades que constituem a Quimbanda são denominadas Exus, Pombas-giras e Exus-mirins. Têm missão cármica definida e trabalham no sentido de evoluir no plano espiritual, exatamente como os integrantes de todas as outras falanges.

Os Exus são responsáveis pelos trabalhos de proteção, além de terem energia vitalizadora e promoverem a desagregação de energias maléficas. Existe ainda um outro papel, muito delicado, que cabe aos integrantes desta hierarquia: é o de liberar o consciente e o inconsciente do fiel que estiver se preparando para desenvolver um trabalho mais ativo no terreiro.

As entidades de Quimbanda podem trazer à tona os traumas e os segredos reprimidos – conscientemente ou não – pelo “filho de fé”.

Sendo assim, pode acontecer de os “cavalos” que estejam incorporando essas entidades de Esquerda usarem linguajar torpe ou adotarem comportamentos duvidosos. Nestes casos, deve-se entender que aquele não é o procedimento da entidade em si – na verdade, pode tratar-se de uma “faxina” no inconsciente do próprio médium.

É bom ressaltar, porém, que a natureza complexa da missão confiada aos espíritos da Quimbanda os torna bem mais difíceis do que as demais entidades. Sendo assim, é necessário ter muito CONHECIMENTO e, principalmente, DISCERNIMENTO, para lidar com essas forças.

A.D.

Texto recebido por email sem autor.

Mediunidade – Influência Moral

SEF – Sociedade Espírita Fraternidade
Estudo Teórico-prático da Doutrina Espírita


Introdução:

Com relação a este tema, de tão grande importância, nada melhor do que meditarmos nas palavras esclarecedoras que nos são trazidas por Emmanuel (mentor espiritual de Francisco Cândido Xavier), em seu Livro “Emmanuel”:

“Ser médium é investir-se a criatura de sagrada responsabilidade perante Deus e a própria consciência, uma vez que é ser intérprete do pensamento das esferas espirituais, medianeiro entre o Céu e a Terra.

Ser médium é algo de sublime, determinando o imperativo da realização interior, a necessidade de o indivíduo conquistar a si mesmo pela superação das qualidades negativas.

É necessário esclarecer-se que o desenvolvimento da mediunidade não guarda relação com o desenvolvimento moral dos médiuns. A faculdade propriamente dita se radica no organismo; independentemente do moral. Se há pessoas indignas que a possuem, é que disso precisam mais do que as outras, para se melhorarem. Deus não recusa meios de salvação aos culpados.

Não creiais que a faculdade mediúnica seja dada somente para a correção de uma, ou duas pessoas, não. O objetivo é mais alto: trata-se da Humanidade. Um médium é um instrumento pouquíssimo importante, como indivíduo. Por isso, é que, quando damos instruções que devem aproveitar à generalidade dos homens, nos servimos dos que oferecem as facilidades necessárias. Tenha-se, porém, como certo que tempo virá em que os médiuns serão muito comuns, de sorte que os bons Espíritos não precisarão servir-se de maus instrumentos.

Felizes daqueles que, saturados de boa-vontade e de fé, laboram devotadamente para que se espalhe no mundo a Boa Nova da imortalidade.

Os médiuns, em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das Leis Divinas, e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso.

Quase sempre, são Espíritos que tombaram dos cumes sociais, pelo abuso do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favor do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude. São almas arrependidas que procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios, tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenável insânia.

Humilhados e incompreendidos, faz-se mister reconheçam todos os benefícios emanantes das dores que purificam e regeneram, trabalhando para que representem, de fato, o exemplo da abnegação e do desinteresse, reconquistando a felicidade perdida.

Todos os médiuns, para realizarem dignamente a tarefa a que foram chamados a desempenhar no planeta, necessitam identificar-se com o ideal de Jesus, buscando para alicerce de suas vidas o ensinamento evangélico, em sua divina pureza; a eficácia de sua ação depende de seu desprendimento e da sua caridade, necessitando compreender em toda a amplitude, a verdade contida na afirmação do Mestre:

“Daí de graça o que de graça recebestes”.

Devendo evitar, na sociedade, os ambientes nocivos e viciosos, podem perfeitamente cumprir seus deveres e qualquer posição social a que forem conduzidos, sendo uma de suas precípuas obrigações melhorar o seu meio ambiente com o exemplo mais puro de verdadeira assimilação da doutrina de que são pregoeiros.

O homem que se vence faz o seu corpo espiritual apto a ingressar em outras esferas e, enquanto não colaborardes pela obtenção desse organismo etéreo, através da virtude e do dever cumprido, não saireis do círculo doloroso das reencarnações.

Sintonia Mental:

Nos esclarece o Espírito André Luiz, no seu livro “Nos domínios da Mediunidade”, psicografado por Francisco Cândido Xavier:

“Mediunidade não basta só por si.

É impossível saber que tipo de onda mental assimilamos para conhecer da qualidade de nosso trabalho e o ajuizar de nossa direção.

Em Mediunidade, portanto, não podemos olvidar o problema da sintonia.

Atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos; e se é verdade que cada um de nós somente pode dar conforme o que tem, é indiscutível que cada um recebe de acordo com aquilo que dá.

Achando-se a mente na base de todas as manifestações mediúnicas, quaisquer que sejam as características em que se expressem, é imprescindível enriquecer o pensamento, incorporando-lhe os tesouros morais e culturais, os únicos que nos possibilitam fixar a luz que jorra para nós, das esferas mais altas, através dos gênios da sabedoria e do amor que supervisionam nossas experiências.

Procederam acertadamente aqueles que compararam nosso mundo mental a um espelho. Refletimos as imagens que criamos.

E, como não podemos fugir ao imperativo da atração, somente retrataremos a claridade e a beleza se instalarmos a beleza e a claridade no espelho de nossa vida íntima”.

Os reflexos mentais, segundo a sua natureza, favorecem-nos a estagnação ou nos impulsionam a jornada para a frente, porque cada criatura humana vive no céu ou no inferno que edificou para si mesma, nas reentrâncias do coração e da consciência, independentemente do corpo físico, porque, observando a vida em sua essência de eternidade gloriosas, a morte vale apenas como transição entre dois tipos da mesma experiência, no “hoje imperecível”.

Complementado o entendimento, Martins Peralva ressalta que deve se convir, que será muito difícil aos Mensageiros Celestes utilizarem-se, de modo permanente, de companheiros encarnados sem a mais leve noção de responsabilidade, negligentes no cumprimento dos deveres morais, impontuais, inteiramente alheios ao imperativo da própria renovação para o bem, ou, ainda, inclinados à exploração inferior.

Cumpre-nos admitir que dificilmente tomarão eles, os grandes Instrutores, por medianeiro definitivo para as grandes realizações do Cristo, o médium que vê, apenas, na sua faculdade, espetacular meio de produzir fenômenos, sem finalidade educativa para si e para os outros.

A discriminação e importância do problema mental poderão, talvez, ser melhor entendidos mediante o gráfico organizado para o estudo e análise.

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O nosso Espírito tem a propriedade de criar formas, situações, coisas e paisagens, sabendo-nos facultado, portanto, influenciar, benéfica ou maléficamente, a nós e aos outros.

Tem o nosso Espírito não apenas a faculdade de realizar tais criações. Tem-na também para dar-lhes vida ou destruí-las. Ex. cenas violentas, tais como assassínios, etc… poderão permanecer durante longos anos no cenário da luta, até enquanto as suas personagens lhes derem vida, pela própria projeção mental. Somente quando a luz do esclarecimento felicitar o coração dos protagonistas, os tais “clichês astrais” desaparecerão. Deixarão de existir, serão destruídos, porque cessaram as energias que lhes davam vida.

Uma mente invigilante atrairá entidades infelizes, vampirizadoras, porque certos Espíritos profundamente materializados, arraigados, ainda, às paixões inferiores, nutrem-se, alimentam-se dessas substâncias produzidas pela mente irresponsável ou deseducada.

O médium não evangelizado, irresponsável, será, via de regra, um permanente criador de imagens deprimentes, a constituírem verdadeira “ponte magnética”, pela qual terão acesso as entidades perturbadoras.

A prática do Evangelho e o conhecimento da Doutrina Espírita, pura e simples, estenderão ao coração do médium as noções de fraternidade, transformar-lhe-ão o ambiente psíquico, assegurando-lhe, em caráter definitivo, uma série de vantagens como:

  • Paz interior;
  • Valiosas amizades espirituais;
  • Defesa contra a incursão de entidades da sombra;
  • Crédito de confiança dos Espíritos Superiores;
  • Iluminação própria;
  • Outorga de tarefas de maior valia no serviço do Senhor.

 

Martins Peralva, no seu Livro “Mediunidade e Evolução”, capítulo 7, nos traz ensinamentos preciosos, relacionado com a necessidade, em especial do médium, de sempre estar estudando e buscando o aprimoramento espiritual. Vejamos:

Estudar Sempre

“Se abraçaste na Doutrina Espírita o roteiro da própria renovação, em toda parte és naturalmente chamado a fixar-lhe os ensinos.”
Emmanuel

A maioria dos homens habituou-se a crer que médium só o é aquele que, em mesa específica de trabalhos mediúnicos, psicografa ou fala, ouve ou vê os Espíritos, alivia ou cura os enfermos.

O pensamento geral, erroneamente difundido além-fronteiras do Espiritismo, é de que médium somente o é aquele que dá passividade aos desencarnados, oferecendo-lhes a organização medianímica para a transmissão da palavra falada ou escrita.

Em verdade, porém, médiuns somos todos nós que registramos, consciente ou inconscientemente, idéias ou sugestões dos Espíritos, externando-as, muita vez, como se fossem nossas.

Ao discutirmos tema elevado, em qualquer lugar e hora, somos, algumas vezes, intérpretes de Espíritos sérios, que de nós se aproximam atraídos pela seriedade da conversação.

Contrariamente, em momentos de invigilância vocabular, no trato com problemas humanos, atraímos Espíritos desajustados que, sintonizados conosco, nos fazem porta-voz de suas induções.

O aprimoramento moral contribui para que, na condição de médiuns, de receptores da Espiritualidade, afinizemos com princípios elevados.

O estudo a fixação do estudo espírita coloca-nos em condições de mais amplo discernimento da vida, dos homens e dos Espíritos.

A Doutrina Espírita possibilita a defesa do médium.

Resguarda- contra processos obsessivos.

Equilibra-o no dia-a-dia da existência.

O conhecimento doutrinário beneficia aqueles que, em sessões mediúnicas, operam no intercâmbio, assim como aqueles que, sem se aperceberem, transmitem na conversação inspirações da Esfera Espiritual.

Estudar sempre dá segurança à caminhada.

Do Livro: Contos desta e doutra vida

Psicografia de Francisco Cândido Xavier – pelo Espírito – Irmão X

Candidato à Redenção

Integrado nos fluidos comburentes a se lhe derramarem da própria alma, o Espírito desditoso, com sede de esquecimento no corpo de carne, pedia em pranto:

- Senhor, por piedade, concedei-me a graça de renascer no planeta físico! Percebo agora a extensão de meus débitos e a enormidade de meus crimes! Feri vossa Lei, espalhando miséria e destruição!… E sofro, Senhor, por desleixo meu, o resultado de minha imprevidência delituosa! Trago em minhas entranhas o inferno que acendi em mim mesmo!…Ó Benfeitor da Eternidade, conduzi-me, de novo, à escola da Terra, a fim de que eu possa, por algum tempo, olvidar minhas horrendas feridas … Dai-me o câncer, a lepra ou outra enfermidade, Senhor, em cuja virulência bendita expungirei de meu ser o veneno da culpa! Encarcerai-me num corpo paralítico em cuja armadura ressecada eu consiga olvidar o pretérito, regenerando os meus infelizes pensamentos! Entregai-me às provas da idiotia, em que me redima, detende meu Espírito arrependido num leito de chagas terrestres em cujos tormentos acrisole o coração entenebrecido no desespero! Dai-me o aleijão, a cegueira, a epilepsia, a forma torturada, a fome e a nudez, mas ajudai-me a renascer no mundo com a graça do esquecimento! …

Nisso, quando mais comoventes se lhe faziam as lágrimas, comparece junto dele benemérito Amigo Espiritual, que lhe diz bondoso:

- Acalma-te meu irmão! tuas súplicas foram ouvidas! A Divina Bondade conferir-te-á nova benção no campo dos homens… Não precisarás, porém, recorrer à morféia, à imobilidade, ao pênfigo ou à mutilação para o resgate das tuas dívidas… Afirma-nos o Senhor: – “misericórdia quero, não sacrifício …” Voltarás ao mundo em berço acolhedor e servirás ao Espiritismo, com Jesus, na condição de médium amigo da redenção… Aprenderás que o amor cobre a multidão de nossos pecados e afeiçoar-te-ás ao bem de todos, buscando no bem de todos a luz de teu próprio bem!…

Enlevado com a promessa, o mísero bradou, esperançoso e desafogado:

- Louvada seja a Bondade Infinita de Deus! Oh! sim, cultivarei o serviço aos meus semelhantes na concessão com que o Céu me agracia! Saberei usar a benevolência em todos os lances da luta! Abraçarei os humildes e compreenderei os orgulhosos para ajudá-los com amor. Tolerarei sem revoltas flagelações e calúnias, consagrar-me-ei ao desprendimento das posses materiais! Respirarei na Terra, mentalizando a Compaixão Celeste para saber auxiliar sem recompensa e entender sem exigir! Sim! serei médium e sofrerei amando, como Jesus nos amou!…

Recolhido a grande Hospital de socorro, a breve tempo conseguia habilitar-se para o novo renascimento.

Mergulhado em rendas de ilimitado carinho, ressurgiu num corpo abençoado e perfeito, em lar simples e generoso que o acariciou com alegrias puras, qual santuário que o preparasse na direção de uma festa de luz.

Foi assim que, alcançando a maioridade corpórea, o candidato ao serviço do bem foi conduzido naturalmente à província de trabalho em que lhe competia a execução dos votos que formulara.

Entretanto, ao contacto inicial com as bênçãos da tarefa, sentiu que a dúvida e a irritação lhe visitavam o campo íntimo.

Em toda parte, surpreendia incompreensão e discórdia, censura e suspeita constantes…

Amedrontado perante a luta que se esboçava feroz, pediu, certa feita, numa sessão de fraternidade e intercâmbio, a orientação do Benfeitor Espiritual que o ajudava no templo espírita em que se lhe sediavam as esperanças primeiras, e, tão logo saudado pelo Instrutor, rogou compugidamente:

- Que fazer, meu amigo, diante das sombras que me entravam os movimentos?

Perdoa e ajuda, meu filho – respondeu-lhe o mensageiro benevolente.

- E quando alguém me crive de calúnia e maldade?

- Ajuda e perdoa para que a luz do entendimento se faça vitoriosa.

- E a desconfiança? como agir perante as criaturas que me experimentam com aspereza e sarcasmo?

- Perdoa e ajuda aguardando o tempo.

- E as pessoas cruéis que me procuram, tocadas de más intenções, à maneira do animal que se sacia nas águas de um poço, agitando o lodo que lhe dorme no seio?

- Ajuda e perdoa para que se renovem um dia …

- Sofro com as mistificações que, por vezes, me assaltam … Como proceder diante daqueles que me ensombram a inspiração, compelindo-me ao desencanto?

- Perdoa e ajuda sem repousar, recebendo em tais lições do caminho o justo apelo à tua construção de humildade … De quando em quando, a mistificação auxiliar-te-á a entender que os talentos do Alto não te pertencem, ensinando-te o respeito ante a Bondade Celestial.

- Vejo-me cercado pela exigência daqueles que me interpretam à conta de malfeitor, solicitando-me as horas para o resvaladouro do crime… Como tratá-los na rota de minha fé?

- Perdoa e ajuda sempre.

- Mas de que modo agir com ignorantes e ingratos, com as raposas da astúcia e com os lobos da crueldade que pretendem senhorear minhas forças?

- Ajuda e perdoa constantemente.

- Ainda mesmo quando não me desculpem as fraquezas e não me auxiliem na solução das próprias necessidades?

- Sim, meu filho – acentuou o benfeitor -, é imprescindível ajudar e perdoar sem descanso.

Levantou-se o consulente para a despedida, e após o encerramento da reunião, com fervorosa prece, o candidato à mediunidade que pedira o câncer e a lepra, a cegueira e a mutilação, a paralisia e o infortúnio, para ressarcir o passado delituoso, retirou-se da casa e ninguém mais o viu.

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Bibliografia:

O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – Cap. XX.

Estudando a Mediunidade – Martins Peralva – Cap. II e III.

Mediunidade e Evolução – Martins Peralva – cap. 7.

Nos Domínios da Mediunidade – Pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier – Cap. I.

Contos desta e doutra Vida – Pelo Espírito – Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Emmanuel – Pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, Cap. XI.

Apostila do Esde – Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Unidade I.

Fonte: http://sef.feparana.com.br/apost/unid19.htm

Mediunidade

SEF – Sociedade Espírita Fraternidade
Estudo Teórico-prático da Doutrina Espírita


Mediunidade – Conceito:

Lamartine Palhano Jr. em seu “Dicionário de Filosofia Espírita”, conceitua mediunidade como sendo uma faculdade inerente ao homem que permite a ele a percepção, em um grau qualquer, da influência dos Espíritos. Não constitui privilégio exclusivo de uma ou outra pessoa, pois, sendo uma possibilidade orgânica, depende de um organismo mais ou menos sensitivo.

Mediunismo:

Alexander Aksakof, em 1.890, empregou o termo mediunismo para designar o uso das faculdades mediúnicas. A prática do mediunismo não significa que haja prática de Espiritismo propriamente dito, visto que a mediunidade não é propriedade do Espiritismo.

(veja ao final, pequena biografia de Alexander Aksakof).

Mediunato:

Missão mediúnica da qual está investido um médium. Esta expressão foi criada pelos próprios Espíritos: “Deus me encarregou de desempenhar uma missão junto aos crentes a quem ele favorece com o mediunato” – Joana d’Arc (Capítulo XXXI, comunicação XII, em “O Livro dos Médiuns” de Allan Kardec.

Médium:

(Do latim: medium = meio; intermediário; medianeiro). Pessoa que pode servir de intermediário entre os Espíritos e os homens; aquele que em um grau qualquer sente a influência dos Espíritos de modo ostensivo.

Como já foi mencionado, todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos, é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, privilégio exclusivo, donde se segue que poucos são os que não possuem um rudimento dessa faculdade. Pode-se, pois, dizer que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em que a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva.

A Predisposição Mediúnica:

A predisposição mediúnica independe do sexo, da idade e do temperamento, bem como da condição social, da raça, da cultura, da religião, da inteligência e até mesmo das qualidades morais. Todavia, quanto mais elevado for moralmente o médium, melhor instrumento este se tornará à Espiritualidade.

O Desenvolvimento da Faculdade Mediúnica:

O desenvolvimento da faculdade mediúnica depende da natureza mais ou menos expansiva do perispírito do médium e da maior ou menor facilidade da sua assimilação pelo dos Espíritos; depende, portanto, do organismo e pode ser desenvolvida quando exista o princípio; não podendo, consequentemente, quando o princípio não existe.

As relações entre os Espíritos e os médiuns se estabelecem por meio dos respectivos perispíritos, dependendo a facilidade dessas relações do grau de afinidade existente entre os dois fluidos. Alguns há que se combinam facilmente, enquanto outros se repelem, donde se segue que não basta ser médium para que uma pessoa se comunique indistintamente com todos os Espíritos.

Combinando os fluidos perispiríticos os Espíritos não só transmitem aos médiuns seus pensamentos, como também chegam a exercer sobre eles uma influência física, fazem-nos agir e falar à sua vontade. Todavia, a elevação moral do médium e seu controle sobre a faculdade que possuí impedirá que os Espíritos inferiorizados se adonem da sua faculdade e paralisem-lhe o livre arbítrio.

Podem os espíritos manifestar-se de uma infinidade de maneiras, mas não o podem senão com a condição de acharem uma pessoa apta a receber e transmitir impressões deste ou daquele gênero, segundo as aptidões que possua. Da diversidade de aptidões decorre que há diferentes espécies de médiuns.

Mediunidade – Classificação segundo seus Efeitos:

Os fenômenos dos efeitos mediúnicos podem ser de duas ordens:

  1. Fenômenos de Efeitos Materiais, Físicos ou Objetivos:

São os que sensibilizam diretamente os órgãos dos sentidos dos observadores. Podem se apresentar sob variadas formas, tais como:

  • Materialização – de objetos, de Espíritos, etc.

  • Transfiguração – modificação dos traços fisionômicos do próprio médium.

  • Levitação – erguimento de objetos e/ou pessoas, contrariando a Lei da Gravidade.

  • Transporte – entrada e saída de objetos de recintos hermeticamente fechados.

  • Bilocação ou Bicorporiedade – aparecimento do Espírito do médium desdobrado sob forma materializada, em lugar diferente ao do corpo.

  • Voz Direta – vozes dos Espíritos que soam pelo ambiente, independentemente do médium (em termos), através de uma garganta ectoplasmática. Vide ao final significado de ectoplasma.

  • Escrita Direta – Palavras, frases, mensagens, escritas sem a utilização da mão do médium.

  • Tiptologia – Sinais por pancadas formando palavras e frases inteligentes.

  • Sematologia – Movimento de objetos sem contato físico, traduzindo uma vontade, um sentimento, etc.

  1. Fenômenos de Efeitos Intelectuais ou Subjetivos:

São os que ocorrem na esfera subjetiva, não ferindo os cinco sentidos, senão a racionalidade e o intelecto. Podem se apresentar das seguintes formas:

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  • Intuição – Uma modalidade de telepatia, quando a transmissão do pensamento se dá por meio do Espírito do médium, ou melhor de sua alma. Ela recebe o pensamento do Espírito que se manifesta e o transmite. Nessa situação o médium tem consciência do que fala ou escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento.

  • VidênciaFaculdade anímica ou mediúnica que permite a uma pessoa perceber imagens da vida espiritual, e mesmo da vida corpórea, independentemente do tempo e da distância.

  • Audiência – Da mesma forma, faculdade anímica ou mediúnica que permite a uma pessoa escutar os sons do mundo espiritual.

  • Desdobramento – Estado no qual o Espírito do percipiente desloca-se e vai até outros lugares, distantes ou não, fora da dimensão tempo/espaço, e descreve o que vê e o que faz.

  • Psicometria – Faculdade que tem o médium de estabelecer contato com toda a vida psíquica de alguém, coisa ou ambiente, podendo perscrutar o passado, o presente e o futuro, bastando para isso que entre em contato com o nome ou um objeto relacionado.

  • Psicografia – É a escrita sob a influência dos Espíritos. Os Espíritos escrevem, impulsionando a mão do médium, seja por uma forte intuição, por um controle parcial do centro motor e com ciência do médium ou por uma ação mecânica absoluta.

  • Psicofonia – Fenômeno mediúnico que, associado ou não a outras modalidades da mediunidade, possibilita a um Espírito falar através do aparelho fonador do médium

À generalidade destes dois últimos tipos de fenômenos intelectuais (psicografia e psicofonia) tem-se denominado vulgarmente de “Incorporação Mediúnica”. Ressalte-se, todavia, que não ocorre a “introdução” do Espírito no corpo do médium, mas, sim, uma associação de seus fluidos com os do médium, resultantes das faixas vibratórias em que se encontrem e que pela lei de sintonia e da assimilação se identificam formando um complexo – Emissor – (Espírito – desencarnado) e Receptor (médium).

Classificação dos Médiuns:

Inicialmente, podemos classificar os médiuns em:

Médiuns Facultativos ou Voluntários

Médiuns Naturais ou Involuntários

 

  1. Médiuns Facultativos ou Voluntários:

    Só se encontram entre pessoas que tem conhecimento mais ou menos completo dos meios de comunicação com os Espíritos, o que lhes possibilita servir-se, por vontade própria, de suas faculdades. Não que realizem quando queiram os fenômenos, pois sem a vontade do Espírito que se irá comunicar nada conseguirão, porém, são senhores da faculdade que possuem, não permitindo que se dêem comunicações extemporâneas e em momentos impróprios. Sabem que possuem a faculdade e se predispõem ao intercâmbio com o mundo dos Espíritos.

  2. Médiuns Naturais ou Involuntários:

Também denominados “Inconscientes”, pelo Codificador, por não terem consciência da faculdade que possuem. São aqueles cuja influência se exerce a seu mau grado. Existem entre as pessoas que nenhuma idéia fazem do Espiritismo, e nem dos Espíritos, até mesmo entre as mais incrédulas e que servem de instrumento, sem o saberem e sem o quererem. .

Os fenômenos espíritas de todos os gêneros podem operar-se por influência destes últimos, que sempre existiram, em todas as épocas e no seio de todos os povos. A ignorância e a credulidade lhe atribuíram um poder sobrenatural e, conforme os tempos e os lugares, fizeram deles santos, feiticeiros, loucos ou visionários. O Espiritismo mostra que com eles, apenas se dá a manifestação espontânea de uma faculdade natural.

Classificação Geral dos Médiuns:

  • Médiuns de Efeito FísicosSão os mais aptos, especialmente, à produção de fenômenos materiais, como movimentos de corpos inertes, os ruídos, a deslocação, o levantamento e a translação de objetos, etc. Sempre neste fenômenos há o concurso voluntário ou involuntário de médiuns dotados de faculdades especiais.

  • Médiuns Sensitivos ou ImpressivosSão pessoas suscetíveis de pressentir a presença dos Espíritos, por impressão vaga, como ligeiro atrito em todos os membros, fato que não logram explicar. Tal sutileza pode essa faculdade adquirir; que aquele que a possui reconhece, pela impressão que experimenta, não só a natureza, boa ou má, do Espírito que lhe está ao lado, mas também a sua individualidade.

  • Médiuns AudientesSão médiuns que ouvem os Espíritos. Algumas vezes é como se escutassem uma voz interna que lhes ressoasse no foro íntimo; doutras vezes, é uma voz exterior, clara e distinta como a de uma pessoa viva.

  • Médiuns Psicofônicos ou FalantesÉ a faculdade que permite aos Espíritos, utilizando os órgãos vocais do encarnado, transmitirem a palavra audível a todos que presentes se encontrem.

É a faculdade mais freqüente em nosso movimento e possibilita o intercâmbio com o mundo extracorpóreo.

É através dela que os desencarnados narram, quando podem/desejam, os seus aflitivos problemas, recebendo dos orientadores, em nome da fraternidade cristã, a palavra do esclarecimento e da consolação.

O pensamento do Espírito antes de chegar ao cérebro físico do médium, passa pelo cérebro perispirítico, resultando disso a propriedade que tem o medianeiro, “em tese” de fazer ou não fazer o que a entidade pretende.

Também os Mentores Espirituais, Espíritos trabalhadores da grande Seara do Pai, utilizam esta possibilidade de intercâmbio para esclarecerem, orientarem, confirmando a continuidade do labor nas duas esferas da vida.

Obs: – Os médiuns falantes, de maneira geral são intuitivos ou conscientes, sendo o intérprete ou mensageiro. O estilo, o vocabulário, a construção das frases são suas, mas a idéia é do Espirito.

Os médiuns psicofônicos semiconscientes conservam o estilo e a idéia do Espírito que se comunica e nos, psicofônicos inconscientes, geralmente se exprime sem ter consciência do que diz e muitas vezes diz coisas completamente estranhas às suas idéias habituais, aos seus conhecimentos e, até, fora do alcance de sua inteligência. Embora se ache perfeitamente acordado e em estado normal, raramente guarda lembrança do que diz.

  • Médiuns VidentesSão dotados da faculdade de ver os Espíritos. Alguns gozam dessa faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados e conservam lembrança precisa do que viram. Outros só a possuem em estado sonambúlico, ou próximo do sonambulismo. É raro esta faculdade permanecer por muito tempo; quase sempre é efeito de uma crise passageira.

  • Médiuns SonambúlicosNesta ordem, são duas as categorias de fenômenos que freqüentemente se acham reunidos:

a) Quando o sonâmbulo age sob a influência do seu próprio Espírito; é sua alma que, nos momentos e emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos. O que ele externa tira-o de si mesmo; são idéias suas, em geral, mais justas do que no estado normal, seus conhecimentos estão mais dilatados, porque tem livre a alma.

b) Como médium, ao contrário, é instrumento de uma inteligência estranha; é passivo e o que diz não vem de si. O médium sonambúlico, em estado de emancipação da alma pode facultar a comunicação. Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente os Espíritos e os descrevem com tanta precisão, como médiuns videntes. Podem confabular com eles e transmitir-nos seus pensamentos. O que dizem, fora do âmbito de seus conhecimentos pessoais, lhes é com freqüência sugerido por outros Espíritos.

  • Médiuns CuradoresEste gênero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medicação. Exemplo maior Jesus. Geralmente a faculdade é espontânea e, embora haja a utilização do fluido magnético, alguns médiuns curadores jamais ouviram falar do magnetismo. Ex: – benzedeiras.

  • Médiuns PneumatógrafosDá-se este nome aos médiuns que têm aptidão para obter a escrita direta. Esta faculdade é bastante rara. Desenvolve-se pelo exercício; mas sem utilidade prática. Se limita a uma comprovação patente da intervenção de uma força oculta nas manifestações.

  • Médiuns Escreventes ou PsicógrafosSão os médiuns aptos a receber a comunicação dos Espíritos através da escrita. Como afirma Allan Kardec, “de todos os meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, o mais cômodo e, sobretudo o mais completo”. Para eles devem tender todos os esforços, porquanto permite se estabeleçam, com os Espíritos, relações tão continuadas e regulares, como as que existem entre nós. Deve ser desenvolvido com muita responsabilidade pois é através dessa faculdade que os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau do seu aperfeiçoamento, ou a sua inferioridade. Para o médium, a faculdade de escrever é, além disso, a mais suscetível de desenvolver-se pelo exercício e proporciona a todos um exame acurado e minucioso da mensagem recebida.

Os médiuns psicógrafos podem ser classificados em:

a) Médiuns Mecânicos – O Espírito atua diretamente sobre a mão do médium, impulsionando-a. O que caracteriza este gênero de mediunidade é a inconsciência absoluta, por parte do médium, do que sua mão escreve. Ela se move sem interrupção, enquanto o Espírito tem alguma coisa que dizer, e para, assim que ele acaba. Neste tipo de mensagem, a escrita vem antes do pensamento.

b) Médiuns Intuitivos – Neste caso, o Espírito não atua sobre a mão para movê-la, mas, atua sobre a alma do médium, identificando-se com ela e imprimindo-lhe sua vontade e suas idéias. A alma recebe o pensamento do Espírito comunicante e o transcreve. Nesta situação, o médium escreve voluntariamente e tem consciência do que escreve, embora não grafe seus próprios pensamentos. Podemos dizer, que nestes casos, o pensamento vem antes da escrita.

C) Médiuns Semimecânicos – Também denominados Semi-intuitivos. Eles sentem que, à sua mão uma impulsão é dada, mau grado seu, mas, ao mesmo tempo, têm consciência do que escrevem, à medida que as palavras se formam. Neste casos, o pensamento acompanha as palavras.

  • Médiuns Polígrafos – São aqueles cuja escrita se modifica em decorrência do Espírito que se comunica, ou que são aptos a reproduzir a escrita que o Espírito tinha em vida.

  • Médiuns Iletrados – Os que escrevem como médiuns, sem saber ler, nem escrever, no estado ordinário. Muito raros; mais que os anteriores.

  • Médiuns Poliglotas ou Xenoglotas – São aqueles que escreve ou falam, sob a influência dos Espíritos, em idiomas que lhe são desconhecidos.

Ä Biografia/definições:

Alexander N. Aksakof

Nascido em Repievka (Rússia) em 27 de maio de 1.832, desencarnou em S. Petersburgo (Leningrado), a 04 de janeiro de 1.903.

Foi membro da nobreza russa, doutor em Filosofia e Conselheiro de Alexandre III, Czar de todas as Rússias.

Doutor, foi lente da Academia de Leipzig, na Alemanha.

Empenhou-se no campo da investigação psíquica, foi diretor do jornal “Psychische Studien”, de Leipzig (Alemanha).

Publicou a sua obra mais significativa “Animismo e Espiritismo”.

Participou da investigação mediúnica junto a diversos médiuns do século passado e de muitos outros pesquisadores de renome.

Sua contribuição ao Movimento Espírita Mundial foi enorme e, até hoje, seus trabalhos são citados pelos muitos pesquisadores que se aventuram pelo campo do psiquismo.

Ectoplasma

(do grego: ektós – movimento para fora; plasma – obra modelável). Substância que emana do corpo de um médium capaz de produzir fenômenos de efeitos físicos ou materializações. Trata-se de uma exalação fluídica, sensível ao pensamento, visível ou invisível, plástica, inodora, insípida, originalmente incolor.

 

 

Bibliografia:

O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – Segunda Parte, capítulos II, III, IV, V, IX, X, XI, XII, XIII e XV.

No Invisível – Léon Denis – capítulos XVI à XVIII.

O Fenômeno Espírita – Gabriel Delanne – Segunda parte, capítulo I.

Estudando a Mediunidade – Martins Peralva.

Apostila do COEM – Centro de Orientação e Educação Mediúnica – do Centro Espírita Luz Eterna – Primeira, Segunda e Quarta Sessões Teóricas – Mediunidade – Conceito – Classificação e Dos Médiuns.

Dicionário de Filosofia Espírita – Lamartine Palhano Jr.

Fonte: http://sef.feparana.com.br/apost/unid18.htm

O poder dos médiuns

Matéria de capa revista  Isto É – outubro 2008
por Suzane Frutuoso fotos Murillo Constantino

Como a ciência justifica as manifestações de contato com espíritos e por que algumas pessoas desenvolvem o dom.

O poder dos médiuns

O espiritismo é seguido por 30 milhões de pessoas no mundo. O Brasil é a maior nação espírita do planeta. São 20 milhões de adeptos e simpatizantes, segundo a Federação Espírita Brasileira – no último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2,3 milhões declararam seguir os preceitos do francês Allan Kardec, o fundador da doutrina. A mediunidade, popularizada pelas psicografias de Chico Xavier, em Uberaba (MG), ganhou visibilidade nos últimos anos na mesma proporção em que cresceu o espiritismo. Mas nada se compara ao poder da mídia atual, que permite debater os ensinamentos da religião por meio de livros, programas de tevê e rádio. Os romances com temática espiritualista de Zíbia Gasparetto, por exemplo, são presença constante nas listas de mais vendidos.

Embora não haja estatísticas de quantos entre os praticantes são médiuns, o que se observa é uma quantidade maior de pessoas que afirmam possuir o dom. O interesse pela religião fundamentada por Kardec (por isso também chamada de kardecismo) é confirmado pelo recorde de público do filme Bezerra de Menezes – o diário de um espírito, do cineasta Glauber Filho: 250 mil espectadores, desde o lançamento nos cinemas, em 29 de agosto. Um número alto para uma produção nacional. O longa, com o ator Carlos Vereza (também praticante do espiritismo) no papel-título, conta a história do cearense que ficou conhecido como “médico dos pobres”, se tornou ícone da doutrina e orienta médiuns em centenas de centros a se dedicar ao bem e à caridade.

PSICOGRAFIA
Instrumento por meio dos livros

A psicóloga Marilusa Vasconcelos, 65 anos, de São Paulo, é conhecida no espii65610 ritismo pela sua vasta literatura psicografada. Em 40 anos de dedicação à mediunidade, publicou 61 livros. Seu orientador é o espírito do poeta Tomás Antonio Gonzaga, que participou da Inconfidência Mineira. A dedicação à psicografia levou Marilusa a fundar em 1985 a Editora Espírita Radhu, sigla para renúncia, abnegação, desprendimento e humildade, a base dos ensinamentos na doutrina. Ela reúne outros dons, como ouvir, falar e enxergar espíritos e ser instrumento deles na pintura mediúnica. “Os vários tipos surgiram desde a infância”, conta Marilusa, que nasceu numa família espírita. “O controle da mediunidade é indispensável. O médium não é joguete do espírito. Eles interagem, num acordo mútuo de tarefa.”

Os espíritas dizem que todas as pessoas têm algum grau de mediunidade. Qualquer um seria capaz de emitir pensamentos em forma de ondas eletromagnéticas que chegariam a outros planos. O que torna algumas pessoas especiais, segundo os praticantes, a ponto de se transformarem em canais de comunicação com os mortos, é uma missão – designada antes mesmo de nascerem, determinada por ações em vidas anteriores e que tem na caridade o objetivo final. “É uma tarefa em favor da evolução de si mesmo e da ajuda ao próximo”, diz Julia Nesu, diretora do departamento de doutrina da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Fenômenos relacionados a pessoas que falavam com mortos e envolvendo objetos que se mexiam são relatados desde o século XVII, tanto na Europa quanto nas Américas, mas hoje cientistas tentam compreender o fenômeno. Algumas linhas de pesquisa mostram que o cérebro dos médiuns é diferente dos demais.

São cinco os meios de expressão da mediunidade. A psicografia, que consagrou Chico Xavier, é a mais conhecida. Nela, o médium escreve mensagens e histórias que recebe de espíritos. Estaria sob o controle deles o que as mãos transcrevem. A vidência permite enxergar os mortos que não conseguiram se desvencilhar da Terra ao não aceitarem a morte ou que aparecem para enviar recados a entes queridos. Na psicofonia, o sensitivo é capaz de ouvir e reproduzir o que os espíritos dizem e pedem. A psicopictografia, ou pintura mediúnica, permite ao médium ser instrumento de artistas desencarnados (termo usado pela doutrina para designar mortos). A mediunidade da cura é responsável pelas chamadas cirurgias espirituais. Não é incomum um mesmo indivíduo reunir mais de um tipo de dom.

VIDÊNCIA
Ver e auxiliar aqueles que estão em outro plano

Aos cinco anos, o chefe de faturamento hospitalar Ivanildo Protázio, dei65611 São Paulo, 49 anos, pegava no sono com o carinho nos cabelos que uma senhora lhe fazia todas as noites. Descobriu tempos depois que era a avó, morta anos antes. Aos 19 anos, os espíritos já se materializavam para ele. “Nunca tive medo. Sempre me pareceu natural.” A mãe, que trabalhava na Federação Espírita, o encaminhou para as aulas em que aprenderia a lidar com o dom. Hoje, Protázio é professor de educação mediúnica. Essa é uma parte da sua missão. A outra é orientar os espíritos que lhe pedem auxílio para entender o que aconteceu com eles. A oração é o remédio. “Os espíritos superiores me ensinaram a importância da caridade para nossa própria evolução.”

A reportagem de ISTOÉ presenciou uma manifestação mediúnica em Indaiatuba, interior de São Paulo. O tom de voz baixo e os gestos delicados de Solange Giro, 46 anos, sugeriam que ela carrega certa timidez ao expor a própria vida numa conversa com um estranho.

Cerca de duas horas depois, porém, é difícil acreditar no que os olhos vêem. Diante de uma tela em branco, sobre uma mesa improvisada com dezenas de tubos de tinta, a mulher começa a pintar um quadro na seqüência de outro. O tempo gasto em cada um não passa de nove minutos. As obras são coloridas e harmoniosas. “Nunca fiz aula de artes. Mal conseguia ajudar meus filhos com os desenhos da escola”, diz, minutos antes da apresentação. A discreta Solange dá lugar a uma pessoa que fala alto, canta e encara os interlocutores nos olhos, com ar desafiador. A assinatura nas telas não leva seu nome, mas de artistas famosos – e já mortos –, como Monet, Mondrian e Tarsila do Amaral. Seria uma interpretação digna de uma atriz? Talvez.

O que difere o momento de uma encenação é subjetivo e dá margem a dezenas de explicações – convincentes ou não. Talvez seja possível encontrar respostas no que a artista diz a cada uma das pessoas da platéia presenteadas com um dos dez quadros produzidos na noite. Enquanto entregava a obra, ela desferia características e situações de vida de cada um absolutamente desconhecidas dela. O mentor que a guia é o médico holandês Ernst, que viveu no século XVII. A sensitiva garante que era ele, não ela, quem estava presente na pintura dos quadros.
Nem sempre é fácil aceitar a mediunidade, que pode causar medo quando começa a se manifestar. “Ainda hoje não gosto quando vejo o possível desencarne de alguém. Nestas horas, preferia não saber”, conta a psicóloga Marilusa Moreira Vasconcelos, 65 anos, de São Paulo, que psicografa. O médium de cura Wagner Fiengo, analista fiscal paulistano, 37 anos, chegou a se afastar da doutrina. “Aos 13 anos não entendia por que presenciava aquilo.” Para manter a sanidade e o equilíbrio, as pessoas que possuem dons e querem fazer parte da religião espírita precisam se dedicar à educação mediúnica. O curso leva cinco anos. Inclui os ensinamentos que Allan Kardec compilou no Livro dos espíritos – a obra que deu base ao entendimento da doutrina – e no Livro dos médiuns – que explica quais são os tipos de mediunidade, como eles se manifestam e os cuidados a serem tomados. Entre eles, o combate a falhas de comportamento, como vaidade, orgulho e egoísmo. O espiritismo prega que as imperfeições da personalidade atraem espíritos com a mesma vibração. “O pensamento é tudo. Aqueles que pensam positivo atrairão o que é semelhante. O mesmo acontece com o pensamento negativo e os vícios. Quem gosta de beber, por exemplo, chama a companhia de espíritos alcoólatras”, afirma o professor de educação mediúnica Ivanildo Protázio, 49 anos, de São Paulo, que tem o dom da vidência.

PSICOFONIA
Falar o que os espíritos querem dizer

A intuição do servidor público Geraldo Campetti, 42 anos, de Brasília, começi65612 ou na infância. Ele tinha percepções inexplicáveis, das quais mais ninguém se dava conta. Era como se absorvesse sentimentos que não eram seus. Apenas identificava que existia algo além do que seus olhos enxergavam. Até que as sensações começaram a tomar forma. Campetti passou a ouvir súplicas de ajuda. De espíritos, inconformados com a morte. Aos 29 anos, não se assustou. De família kardecista, conhecia a mediunidade. “Mas sabia que precisava estudar para manter o equilíbrio”, diz. Hoje diretor da Federação Espírita Brasileira, afirma ter controle sobre o dom de ouvir e transmitir recados dos mortos. Eventualmente, um espírito pede uma mensagem à pessoa com quem ele conversa. “Isso é espontâneo, não da minha vontade.”

Imaginar que convivemos no cotidiano com pessoas que estão mortas vai além da compreensão sobre a vida – pelo menos para quem não acredita em reencarnação. Mas até na ciência já existem aqueles que conseguem casar racionalidade com dons espirituais. Esses especialistas afirmam que a mediunidade é um fenômeno natural, não sobrenatural. E que o mérito de Allan Kardec foi explicar de maneira didática o que sempre esteve presente – e registrado – desde a criação do mundo em todas as religiões. O que seria, dizem os defensores da doutrina, a anunciação do Anjo Gabriel a Maria, mãe de Jesus, se não um espírito se comunicando com uma sensitiva?

Apesar desse contato constante, os mortos, ou desencarnados, como preferem os espíritas, não aparecem em “carne e osso”. A ligação com o mundo dos vivos seria possível graças ao perispírito, explica Geraldo Campetti, diretor da Federação Espírita Brasileira. “Ele é o intermediário entre o corpo e o espírito. A polpa da fruta que fica entre a casca e o caroço.” O perispírito seria formado por substâncias químicas ainda desconhecidas pelos pesquisadores terrenos, garantem os adeptos do espiritismo. “É a condensação do que Kardec batizou como fluido cósmico universal”, afirma o neurocirurgião Nubor Orlando Facure, diretor do Instituto do Cérebro de Campinas. Nas quatro décadas em que estuda a manifestação da mediunidade no cérebro, Facure mapeou áreas cerebrais que seriam ativadas pelo fluido.

CURA
Cirurgias sem dor nem sangue
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O primeiro espírito a se materializar para o analista fiscal Wagner Fiengo, 37 anos, de São Paulo, foi de um primo. Ele tinha dez anos, teve medo e se afastou. Mas, na juventude, um tio, seguidor da doutrina, avisou que era hora de ele se preparar para a missão que lhe fora reservada. Por meio da psicografia, seu guia espiritual, o médico Ângelo, informou que teriam um compromisso: curar pessoas. Ele não foi adiante. Uma pancreatite surgiu sem que os médicos diagnosticassem os motivos. Há quatro anos, seu guia explicou que as doenças eram ajustes a erros que Fiengo havia cometido numa vida passada. A missão era a forma de equilibrar a saúde e a alma. Em 2004, iniciou as cirurgias espirituais. Ele diz que não é uma substituição ao tratamento convencional. “É um auxílio na cura de fatores emocionais e físicos.”

Comprovar cientificamente a mediunidade também é objetivo do psiquiatra Sérgio Felipe Oliveira, professor de medicina e espiritualidade da Faculdade de Medicina da USP e membro da Associação Médica-Espírita de São Paulo. Com exames de tomografia, ele analisou a glândula pineal (uma parte do cérebro do tamanho de um feijão) de cerca de mil pessoas. “Os testes mostraram que aqueles com facilidade para manifestar a psicografia e a psicofonia apresentam uma quantidade maior do mineral cristal de apatita na pineal”, afirma Oliveira. Ele também atende, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, casos de pacientes de doenças como dores crônicas e epilepsia que receberam todos os tipos de tratamento, não tiveram melhora e relatam experiências ligadas à mediunidade. “Somamos aos cuidados convencionais, como o remédio e a psicoterapia, a espiritualidade, que vai desde criar o hábito de orar até a meditação. E os resultados têm sido positivos.” Uma pesquisa de especialistas da USP e da Universidade Federal de Juiz de Fora, publicada em maio no periódico The Journal of Nervous and Mental Disease, comparou médiuns brasileiros com pacientes americanos de transtorno de múltiplas personalidades (caracterizado por alucinações e comportamento duplo). Eles concluíram que os médiuns apresentam prevalências inferiores de distúrbios mentais, do uso de antipsicóticos e melhor interação social.
A maior parte dos cientistas acredita que a mediunidade nada mais é do que a manifestação de circuitos cerebrais. Alguns já seriam explicáveis, como os estados de transe. Pesquisas da Universidade de Montreal, no Canadá, e da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, comprovaram que, durante a oração de freiras e monges católicos, a área do cérebro relacionada à orientação corporal é quase toda desativada, o que justificaria a sensação de desligamento do corpo. Os testes usaram imagens de ressonâncias magnéticas e tomografias feitas no momento do transe.
A teoria seria aplicável ao transe mediúnico, quando o médium diz incorporar o espírito e não se lembra do que aconteceu. Pesquisadores da Universidade de Southampton, na Inglaterra, estudaram pessoas que estiveram entre a vida e a morte e relataram se ver fora do próprio corpo durante uma operação ou entrando em contato com pessoas mortas. Os estudiosos concluíram se tratar de um fenômeno fisiológico produzido pela privação de oxigênio no cérebro. Trabalhando sob stress, o órgão seria também inundado de substâncias alucinógenas. As imagens criadas pela mente seriam apenas a retomada de percepções do cotidiano guardadas no inconsciente.

PSICOPICTOGRAFIA
Milhares de quadros pintados
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Criada numa família católica, Solange Giro, 46 anos, de Parapuã, interior de São Paulo, teve o primeiro contato com o espiritismo aos 20 anos, ao conhecer o marido. Ele, que perdera uma noiva, buscava o entendimento da morte. Já casada e com dois filhos, passou a sofrer de depressão. Encontrou alívio na desobsessão (trabalho que libertaria a pessoa de um espírito que a domina). A mediunidade dava os primeiros sinais. Logo passou a ouvir e ver espíritos. O dom da psicografia veio em seguida. Era um treino para ser iniciada na pintura mediúnica. “Pintei cinco mil quadros no primeiro ano. Estão guardados. Não tive autorização para mostrálos”, conta Solange, que diz nunca ter estudado artes. Nos últimos 13 anos, ela recebeu aval de seu mentor para vender os quadros. O dinheiro é revertido para a caridade.

O psiquiatra Sérgio Felipe Oliveira rebate a incredulidade. “Se uma pessoa está em cirurgia numa sala e consegue descrever em detalhes o que ocorreu em um ambiente do outro lado da parede, é possível ser apenas uma sensação?” Essa é uma pergunta que nenhuma das frentes de pesquisa se arrisca – ou consegue – a responder com exatidão. Da mesma maneira que todos os presentes à sessão de pintura em Indaiatuba saíram atônicos, sem conseguir explicar como alguém que conheceram numa noite foi capaz de decifrar suas angústias mais inconfessáveis.

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Fonte:
Matéria de capa revista  Isto É – outubro 2008
por Suzane Frutuoso fotos Murillo Constantino